A segunda prestação Como temos dito aqui, a sociedade brasileira, empresários incluídos, ainda não se deu conta do imenso prejuízo advindo da política que culminou no racionamento. Alguns …

A segunda prestação


Como temos dito aqui, a sociedade brasileira, empresários incluídos, ainda não se deu conta do imenso prejuízo advindo da política que culminou no racionamento. Alguns analistas ousaram desdenhar que, afinal de contas, o colapso energético não tinha provocado grandes perdas para a economia brasileira. Outros chegam a se orgulhar de um efeito "eficiência" no consumo.


Infelizmente esqueceram da segunda prestação. Quem tiver paciência de olhar os dados de consumo brasileiro no período 95-2000, e fizer uma projeção tendencial até o final do racionamento, constatará que o país deixou de consumir quase 70 TWh. Se multiplicados por uma tarifa média, verá que aproximadamente R$ 10 bilhões sumiram do caixa das empresas em apenas 1 ano. Ora, para um setor capital intensivo, que exige longos prazos de maturação, com investimentos irreversíveis, tal frustração de receita é uma facada no peito. Não adianta, privatizar, rotular as usinas de produtores independentes, mudar o modelo e estufar o peito dizendo que "o estado não tem mais essas despesas". A conta está ai! Mais uma vez o único banco de fomento de um país carente de crédito, se verá obrigado a socorrer empresas cujo capital são oriundos das maiores potências mundiais. O mais grave é que esses empréstimos não estão dando suporte a nenhum kWh novo!! Trata-se da segunda prestração das barbeiragens do governo FHC!


Estado de S. Paulo 30/01/03


Energia está ‘pior do que se pensava’, diz Pinguelli


Para presidente da Eletrobrás, participação do BNDES é crucial na reestruturação do setor

NICOLA PAMPLONA


RIO – Três semanas depois de assumir o cargo, o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, disse ontem que as empresas do setor elétrico estão "muito piores do que se imaginava". Segundo ele, as empresas assumiram um risco muito grande ao chegar no Brasil acreditando em resultados expressivos e agora, depois da queda do consumo, enfrentam sérias dificuldades financeiras.


Por isso, Pinguelli aproveitou uma visita de cortesia ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, ex-colega de universidade, para discutir a situação do setor. O BNDES é credor de empresas elétricas privatizadas e, como tal, em sua opinião, também deve se preocupar com a crise financeira. Ele não quis adiantar, porém, se a solução para o setor passará por um socorro financeiro do banco às empresas.


Nos próximos dias, Pinguelli vai encontrar-se, em Paris, com o presidente da estatal francesa EDF, François Roussely. A EDF controla a distribuidora Light, que abastece parte do Estado do Rio, e enfrenta sérias dificuldades.


No ano passado, a multinacional chegou a fazer um aporte de US$ 1 bilhão na controlada brasileira. Pinguelli viaja à França para participar de uma conferência e já agendou a visita a Roussely.


Para o executivo, a participação do BNDES é fundamental na reestruturação do setor. "Não adianta querer decolar um avião se uma das asas não está funcionando", disse, referindo-se à participação que o banco tem como credor das empresas. "Eu me preocupo com os problemas das estatais e o BNDES tem de se preocupar com o problema das privadas", completou.

Anteontem, por exemplo, o banco aceitou um pedido de rescalonamento de uma dívida de US$ 336 milhões da Transgás, subsidiária da americana AES. A dívida foi obtida para compra de ações da distribuidora Eletropaulo e adiada por "falta temporária de recursos", segundo a empresa.


Sugestões – "As empresas que vieram para o País foram vítimas de um modelo que não funcionou, de expectativas não realizadas, da queda do consumo, de contratos mal formulados, da inadimplência dos consumidores de baixa renda e de má gestão estimulada pela idéia de que o dólar se manteria estável", enumerou Pinguelli. A estatal criou um grupo de estudo formado por executivos das estatais e especialistas para apresentar ao Ministério de Minas e Energia sugestões para a recuperação do setor.


Na Eletrobrás, disse o executivo, o primeiro passo será sanear as finanças das empresas controladas ou federalizadas. Segundo ele, algumas geradoras, como a Eletronuclear e a Chesf, estão vendendo energia por valores abaixo do preço de custo e têm de ter as tarifas reajustadas. Há outros casos problemáticos, como o da distribuidora Cemar, do Maranhão, que está em estado pré-falimentar, colocando em risco o abastecimento do Estado e prejudicando as relações comerciais com as subsidiárias da Eletrobrás.


Valor 30/01/03


Eletrobrás e BNDES discutem reformulação do setor elétrico

Cláudia Schüffner
, Do Rio


O governo está formando uma força-tarefa para discutir fórmulas para equacionar os problemas do setor elétrico. Os presidentes da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa, e do BNDES, Carlos Lessa, se encontraram duas vezes esta semana. No fim da tarde de ontem ambos se reuniram em Brasília com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Depois do encontro, que se estendeu até o começo da noite, Lessa confirmou a constituição da força-tarefa.


Questionado sobre a possilibilidade de a participação de o BNDES nas discussões resultar em socorro para empresas em dificuldades, como a fluminense Light (controlada pela EDF) e a paulista Eletropaulo (controlada pela AES), Pinguelli disse que não se trata disso. "A gente está fazendo uma reformulação do setor elétrico, o que exige resolução de problemas concretos como os da AES, da Light, das empresas federalizadas e da companhia do Maranhão", disse, referindo-se à Cemar, que está sob intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


Segundo Pinguelli, a participação do BNDES nas discussões sobre o setor se deve ao fato de o banco ter "relações de crédito e dívida com empresas privatizadas". Em seguida, ele comparou o setor com um avião, que não pode decolar se uma asa (no caso o BNDES, que tem créditos a receber de empresas privatizadas) ficar no chão.


"Achamos que é necessário começar a discutir, pensar junto. O que não quer dizer que o BNDES vai fazer isso ou aquilo. Ele tem sua lógica de decisão própria, porque é um banco. Eu tenho a minha lógica de decisão própria, acionistas minoritários, e preciso botar as tarifas corretas para as empresas, nossas controladas, não darem prejuízo. Já a ministra (Dilma Rousseff) tem que ver isso tudo em conjunto para que seja justa a política elétrica brasileira", explicou.


O presidente da Eletrobrás se disse preocupado por ter certeza de que os rumos da Eletrobrás dependem da busca conjunta de uma solução para empresas privadas. Segundo ele, o objetivo do governo é trabalhar para evitar a reestatização de empresas em dificuldades. "Nós acreditamos ser possível evitar isso (a reestatização). Essas questões todas têm que ser tratadas de forma homogênea. Daí a necessidade de um novo modelo", disse. Pinguelli afirmou que o objetivo do novo governo é de que, em um período curto – maior que um mês e menor que um ano – o setor elétrico esteja em plena recuperação "para realizar investimentos além do mínimo necessário que já está sendo feito".


Em sua avaliação, o novo governo encontrou o setor em uma situação pior do que a esperada. Ele enumerou os problemas de algumas controladas como a Eletronuclear, que precisa trocar o gerador de vapor de Angra I; e a Eletronorte, que vende energia subsidiada para eletrointensivos cujos contratos começarão a vencer logo.


Ele disse não acreditar que grupos como a EDF e a AES estejam saindo do país e fez um diagnóstico dos problemas das distribuidoras, sem poupar o antigo governo e nem os controladores.


"Elas são vítimas do modelo equivocado que se adotou no Brasil", disse. Em seguida citou outras difulculdades como as expectativas que não se realizaram, queda do mercado de energia elétrica após o racionamento, usinas que foram instaladas e não encontraram mercado, problemas com a população de baixa renda, entre outros.


Sobre a propalada usina gigante de Belo Monte, no Amazonas, Pinguelli acenou com um grupo de estudos, adiantando que uma das possibilidades para concretização do projeto é construir uma hidrelétrica com potência menor que os 11.000 Mw programados. Segundo ele a obra, orçada em US$ 6 bilhões, terá que ser feita em parceria estatal com o setor privado. O projeto envolve sérias questões ambientais.





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