É assim a privatização "à brasileira": Agora, tardiamente, pensam no que vão fazer com a imensa margem de lucro das empresas distribuidoras. Observe-se que não se trata de re …



É assim a privatização "à brasileira": Agora, tardiamente, pensam no que vão fazer com a imensa margem de lucro das empresas distribuidoras. Observe-se que não se trata de reduzir os preços para o consumidor. Trata-se de uma rearrumação atabalhoada de se arranjar espaço para os "investidores da transmissão" que com certeza não topam os preços sinalizados. É o que dá separar geração de transmissão…



Jornal do Commercio 11/1/99


Carta na Manga


O Governo federal decidiu acelerar a privatização da transmissão de energia. Para aumentar a margem da transmissão sem pressionar o consumidor final, o trunfo é o Fator X, redutor previsto nos contratos com as distribuidoras. Nos primeiros anos pós-privatização, as distribuidoras estaduais teriam repasses automáticos de todas as suas elevações de custo. A partir de um certo prazo, vairável a cada concessão, a agência reguladora do setor, Aneel, ao conceder os aumentos, leva em conta um redutor progressivo, o Fator X, variável conforme as característica de cada empresa.


Essa fórmula com sonoridade de história em quadrinhos ou banda punk ameniza um pouco o dilema do Governo: como tornar atraente a venda da transmissão, acelerando a entrada de recursos externos num ano em que a privatição é peça-chave para o equilíbrio das contas públicas, sem pressionar os preços ao consumidor? O desafio para a equipe da Eletrobrás, presidida por Firmino Sampaio, não é pequeno: hoje, a margem líquida da transmissão oscila entre US$ 5 e US$ 8, enquanto sua necessidade de investimento para manutenção e ampliação das linhas de alta tensão, estações reguladoras e assim por diante ascenderia a US$ 20 por MW/hora vendido às companhias.

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