Atenção povo brasileiro! Antes de mergulharem na escuridão, podem ir entregando mais algum na mão do nosso ministro da fazenda. Ele vai cuidar direitinho desse dinheiro, pois vocês, no escuro, podem perder essa grana . Deixa que ele toma conta!
Sobretaxa de luz chega a 200%
Superconta atingirá 40% dos brasileiros. Governo poupa indústria de cortes e pune comércio
GABRIELA LEAL, SÔNIA CARNEIRO E FERNANDO THOMPSON *
BRASÍLIA – Quem gastar acima de 200 quilowatt/hora (kWh) por mês vai pagar uma pesada tarifa de ultrapassagem. Por outro lado, quem voluntariamente reduzir os gastos com energia vai ganhar um bônus na conta de luz. Estas são duas das principais medidas do Plano de Racionamento que o presidente Fernando Henrique Cardoso anuncia hoje às 10h. O programa começa a vigorar no próximo dia 1° e vale paras as Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Ontem, a reunião do comitê executivo da Câmara entrou noite adentro, definindo os últimos – e mais importantes – detalhes.
Segundo um técnico que acompanhou os trabalhos de perto, o governo trabalhou com dois valores para estabelecer a média nacional, que definiu a cota máxima para as residências. A decisão final foi do presidente Fernando Henrique Cardoso, que recebeu um relatório do ministro Pedro Parente, coordenador da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), e do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, um dos autores do projeto alternativo ao apagão.
Risco – O dilema de Pedro Parente era o seguinte: com a média em 200 kWh, a cota representaria o consumo médio de 60% dos usuários residenciais brasileiros. Se esse valor subisse para 250 kWh, a faixa da população que ficaria livre da tarifa de ultrapassagem chegaria a 68%. O problema é que quanto maior a cota, maior o consumo de energia e maior o risco de apagão. ”Temos que alcançar 20% de economia global nas três regiões. Se isso não acontecer, teremos que partir para o apagão”, diz o técnico.
Quem insistir em gastar acima da cota vai pagar caro. A tarifa de ultrapassagem será fixada a partir dos preços praticados no mercado livre, administrado pelo Mercado Atacadista de Energia (MAE). Neste mês, o megawatt (mil quilowatts) está sendo negociado a R$ 460. Segundo analistas, essa cotação pode chegar a R$ 684 nos próximos dois meses, devido à escassez de energia no país. Atualmente, o consumidor residencial paga R$ 90 pelo mW que consome, que é o preço cobrado pelas distribuidoras.
Escalas – Foram criadas três faixas de consumidores. Quem gastar até 200 kWh ficará isento da tarifa extra. Quem consumir entre 201 e 500 Kwh vai pagar 50% a mais sobre o consumo excedente. E para os que gastarem acima de 501 kWh a tarifa pula para 200%. Por outro lado, o governo vai dar um bônus para quem diminuir o consumo de luz, em relação à média de três meses, comparada com o mesmo período do ano passado.
A GCE também deve anunciar um alívio no corte de energia para as indústrias. Em compensação, os demais consumidores terão que economizar mais. Ontem, a principal proposta que estava sobre a mesa previa que os consumidores residenciais terão que cortar seus gastos em 22%. Pelo plano anterior, a economia teria que ser de 21%. O comércio vai sofrer mais ainda. A economia do setor subiu de 20% para 25%.
Os empresários da indústrias choraram e conseguiram reduzir os cortes de energia do setor. A economia da indústria caiu de 18% para 15%. O setor público será o mais penalizado. A economia exigida pula dos 25% para 35%. Não haverá mais cota livre do racionamento para indústria, que era de 500 kWh por mês, e para o comércio, que seria de 300 por kWh/mês.
Mas os técnicos alertam: cortes de fornecimento das residências poderão ser feitos aleatoriamente, em razão das dificuldades técnicas de se operacionalizar o sistema de cotas. No caso dos grandes consumidores, cerca de 600 que gastam metade de toda a energia do país, o corte é mais fácil de ser praticado, explicou um técnico envolvido na elaboração do plano.
Inflação – A tarifa de ultrapassagem que o governo vai cobrar dos consumidores de classe média vai ter impacto residual no cálculo da inflação. Essa foi uma das principais razões pelas quais o governo optou em fixar a média nacional de consumo em 200 kWh/mês o limite a partir do qual a tarifa de ultrapassagem será cobrada. Manter a inflação sob controle é um dos principais trunfos políticos do presidente Fernando Henrique Cardoso, que optou por um limite de consumo que gerou controvérsias dentro da própria equipe econômica. Há dúvidas sobre se a cota é suficiente para alcançar a redução programada de 20%.
A escolha desse limite tem uma boa razão. É que os principais índices de inflação do país – o IPC, da Fipe e o IPCA, da Fundação Getúlio Vargas – não consideram os gastos com energia elétrica na composição do índice a partir de famílias que consomem abaixo de 244 kWh/mês. A energia elétrica tem impacto no Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), de 3,3%. O governo não considera, na formação do IPCA, gastos com energia elétrica inferiores a 248 kWh/mês, portanto, o impacto na inflação será muito pequeno. O IPCA é o índice no qual o governo se baseia para alcançar a meta de 4% de inflação acertada com o Fundo Monetário Internacional. (JB18/5)
R$ 3 bi para evitar ‘apagão eleitoral’
Governo anuncia hoje novo programa de investimentos para acelerar ampliação da geração de energia
GABRIELA LEAL, SÔNIA CARNEIRO E VALDEREZ CAETANO
BRASÍLIA – O governo deve anunciar hoje um plano de investimentos superiores a R$ 3 bilhões para o setor elétrico. O objetivo é aumentar a oferta de energia para que a crise não se prolongue até 2002, ano eleitoral. Para viabilizar as obras, o governo está liberando financiamentos do BNDES e estimulando empresas estatais de energia para que também invistam no setor. O ministro de Minas e Energia, José Jorge, será o coordenador do programa.
Entre as obras que vão ser priorizadas para garantir o abastecimento de energia no ano que vem está a ampliação da capacidade de geração de Furnas. Segundo o presidente de estatal, Luiz Carlos Santos, a empresa vai expandir a oferta de energia em 1,83 mil megawatts. A direção da El Paso, que se reuniu ontem com o ministro José Jorge, também informou que vai expandir sua geração em 2000 mW, nos próximos 11 meses.
Furnas- Luiz Carlos Santos informou que o aumento da oferta de energia de Furnas será feito de cinco maneiras. A primeira é pôr a usina térmica de Cuiabá (MT) para funcionar com sua capacidade máxima, que é de 400 mW, mesmo movida a óleo combustível, enquanto o gás da Bolívia não chega. A segunda é modernizar e reativar a usina térmica de São Gonçalo (RJ), que pode gerar 170 mW. A terceira é modernizar e ampliar a capacidade de geração da usina térmica de Santa Cruz (RJ), que poderá gerar 970 mW contra os 500 atuais.
A quarta medida é importar mais 400 mW da Argentina. O governo deste país deverá autorizar a importação brasileira até agosto. A energia será trazida pelo terceiro linhão de Itaipu, caindo na subestação de Tijuco Preto (SP). A última alternativa é a entrada em operação do transformador da subestação de Tijuco Preto, prevista para agosto, e que vai possibilitar a transferência de mais 400 mW de energia da região Sul, onde os reservatórios estão cheios, para o Sudeste.
A El Paso é uma empresa americana que possui quatro usinas termelétricas no Amazonas, com capacidade de geração de 457 mW. Também está construindo uma usina térmica, no Amazonas, com capacidade de gerar 968 mW.
Privatização – O presidente de Furnas disse ontem que os investimentos de Furnas não são incompatíveis com a privatização da empresa”. Para ele, isso ajuda a valorizar as ações no momento da venda. Ele lembrou que Furnas tem alta rentabilidade, gerou lucro recorde em 2000, cerca de R$ 600 milhões, possui capital próprio e capacidade de endividamento.
Luiz Carlos Santos informou que o processo de privatização está em curso e que o calendário será definido pelo BNDES. A idéia é vender toda a geração da empresa, transformando-a em uma empresa poderosa e grande player nacional”.
O aumento da geração de energia no país é importante para aliviar a crise energética com o reduzido volume de água nos reservatórios das usinas das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Enquanto a El Paso está anunciando mais investimentos, a AES e Enron desistiram de aplicar no país. A AES pretendia investir US$ 2,5 bilhões e a Enron, US$ 600 milhões, mas recuaram nas últimas semanas devido às indefinições sobre o preço do gás e por discordarem da política tarifária de energia do governo. (JB 18/5)
RACIONAMENTO
Medidas para reduzir consumo de energia farão Brasil regredir ao "Terceiro Mundo", afirma a entidade
Corte faz a indústria "abortar", diz FiespADRIANA MATTOS DA REPORTAGEM LOCAL
O governo abortou o crescimento da indústria neste ano com as medidas já anunciadas de corte no consumo de energia. E ainda ajudou a "induzir o cancelamento de investimentos industriais no país". A conclusão é da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), entidade que representa setores industriais donos de 14% do PIB brasileiro. "Se a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica concentrar seu trabalho no corte no setor industrial, estará abortando o crescimento do setor mais dinâmico da economia", informou ontem a nota assinada pelo presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva. "Não será fazendo o país regredir aos níveis do Terceiro Mundo que defenderemos os melhores interesses da população." Na quarta-feira o governo anunciou que as indústrias com novos projetos em construção não poderão fazer novos pedidos de fornecimento de energia. Só receberão novas cargas as solicitações de aumento de energia já contratadas.
Quem deve reduzir investimentos são as áreas metalúrgica, química, alimentícia, material de transportes, têxtil e papel e papelão, nessa ordem, segundo informações da Fiesp. Isso porque, para realizar ampliações e elevar produção, esses setores precisam de altas cargas de eletricidade. Atraso O primeiro impacto da medida do governo será o atraso na liberação de novos investimentos, que serão postergados com certeza, dizem empresários ouvidos pela Folha. "A resolução proíbe qualquer investimento novo no país", diz Paulo Ludmer, presidente da Associação dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica. "Não vamos poder nem ter canteiro de obra para construir novas usinas porque qualquer novo investimento foi proibido." A área de embalagens, por exemplo, que utiliza grande quantidade de celulose, já prevê necessidade de renegociar contratos e deve reduzir em 15% a produção em junho. "Nessa história, as empresas médias e pequenas, que precisavam de mais energia para expansão, estão numa roubada", afirma Sérgio Haberfeld, presidente da Abief (a associação do setor). "Grande parte do segmento petroquímico não tem gerador. Então fica impossível crescer com energia própria, sem solicitar mais eletricidade", afirma Guilherme de Moraes, presidente da Abiquim (a associação do setor). O varejo também começa a fazer previsões pessimistas. A Lojas Cem deve cancelar a construção de cinco novos pontos. A previsão era fechar o ano com 115 lojas e esse número deve cair para 110. "Vou ter que colocar um gerador em cada loja? Isso é maluquice. Vamos ter que parar o projeto", diz o superintendente Valdemir Colleone. (Folha 18/5)
BNDES vai financiar compra de geradores pelos hospitais
Banco realizará censo de entidades filantrópicas para avaliar destinação de recursos
CARLOS FRANCO
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está disposto a financiar a compra de geradores por hospitais. A eficiência energética é um dos pontos do programa da instituição que, desde 1997, vem financiando o setor. Só que, quando a carteira de crédito foi criada, a prioridade recaiu sobre a modernização da gestão dos hospitais, um dos grandes gargalos do setor, segundo a diretora de Planejamento e da Área Social, Beatriz Azeredo.
O que não impediu o banco de financiar em R$ 55 milhões as obras de ampliação e aquisição de equipamentos pelo paulistano Incor, além de outros R$ 13 milhões destinados à Santa Casa de Porto Alegre e R$ 10 milhões ao hospital mineiro Mário Pena.
Os recursos dessa carteira, diz Beatriz, encontram-se à disposição dos interessados, desde que os projetos se enquadrem nas condições do banco. A grande novidade, porém, na relação do BNDES com os hospitais, especificamente os filantrópicos integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS), foi revelada ontem por Beatriz: "O banco está investindo R$ 500 mil na contratação da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz, que fará o censo de uma rede de 2.100 hospitais filantrópicos." O prazo de conclusão do censo é setembro.
"Será o primeiro censo desses hospitais e facilitará nossas ações, pois faltavam informações importantes", diz. Beatriz explica que, além do censo, com perguntas sobre número de leitos, equipamentos e relações entre gastos e receitas, será escolhido um grupo de hospitais para uma análise mais detalhada. "Teremos dados completos de uma rede de 26 hospitais com mais de 600 leitos, dez unidades de alta complexidade clínica, consideradas padrão de referência, e outros 66 hospitais representantes do universo dos 2.100 existentes no País."
Desde 1999, o banco vem operando uma linha de crédito, no valor de R$ 300 milhões, destinada ao Programa de Fortalecimento e Modernização das Entidades Filantrópicas de Saúde Integrantes do SUS. Desse total já aprovou financiamentos no valor de R$ 297 milhões, tendo desembolsado R$ 196 milhões. Daí a importância do censo, diz Beatriz, para avaliar os avanços e as condições dessa rede hospitalar, para renovar essa carteira de crédito.
Na maioria dos casos, esses recursos foram repassados pela Caixa Econômica Federal, que assume o risco da operação.
Nessa primeira fase do programa, explica Beatriz, as ações se voltaram para soluções na área de gestão. Mas, agora, se o censo apontar que a necessidade são equipamentos, incluindo aí a eficiência energética, isso será levado em conta pela mulher que dá densidade física ao "S" do BNDES. (Estadão 18/5)
Procura por lanternas e geradores é imensa
Só um produtor está vendendo 35 mil lampiões por dia
MARIANA CISCATO
A RayOvac, que informa deter 60% do mercado de pilhas e 55% do segmento de lanternas, já sente os reflexos do racionamento, que levou os consumidores a uma corrida por equipamentos de energia portátil.
"Verificamos um boom. As encomendas de lanternas aumentaram 50%. As de pilhas devem estar em proporção semelhante", diz o diretor-comercial da RayOvac, Fernando Faria.
Segundo ele, mensalmente a companhia vende de 350 mil a 370 mil lanternas. O preço dos modelos varia de R$ 15 a R$ 60. Já a saída de pilhas é de 60 milhões de unidades a cada mês. Apesar da forte demanda verificada nos últimos dias, a empresa garante que não faltarão produtos no mercado. "Há uns quatro meses a empresa já percebia uma tendência deste apagão. Então, reorganizamos a produção e investimos em geradores", destaca Faria, que descarta demissões. "Não vamos demitir. Mas claro que admitir também não é o caso", comenta.
Também o mercado de lampiões, cuja demanda tradicionalmente se concentra no segmento de camping e pesca, experimenta agora uma explosão no volume de vendas. A Coleman, que estima deter 90% do segmento no Brasil, informa que houve um aumento acima de 100% no consumo de seus produtos. "Estamos vendendo 35 mil unidades diariamente. Vendemos em três dias o que vendíamos em um trimestre", declara o gerente de marketing da empresa no Brasil, Marcelo Togni Correa.
Ele conta que lojas que não vendiam lampiões passaram a procurar a Coleman para adquirir o produto: "Estabelecimentos nos quais a gente tinha de bater na porta e eles diziam ‘não’, agora estão pedindo por favor para comprar".
O estoque de geradores comercializados pela companhia evaporou-se ainda mais rápido do que o de lampiões. "Foi um absurdo. O que nós demorávamos seis meses para vender, saiu tudo nos últimos três dias. Vendemos uns mil geradores", conta Correa. As encomendas de lanternas também não ficam para trás. Segundo ele, foi detectado um aumento de 47% nas vendas de maio em relação ao mesmo mês do ano passado. Em três dias, 120 mil lanternas Coleman foram vendidas.
Na região de Ribeirão Preto, o programa de racionamento fez com que o Grupo Unihold vendesse seis vezes sua capacidade mensal de geradores de energia nos últimos 15 dias. Sem condições de atender a demanda, a empresa está importando geradores de suas outras unidades do grupo no mundo todo. Segundo seu diretor- presidente, Lineu Penteado, a empresa já tem vendidos 3 mil geradores, apesar de sua capacidade mensal de produção ser de 400 unidades. (Estadão 18/5)
(AE)