
Comentário: Há dois números impressionantes na reportagem do Valor Econômico. Primeiro o fantástico percentual de 40,41% de perdas não técnicas na baixa tensão. Ou a reportagem está equivocada ou a Light, privatizada em 1996, supostamente “mais eficiente”, convive com furtos da ordem da metade da energia comercializada na baixa tensão. Em segundo lugar, as frouxas metas de redução desse índice, que deverá atingir 30,5% em 2018. Daqui a 5 anos, partindo de um índice (que deveria ser referencial) de 31,37%. Ou seja, uma redução de 0,87% em 5 anos. Partindo dos incríveis 40,41%, redução de apenas 2% por ano.
Como na notícia anterior, os postes da Light não a qualificam como uma empresa distribuidora energeticamente eficiente para receber tanta compreensão.
Light convence ANEEL e tem reajuste
Por Lucas Marchesini e Rodrigo Polito | De Brasília e do Rio – Valor 06/11
O esforço feito pela Light para convencer a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) da necessidade de pesados investimentos no combate ao furto e à fraude de energia, principalmente em comunidades carentes, deram resultado. A autarquia aprovou ontem um aumento médio de 3,65% para as tarifas da distribuidora fluminense, que será aplicado a partir desta quinta-feira, revertendo a proposta inicial da agência, que previa uma redução média de 3,3%.
Os clientes atendidos em alta tensão (indústrias) terão uma redução de 1,01% da conta de luz, enquanto os consumidores em baixa tensão (residências) terão um aumento de 6,2% no valor de suas faturas. A correção faz parte do terceiro ciclo de revisão tarifária da distribuidora fluminense.
A Aneel também reconheceu na tarifa o percentual de 40,41% de perdas não-técnicas sobre o mercado de baixa tensão da Light. A agência determinou ainda que o valor correspondente à diferença entre os 40,41% e um referencial, que parte de 31,37%, no início do ciclo tarifário, até atingir 30,5%, em 2018, será investido no programa de combate a perdas da empresa. O valor será tratado como “obrigações especiais”, fora da base de remuneração regulatória.
“A evolução dos resultados do programa de combate a perdas será acompanhada pela Aneel, como condição para a manutenção do patamar de 40,41%”, afirmou o diretor de finanças e relações com investidores da Light, João Batista Zolini, em comunicado enviado ao mercado.
As perdas de energia sempre foram o “calcanhar de aquiles” da Light. Nos últimos 12 meses terminados em junho, o índice de perdas não técnicas da Light alcançou 44,2% sobre o mercado de baixa tensão. O indicador estava bem acima da meta regulatória anterior, de 32,4%.
Para comprovar a necessidade de investimentos maciços em combate a perdas, e que eles fossem reconhecidos na tarifa, a Light chegou a mediar um encontro entre o secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e representantes da Aneel. O objetivo foi mostrar o programa de pacificação de comunidades carentes do Rio, onde, após a entrada da polícia, a distribuidora inicia a regularização da rede de energia.