(Jornal Valor Econômico – 17/05/2005)
O novo Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, está preocupado com o crescimento do consumo de gás natural veicular (GNV) no Brasil. Ele acha que o uso desse combustível não deve ser estimulado, lembrando que o Brasil não tem gás … . O Secretário ressaltou em seguida que o governo prefere um “uso mais nobre” para o gás, como por exemplo pela indústria, de modo a agregar valor à produção de bens nacionais.
O consumo de GNV vem crescendo no país. No mês passado, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado-ABEGAS, registrou um consumo médio diário em março, superior a 40 milhões de metros cúbicos de gás natural no país. Em todo o ano de 2004 o consumo de GNV aumentou 15,93%, ainda segundo a ABEGAS. Em um período mais longo, entre 1998 e 2004, o consumo total de gás natural no país aumentou 29,25%.
O novo Secretário disse que o Governo tem pressa na elaboração da nova Lei do Gás e ainda não tem uma política para o gás natural e nem instrumentos para conter o aumento do consumo de GNV. … Ele estava acompanhado por seu antecessor, Maurício Tolmasquim.
Nosso Comentário : Antes tarde do que nunca !
Finalmente um representante da área energética do Governo se posiciona sobre essa questão. É realmente um grande erro o que vem sendo feito no sentido de incentivar a utilização do gás natural em veículos leves, e em parte, isto se deve a demora do Governo em definir uma política para o setor no país. O único reparo a fazer sobre as declarações do novo Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, reproduzidas na matéria, é sobre o “uso mais nobre” para o gás natural, que deveria ser em primeiro lugar para residências substituindo o GLP e nos transportes coletivos substituindo o óleo diesel, estes sim deveriam contar com os estímulos e incentivos possíveis, o uso industrial, óbviamente, é também importante por contemplar volumes de consumo significativos. O tem sido feito a nível dos Estados para incentivar a utilização do gás natural no transporte individual, substituindo gasolina e alcool, além de ser contraditório com o entendimento geral do que seja uma política correta de transportes, priorizando ações para melhorar e incentivar os transportes de massa e os coletivos, também já começa a eliminar os reconhecidos benefícios no aspecto ambiental, pois o crescimento na utilização dos automóveis prejudica o tráfego, provoca engarrafamentos, provocando o efeito inverso com o aumento da poluição do ar.
É bom lembrar ao Secretário que desde 1986, quando foi editada a Portaria do MME 1061/86, o Governo Federal tenta definir claramente as prioridades para o uso do gás natural, e já naquela época a utilização do gás natural nos veículos leves e também nas termelétricas eram definidas como secundárias.