Absurdos do MAE O caso das dívidas bilionárias das geradoras no MAE é uma evidência inconteste da realidade virtual desse modelo. Nesse mundo de Alice, as empresas que geram terminam como "compradoras de …

Absurdos do MAE


O caso das dívidas bilionárias das geradoras no MAE é uma evidência inconteste da realidade virtual desse modelo. Nesse mundo de Alice, as empresas que geram terminam como "compradoras de energia". Logo elas que não consomem! Fora esse absurdo, a tentativa de liquidação em fim de festa transferirá uma montanha de recursos das estatais para as distribuidoras, inviabilizando qualquer possibilidade do próximo governo fazer política energética. Ao mesmo tempo, arma-se um aumento de tarifa para o próximo ano que vai significar um tiro de misericórdia no já fragilizado mercado de energia elétrica. Os equívocos vão desde o modelo de expansão até a escolha de índices de correção influenciados por preços no atacado não estão sendo integralmente repassados. Senhores CEO’s de empresas concessionárias, não se iludam. A partir da experiência do racionamento, a sociedade já percebeu que pode viver (desconfortávelmente) com muito menos energia elétrica. À esse aumento os consumidores poderão responder com uma maior retração deixando seus investimentos a ver navios. Não há mais espaços para os aumentos pretendidos



Operador Nacional descarta risco de desabastecimento de energia no país (Globo 23/10)

Mônica Tavares


BRASÍLIA. Apesar da seca em pleno mês de outubro, o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, afirma que não existe risco de desabastecimento de energia no país. Segundo ele, os reservatórios das usinas hidrelétricas estão com bom nível de armazenamento. No Sudeste e Centro-Oeste, o nível está em 47,5%, cerca de 25 pontos percentuais acima do registrado no ano passado. O nível das barragens no Nordeste está em 27,5%, ou seja, 20% acima do mínimo fixado.


– Embora possa haver risco de abastecimento de água, os grandes reservatórios estão com nível 20% acima do estipulado – disse ele.


O aumento da temperatura em dez graus, do início do mês até agora, fez com que o consumo de energia subisse significativamente. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, foram consumidos 1.200 megawatts (MW) médios a mais no período. O consumo nas duas regiões este mês foi 1,85% menor do que o previsto pelo governo, que já estimava uma redução de 7% na demanda por causa dos hábitos adquiridos durante o racionamento. No Nordeste, o consumo está 3,29% abaixo do previsto.


Vazão do Nordeste está em 72% este mês


Mas, segundo o ONS, o aumento no consumo não é um problema, pois, este mês, a afluência (água que chega aos reservatórios) no Sudeste e Centro-Oeste está em 69% da média histórica. Porém, de janeiro até ontem, a afluência chegou a 93%. No Nordeste, a vazão este mês está em 72%.


Para o presidente do ONS, se chover acima de 65% da média histórica em 2003 e se forem agregados ao sistema de energia os 5.000MW a mais previstos, não haverá problemas de abastecimento de energia também no ano que vem.


O presidente do ONS lembrou ainda que, este ano, já foram adicionados ao sistema de energia nacional mais 5.000MW de geração.


– O mês de novembro é tradicionalmente de transição, e os reservatórios ficam com seu nível equilibrado ou têm pequenas variações – explicou o presidente do ONS.


Mário Santos disse que o Rio Paraíba do Sul, um dos mais importantes para o abastecimento de água da Região Sudeste, é considerado secundário no que diz respeito à energia. Segundo ele, este rio é responsável por apenas 1,4% da capacidade de armazenamento da região.


Dívidas de geradoras podem subir até 20%


As dívidas das geradoras de energia estatais, com operações de compra e venda no Mercado Atacadista de Energia (MAE) entre setembro de 2000 e outubro deste ano, deverão aumentar entre 15% e 20%. Estimativas extra-oficiais indicam que a dívida total das geradoras com empresas de distribuição, de comercialização de energia e geradoras privadas, atualmente em cerca de R$ 1,5 bilhão, deve subir para R$ 1,8 bilhão, por causa da correção pelo IGP-M, como foi determinado pela Aneel.


Sem o reajuste, o valor da dívida da Eletronorte, por exemplo, é de cerca de R$ 400 milhões, e o da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) chega próximo a R$ 1 bilhão. No encontro de contas entre as empresas do setor, Furnas teria recursos a receber, principalmente devido à energia gerada pela usina nuclear de Angra II.


A liquidação das operações no MAE está prevista para o dia 22 de novembro, e somente após este acerto de contas o mercado terá condições de funcionar plenamente.


Os técnicos das geradoras não descartam a possibilidade de recorrer à Justiça caso a Aneel não reveja a cláusula de reajustes pelo IGP-M.



Secretária prevê reajuste de 30% em tarifas (Estado de São Paulo 23/10)


Dilma Roussef, do RS, critica sistemática atual des aumentos da energia, que induz à dolarização

EUGÊNIO MELLONI


A secretária de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, Dilma Roussef, disse ontem que os consumidores industriais de energia deverão ter as suas tarifas de energia aumentadas em até 30%, nas áreas das empresas que deverão ter o aniversário de seus reajustes nos próximos meses, por causa de equívocos existentes na sistemática atual de aumento dos preços do setor elétrico, que induzem a uma dolarização.


Para a secretaria da administração petista do Rio Grande do Sul, trata-se de uma distorção que precisa ser sanada. "Não deveríamos ter essa dolarização porque se trata de um produto que é gerado internamente e consumido dentro do próprio país", disse Dilma, uma das representantes do PT no workshop "A Energia e a Sociedade", realizado em São Paulo pelo Sindicato dos Engenheiros (Seesp).


Como falha da sistemática, ela lembrou que os reajustes a serem definidos para as próximas empresas a terem o "aniversário" de seus reajustes feitos uma vez por ano deverão levar em consideração o dólar no pico, e não um valor médio.


"A sistemática induz à dolarização das tarifas", disse Dilma. "Isso não está previsto por lei e provoca um efeito negativo no setor, criando um elevado fator de transmissão da inflação", disse. "A própria adoção do IGP-M para a correção dos preços da energia exibe um viés de dolarização."


"Se tivéssemos uma predominância da energia térmica a gás natural, como queria esse governo, esse custo em dólar seria maior", acrescentou.


Questionada sobre o que seria necessário para mudar essa situação, Dilma disse que ainda não sabe. Ela é considerada potencial candidata a cargos na área de energia em eventual governo Lula.


Durante o workshop, o ex-secretário de Energia Peter Greiner, um dos responsáveis pelo plano de reestruturação do setor elétrico que resultou na elaboração do modelo parcialmente implantado nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique, e o físico Luiz Pinguelli Rosa, um dos principais críticos do modelo, fizeram um debate acalorado.


Greiner, representante da candidatura de José Serra (PSDB) no evento, disse que o modelo que ajudou a conceber não foi executado pelo governo. O modelo, realizado por um grupo de técnicos comandados pela consultoria Coopers & Lybrand, desenhou a estrutura necessária para comportar a entrada do capital privado no setor a partir da segunda metade da década passada. O novo modelo previa a desverticalização do setor, a privatização de distribuidoras e geradoras, a criação do Operador Nacional do Sistema (ONS) e do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE).


Para Pinguelli Rosa, representante da candidatura petista, o modelo "foi inoperante, é maluco, desestruturou todo o setor". Rosa acrescentou que o modelo foi cópia do modelo inglês. "Foi essa mentalidade de copiar tudo o que é inglês, que é americano", disse. O tom irônico das afirmações de Pinguelli Rosa incomodou Greiner, que se queixou das "brincadeiras".





Estatal quer adiar reajuste da luz


Pedido veio do governo gaúcho


Clarissa Lima


Da sucursal de Brasília


BRASÍLIA – Preocupado com o impacto das tarifas de energia na inflação, o governo reuniu-se ontem às pressas para decidir possíveis mudanças nas regras do reajuste anual das distribuidoras. A alta do dólar e dos juros devem pressionar 10% o tamanho do reajuste anual previsto.


As tarifas públicas são responsáveis por cerca de 37% do índice de inflação. A alta do dólar também obrigou o governo do Rio Grande do Sul a uma decisão inédita. O Estado pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica um adiamento do reajuste da distribuidora estatal CEEE, de sexta-feira próxima para abril, quando está previsto o aumento das outras duas distribuidoras do Estado. A mudança de data, segundo o governo gaúcho, poderia reduzir o percentual de reajuste.


– Ou o governo posterga o reajuste ou muda o cálculo. Se tivermos mais tempo, a pressão do dólar para a tarifa será menor – afirma a secretária de Energia do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff.


Parte da energia consumida no Sul, Sudeste e Centro-Oeste vem da usina binacional de Itaipu, cujos Megawatts são vendidos em dólares para as distribuidoras.


A reunião do governo federal foi convocada às vésperas da data de publicação do índice de reajuste de duas distribuidoras paulistas – Bandeirantes e Piratininga. As empresas reivindicaram aumentos de 23,49% e 21,9%, respectivamente. Se aprovados, estes serão os maiores autorizados, este ano, pela Aneel.


Estavam na reunião ontem os ministros de Minas e Energia, Francisco Gomide, da Casa Civil, Pedro Parente, representantes da Aneel e da Eletrobrás. Uma das propostas é antecipar para este ano o novo preço da energia de Itaipu, que foi reduzido em 15,4%. A manobra poderia compensar a alta do dólar e reduzir o impacto na conta de luz. Light e Cerj também têm aumentos previstos para este ano.


Até a noite de ontem, o governo gaúcho não tinha recebido resposta da Aneel. A agência também não havia divulgado o percentual de reajuste da Bandeirante e Piratininga, que será publicado hoje em edição extra do Diário Oficial da União.


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