Advinha quem vai pagar?


comentário: O Brasil não é um país para amadores. Em qualquer país com um mínimo de ordem legal, uma concessionária de serviço de distribuição tem ativos que se iniciam nas subestações e terminam nos fios de entrega da energia. Aqui, pelas declarações dos seus executivos, o concessionário considera que o combate ao furto de energia não é sua atribuição. A agência reguladora, compreensiva, concede um aumento acima do oficial para que a distribuidora realize o que se espera de concessionários, a fiscalização de seus ativos. A foto mostra o resultado da omissão do estado na ordenação urbana, mas também torna evidente a complacência da distribuidora com uma situação aceita dadas as repetidas políticas compensatórias adotadas pelas agências. Solução há, mas ela só é implantada se alguém pagar.

Advinha quem vai pagar pelo que seria obrigação da concessionária?



 

Tarifa especial da Light terá desconto de 70%

Medida para evitar ‘gato’ será contrapartida a reajuste

 

Henrique Gomes Batista (O GLOBO – 07/11)

 

RIO – A Light deverá levar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma proposta de tarifa diferenciada para áreas com muitos casos de furtos de energia (os “gatos”), semelhante ao projeto que a empresa desenvolve em algumas favelas pacificadas do Rio. A Aneel aprovou na terça-feira reajuste médio de 6,2% para consumidores residenciais da Light, que começa a valer nesta quinta, contrariando previsão inicial de redução na tarifa. Mas, como contrapartida, a empresa terá que apresentar um plano para diminuir o furto de energia.

 

Dentro deste plano, a Aneel exigiu uma tarifa diferenciada para áreas com muitos “gatos” e também para todas comunidades pacificadas do Rio. A proposta tem que ser apresentada em até 180 dias. Segundo o presidente da Light, Paulo Roberto Pinto, a ideia é adotar um desconto inicial de 70%. Ao longo de até dois anos, porém, a tarifa vai sendo recomposta até atingir o valor normal. Nesse período, a empresa adota um plano de conscientização dos moradores para reduzir o consumo de energia, que costuma ser alto nas moradias com “gato”.

 

Empresa terá que melhorar serviço

 

No plano de redução de perdas que apresentará à Aneel, a empresa se comprometerá também a instalar uma rede antifurto e a melhorar a qualidade do serviço. No índice da Aneel que mede a satisfação do consumidor, a Light teve 51,57% de aprovação em 2012. A empresa ocupou o 58º lugar entre 63 companhias do país.

 

– Hoje, perdemos quase R$ 2 bilhões por ano com desvios e desperdício, o nosso roubo de energia equivale ao consumo de todo o Espírito Santo – afirmou Pinto.

 

Sobre a tarifa diferenciada, Pinto explicou que a Light está aprimorando um projeto que tem dado resultado.

 

– Iniciamos no Dona Marta, onde havia muito desperdício, pois as pessoas não pagavam contas, deixavam o ar condicionado ligado “25” horas por dia, geladeira aberta, não havia interruptores para as lâmpadas. A média de consumo das casas era de 250 kwh (por mês), agora está em 120, 110 kwh, depois de nosso programa, que chegou a trocar 800 geladeiras na comunidade por modelos mais eficientes. Hoje, cobramos de 100% dos moradores e recebemos em dia de 98% deles, até porque a nossa rede é blindada, antifurto, e podemos cortar o fornecimento de forma remota – disse.

 

O presidente da Light esclareceu ainda que o valor obtido com o reajuste autorizado pela Aneel deverá ser aplicado em investimentos para reduzir as perdas e roubos de energia. Isso, no futuro, deve levar a uma diminuição da tarifa, segundo Pinto. Hoje, diz a empresa, a conta de luz dos cariocas seria 17% menor se não ocorressem os desvios.

 

– A Aneel nos jogou no colo essa responsabilidade, nos confiou isso. Agora, depende de nós aplicarmos bem estes recursos, teremos de investir R$ 1,25 bilhão (receita obtida com parte do reajuste). Deveremos mostrar redução dos desvios já em 2015 – disse.

 

Ele disse que depende de uma parceria com governo e autoridades de segurança pública para reduzir os “gatos”:

 

– Somente em Rio das Pedras, comunidade com 160 mil habitantes e 50 mil unidades consumidoras, temos 80% de energia roubada. E grande parte dos 20% que chegamos a medir não paga. Isso nos dá um prejuízo, apenas ali, de R$ 12 milhões por ano. Nossa atividade é restrita em comunidades violentas e com milícia – disse.

 

Pinto lembrou que essa proposta de tarifa diferenciada não se confunde com a tarifa social, benefício que atinge 190 mil consumidores da Light, ou 4% do total, que têm redução tarifária:

 

– A tarifa social tem regras, o programa é federal e somos compensados pela União por esse desconto.

 

 

 

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