A diminuição da tensão é mais uma quebra de contrato com os consumidores. Afinal, pagamos por energia de qualidade, e essa qualidade passa pela tensão, frequência e continuidade. O impacto de economia em alguns eletrodomésticos será nulo ( geladeiras, tv’s, bombas dágua, elevadores). Apesar da economia ser nenhuma, o risco de dano aumentará, pois os aparelhos mencionados compensarão a queda da tensão pelo aumento da corrente, esquentando mais. A economia virá principalmente da iluminação incandescente e dos aparelhos que se utilizam de resistências (ferro de passar, torradeiras, fornos). O ILUMINA vai disponibilizar um estudo mais detalhado em breve.
SALTO NO ESCURO
Tensão será reduzida para economizar 2% de energia; mudança será "imperceptível", afirma governo
Luz vai ficar até 5% mais fraca em agostoDA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A luz vai ficar 5% mais fraca a partir de agosto nas áreas que estão dentro do plano de racionamento de energia por decisão do governo federal. O "ministério do apagão" determinou que o nível de tensão da energia caia até 5%.
O objetivo é economizar 2% de energia, ou 1% do nível de água dos reservatórios, até novembro. De acordo com o governo, a mudança é "imperceptível" para os consumidores e não causará danos aos eletrodomésticos.
A tensão foi traduzida pelos técnicos do governo como sendo a força com a qual a energia chega à casa dos consumidores. O governo admitiu que os aparelhos que têm resistências elétricas (chuveiros, ferros de passar, secadores e lâmpadas, por exemplo) vão funcionar com menor intensidade.
Segundo os técnicos, os eletrodomésticos já estão adaptados para suportar variações de tensão. Com a redução, em tese o nível de tensão 220 V cai para até 189 V e o 110 V para 109 V. Os técnicos explicaram que, no entanto, isso não vai ocorrer porque, na prática, os níveis de tensão já são maiores do que 220 V e 110 V.
A medida afeta mais consumidores residenciais do que industriais porque, de acordo com técnicos do governo, as casas têm mais aparelhos com resistência elétrica. A indústria terá que ser avisada pela distribuidora da redução de tensão com até uma semana de antecedência.
Consumo A redução do nível de energia ainda não chegou à meta de 20%. Os dados dos primeiros 25 dias de junho mostram redução de 19,3% na região Nordeste e de 18,8% no Sudeste e Centro-Oeste.
Tarifa aumentará em 12 cidades
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A conta de luz ficará mais cara para 116 mil consumidores de 11 municípios gaúchos e de uma cidade mineira. Os aumentos variam de 15,02% a 16,29% e valem a partir de amanhã para o município de Poços de Caldas (MG) e de sexta-feira para as demais cidades. Os reajustes autorizados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) são os seguintes: Departamento Municipal de Poços de Caldas (MG) 15,30%, Departamento Municipal de Energia de Ijuí (RS) 15,30%, Muxfeldt, Marin & Cia (RS) 16,29%, Centrais Elétricas de Carazinho S.A. (RS) 16,18% e Hidroelétrica Panambi S.A. – Hidropan (RS) 15,02%.
Adesão a racionamento lembra época de guerraGUILHERME BARROS EDITOR DO PAINEL S.A.
O programa do governo de corte do uso de energia elétrica recebeu a adesão de 95% da população, segundo pesquisa trimestral da CNI/Ibope a ser divulgada hoje. A pesquisa foi feita durante 10 dias até 20 de junho com 2.000 pessoas de nível universitário e idade a partir de 16 anos.
De acordo com o relatório de Ney Figueiredo, autor da pesquisa, só na época da Segunda Guerra Mundial se viu no país uma adesão tão maciça da sociedade a um programa do governo sem caráter compulsório.
A pergunta da pesquisa foi a seguinte: "Você está tomando alguma medida na sua vida pessoal para cortar o uso de energia?" . Responderam afirmativamente 95% dos entrevistados. Apesar dessa adesão maciça, a sociedade considera o governo o grande culpado pela crise. Do total de entrevistados, 53% atribuem aos governos atual e anteriores a culpa pela crise. Só uma parcela pequena responsabiliza a falta de chuvas.
A pesquisa da CNI/Ibope confirma a queda acentuada de popularidade do governo Fernando Henrique apontada na pesquisa divulgada ontem pela CNT/Sensus. A crise de energia teve grande influência sobre essa queda de popularidade de FHC.
A pesquisa da CNI/Ibope incluiu também, pela primeira vez, uma lista com todos os nomes de prováveis candidatos à sucessão presidencial, já prevendo a hipótese de prévias eleitorais defendida por Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL.
Entre os candidatos, a pesquisa incluiu os nomes do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), e do próprio Bornhausen. O nome de Lula (PT) continua na frente na corrida presidencial.
Consumidor vai cessar economia, diz pesquisa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pesquisa de opinião da CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgada ontem aponta que, de 2.000 entrevistados, 47,7% acham que a população vai desistir de economizar energia em dois ou três meses ou economizará até o final do ano. Na avaliação da CNT, isso indica que o governo tem um tempo "muito curto" para mostrar resultados.
Cerca da metade dos entrevistados, no entanto, se diz "otimista" quanto ao racionamento. Acreditam que vão conseguir cumprir a meta de economia estabelecida 42,1% dos entrevistados. Outros 46,3% disseram acreditar que a população vai economizar "o tempo que for necessário". A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 21 de junho em 24 Estados. A margem de erro é 3%. Apesar de detectar queda na popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso de 22,1% para 17,7%, a pesquisa aponta que a maioria dos entrevistados (68,4%) considera que o governo tem capacidade de superar a crise de energia.
Notícias da Folhs de São Paulo 27/6