PETROBRÁS ACELERA LICITAÇÃO PARA MEXILHÃO
A Petrobrás acelerou a licitação da maior plataforma já encomendada pela estatal: a de Mexilhão, na Bacia de Santos. O pólo produzirá 15 milhões de metros cúbicos/dia, mais da metade do que o Brasil importa da Bolívia. Com proposta de R$ 1,17 bilhão, o estaleiro Mauá Jurong é praticamente o vencedor da concorrência para a construção da plataforma. “Já estávamos trabalhando com pressa, mas a crise reforçou esta necessidade”, disse o gerente da Petrobrás, Pedro Barusco, a respeito da nacionalização do gás na Bolívia. Segundo o consultor Humberto Guimarães, há muito tempo o Brasil deveria ter explorado suas reservas naturais de gás. Desde a criação do gasoduto Bolívia-Brasil, em 1999, a Petrobrás deixou de utilizar 36,736 bilhões de metros cúbicos do insumo retirados de poços brasileiros, o que equivale, em valores, a perdas de US$ 5,26 bilhões.
As declarações do ministro boliviano, Andrés Soliz Rada, de que o país não participará do Gasoduto do Sul se a Petrobrás for majoritária, sacudiu ainda mais as relações com o Brasil. O presidente da AEPET, Heitor Pereira, disse que a entidade vê com satisfação o início das obras para a operação das enormes reservas de gás do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, mas adverte que não há necessidade de a Petrobrás firmar parceria com a Repsol e a Shell neste negócio. A companhia tem capacidade tecnológica e recursos para operar o campo sozinha. “A Petrobrás lucrou R$ 6,7 bilhões só no primeiro trimestre deste ano, 33% a mais do que no mesmo período do ano passado. Em vez de investir em outros países com postura subimperial, a empresa tem que viabilizar o investimento interno, criando empregos no Brasil. Não faltarão também instituições financeiras dispostas a fornecer crédito para a Petrobrás diante de um ativo de tal importância como o gás natural”, acrescentou. (Gazeta Mercantil/AEPET)