Furto de energia. Papel do estado?

Comentário: Com esse aumento praticamente se elimina a redução tarifária decorrente da medida provisória 579 de setembro de 2012. Isso mostra a pouca utilidade da intervenção que, para essa pífia performance, causa o declínio da Eletrobrás e suas controladas.

“A perda não-técnica ou roubo de energia elétrica passa a ser um problema de política pública” – disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino.

Vinda de um diretor da agência reguladora, a declaração mostra uma sutil inversão de responsabilidades.

 

1.      A falta de urbanização decente é um problema de política pública, o furto de energia, especificamente, não!

2.      O combate ao roubo envolve conhecimento específico da distribuidora, pois, afinal, os cabos são equipamentos da concessionária.

3.      Uma vez que a energia comprada pela concessionária inclui a roubada, as perdas comerciais da distribuidora não são totais. Portanto, contando com a compreensão da agência, a empresa pode relaxar nesse combate.

4.      Se a moda pega, qualquer entrega de mercadoria assaltada iria causar aumento automático de preço.

5.      Com tanto roubo, surpreendentemente, a Light apresenta lucro líquido crescente.

 

O Brasil tem perdas médias da ordem de 15%, bem acima das verificadas nos países desenvolvidos. Um esforço para reduzir essas perdas traria uma redução tarifária consistente e permanente. A foto acima mostra uma situação comum nos postes brasileiros. Não é exatamente o que se poderia chamar uma instalação “eficiente”.

 



 

Conta de luz da Light terá aumento de 4,7% para lares a partir de quinta-feira

Média do reajuste é de 3,65%; para indústria queda é de 1,01%

 

Mônica Tavares

Publicado:5/11/13 – 11h32

 

BRASÍLIA – A partir desta quinta-feira, dia 7, a conta de energia no Rio dos consumidores da Light vai ficar em média 3,65% mais cara. Para as residências, que representam mais de 90% do clientes da empresa, o aumento será de 4,68%. Na média, o aumento para os consumidores de baixa tensão (como os lares e comércios), o aumento será de 6,2%. Mas para a indústria ela deverá cair 1,01%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira a Terceira Revisão Tarifária da distribuidora.

 

A revisão tarifária está prevista na cláusula 7 do contrato de concessão assinado pela empresa, e segundo a Aneel, tem por objetivo obter o equilíbrio das tarifas com a base na remuneração dos investimentos das empresas, repassando para os consumidores os ganhos das empresas.

 

Em agosto deste ano, quando publicou a proposta de revisão tarifária, a Aneel previa uma redução média das tarifas da Light de 3,3%. Para as residências também haveria uma queda da conta de luz de 3,28%; e das indústrias seria ainda maior, de 6,70%.

 

Uma nova metodologia para cálculo das perdas não técnicas (roubo de energia) , principalmente por causa das áreas pacificadas onde ela mais acontece, específica para a Light, foi uma das principais razões para a mudança do cálculo levando ao aumento das tarifas. A Aneel reconheceu que a empresa tem perdas entre 40% e 41% por causa de roubo de energia. A proposta do relator da matéria, diretor Edvaldo Santana, é de que a empresa apresente uma proposta em 180 dias de reajuste somente para os consumidores destas áreas.

 

– Em algumas áreas, a perda não-técnica é um problema que não pode ser resolvido somente pela concessionária, precisa haver uma conscientização da sociedade e um esforço do estado. Vai muito além da questão tarifária. A perda não-técnica ou roubo de energia elétrica passa a ser um problema de política pública – disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino.

 

O diretor-geral destacou também o peso dos tributos na tarifa, principalmente do ICMS, e disse que eles representam um terço no preço final da tarifa, o que ele considera “longe do razoável”.

 

O relator disse ainda que também levou ao aumento das contas a compra da energia da distribuidora, que aumentou 8,89%. O custo médio da compra de energia da Light está em R$ 122,82 o MW/h (megawatt/hora).

 

Em novembro de 2012, a tarifa de energia da Light aumentou em média 12,27%. O reajuste para as residências foi de 11,85% e o da indústria de 13,20%.

 

O Fator X definido pela Aneel foi de 1,22%. Na revisão de cada distribuidora é definido o Fator X, redutor usado para repassar para os usuários os ganhos das empresas. O Fator X é subtraído do IGP-M, um dos índices que reajustam a tarifa de energia anualmente.

 

A primeira revisão tarifária da Light foi realizada em 2003, quando houve uma redução de tarifas das contas das residências de 2,14% e da indústria entre 10,01% a 5,85%, dependendo da tensão da rede. Na segunda revisão, em 2008, as tarifas dos clientes residenciais caíram 3,29%, e das indústrias entre 7,40% e 4,44%

 

Em janeiro deste ano, quando o governo reduziu as tarifas de todas as distribuidoras do país, a queda da conta de luz dos consumidores da distribuidora foi de 18,10%, enquanto a dos clientes da Ampla ficou em 18%.

 

O presidente da Light, Paulo Roberto Pinto, que participou da reunião de diretoria da Aneel, falou das preocupações da distribuidora com as perdas não-técnicas por causa dos “gatos” e das áreas com problemas de segurança no Rio. Também disse que nos próximos dois anos a concessionária terá que fazer investimentos por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

 

– A Light vai reduzir as perdas técnicas. Já há um compromisso dos acionistas de investir R$ 1,250 bilhão nos próximos cinco anos. Pode confiar, vamos reduzir as perdas no próximo ciclo (cinco anos) – garantiu ele.

 

A Light presta serviço para 4 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios da região metropolitana do Rio, incluindo a capital. Ela atende quase 7% do mercado de consumo total de energia do Brasil.

 

Light tem lucro líquido 24% maior em 2012

 

Companhia beneficiou-se de um aumento de 5,2% no consumo total de energia no ano e lucrou R$ 424 milhões

 

Publicado:26/03/13 – 9h48

 

RIO – A Light registrou, em 2012, um lucro líquido de R$ 423,9 milhões, informou a empresa, o que representa crescimento de 24% sobre o registrado em 2011 (R$ 342 milhões). No quarto trimestre, o resultado foi de R$ 160 milhões, frente aos R$ 131,9 milhões alcançados no mesmo período do ano anterior, ou seja, aumentou 21,3%. Segundo a companhia, os resultados devem-se à conquista de um melhor desempenho operacional no ano passado. A companhia se beneficiou de um aumento anual de 5,2% no consumo total de energia, para 5.965 GWh, influenciado pelas temperaturas mais altas e pelo aumento do consumo no segmento comercial, que cresceu 13,5%.

 

A receita líquida da empresa para o ano de 2012 inteiro, desconsiderando a receita de construção, foi de R$ 6.943,8 milhões, número 12,9% superior ao de 2011, de R$ 6.150,1 milhões. No quarto trimestre, a receita líquida chegou a R$ 1.963,6 milhões, 24,5% acima da registrada nos últimos três meses de 2011.

 

No ano, o Ebitda (lucro antes de impostos, depreciações e amortização, em inglês) da Light foi de R$ 1.456,2 milhões, 17,7% mais que em 2011, influenciado pela maior receita líquida do ano. No trimestre, o resultado foi de R$ 483,9 milhões, 49,5% superior ao do mesmo período de 2011, com a margem subindo de 20,5% para 24,6%.

 

A dívida bruta da empresa, em 31 de dezembro, era de R$ 4.666,0 milhões. Em relação a dezembro de 2011, o número cresceu em 12,1% em função de investimentos e aquisições de participações em outras empresas.

 

A companhia informou ainda que, em todo o ano passado, realizou investimentos de R$ 797 milhões de reais, queda de 14,2% ante o total desembolsado em 2011.

 

 

 

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