Balanço revela lucro de R$ 629 milhões, sem provisionamento exigido pela Aneel Furnas registra lucro recorde Cláudia Schüffner, Do Rio Maior geradora de energia do país, Furnas Centrais Elétricas n …

Balanço revela lucro de R$ 629 milhões, sem provisionamento exigido pela Aneel

Furnas registra lucro recorde

Cláudia Schüffner, Do Rio


Maior geradora de energia do país, Furnas Centrais Elétricas não decepcionou o mercado e anunciou ontem um lucro líquido de R$ 629 milhões no ano passado. Trata-se do o maior resultado nos 43 anos da estatal, que o Governo pretende privatizar por meio da venda pulverizada de ações. O balanço foi aprovado ontem pelos conselhos de administração e fiscal, mas ainda precisa ser levado à Assembléia de Acionistas.


Se depender da direção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a estatal terá que provisionar R$ 190 milhões em seu balanço, reduzindo o lucro anunciado. Esse é o valor que, segundo entendimento da Aneel, Furnas deve ao Mercado Atacadista de Energia (MAE), por conta da energia prevista nos contratos iniciais e não entregue devido ao atraso do início da operação de Angra II.


A Aneel já enviou uma notificação à estatal dizendo ser necessário o provisionamento. Na sexta-feira a direção de estatal enviou uma representação com sua defesa prévia, onde afirma que não pode assumir essa dívida, que em seu entendimento é da Eletrobrás, que controla a Eletronuclear. O entendimento da empresa é de que, se provisionar esse valor, estará assumindo o débito junto ao mercado.


O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, evita comentar o assunto, dizendo apenas que está negociando com o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo. Mas acha que o débito é "impagável", lamentando o fracasso do acordo costurado pelo presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, e representantes do MAE. "Sem um acordo, a dívida poderá chegar a R$ 1 bilhão. É um taxímetro rodando", disse o presidente de Furnas.


A geradora é a maior empresa do sistema Eletrobrás, tendo capacidade de gerar 9.080 megawatts de energia. O lucro registrado no ano passado é 80% maior que o de 1999, quando a empresa foi fortemente afetada pela desvalorização cambial, que provocou um impacto negativo de R$ 303 milhões no balanço da geradora, levando-a a um lucro de R$ 334 milhões.


Em 2000, a geração de caixa do Sistema Furnas foi de R$ 1,19 bilhão. A empresa gastou R$ 553 milhões com o pagamento de impostos, taxas e contribuições, e investiu R$ 692 milhões na expansão dos serviços. Parte do resultado se deve a fatores como a redução do número de empregados – que caiu de 9.435 em 1999 para 3.835 em 2000 – assim como o aumento do volume de energia comercializada, que passou de 82.917 gigawatts por hora (GWh) para 137.313 GWh. O analista Marcos Severine, da Sudameris Corretora, lembra ainda que a estatal se beneficiou com o aumento de 17,44% da tarifa de energia no ano passado.


A projeção de Severine para o lucro de Furnas em 2001 é de R$ 700 milhões. Mas o analista ressalta que o resultado vai depender de fatores como a cisão, ou não, dos ativos de geração e de transmissão de energia. Atualmente Furnas é uma empresa de capital fechado. Antes de ela ser privatizada, terá que ser separada da Eletrobrás, tendo depois seus ativos cindidos em geração e transmissão. O modelo, entretanto, ainda não foi definido e a venda, que estava com o ministério e foi transferida para o BNDES.


Controle de Furnas será pulverizado, diz FHC

Brasília, 8 – O presidente Fernando Henrique Cardoso garantiu na entrevista coletiva dada hoje que o governo irá privatizar Furnas seguindo o modelo de pulverização das ações de controle, conforme o já anunciado. Ele disse que, tanto na campanha presidencial de 1994 como na de 1998, afirmara que iria privatizar e que o povo votou a favor de seu programa. "É a regra da democracia", afirmou o presidente, dizendo que "o Congresso já votou a Lei da Privatização e não tem que votar mais nada". Ele considerou natural que "tal e qual deputado e senador" tenham opiniões contrárias, mas afirmou que isso não alterará sua disposição. Ele fez uma referência indireta ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que é contra a privatização de Furnas: "Se o governador tal ou qual é contra, paciência. Ele não é o presidente da República e, aliás, quando foi privatizou". O presidente disse que é democrata e que se o Congresso mudar a Lei para proibir a privatização ele irá respeitar a decisão, mas afirmou que fará a mesma pergunta que fez na discussão sobre a continuidade ou não da CPMF: "Então como se gera energia para o Brasil continuar crescendo?" Fonte: Agência Estado (José Ramos)

Itamar afirma que não vai permitir a venda de Furnas

BH, 9 – O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), desafiou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso ao dizer que não permitirá a privatização de Furnas Centrais Elétricas, cuja principal represa se localiza no Sudoeste do Estado. De manhã, durante a apresentação do Plano de Ação do Governo, Fernando Henrique afirmou que colocará a empresa à venda em 2002. ”Vamos lutar com todas as nossas forças contra o esquartejamento do setor elétrico nacional”, disse Itamar. ”Minas levantará mais uma vez a sua bandeira contra esse esquartejamento”, afirmou. O governador citou o comando da Polícia Militar do Estado ao fazer considerações a respeito da estratégia que pode usar para impedir a privatização de Furnas, contra a qual, ao lado da venda da Companhia Vale do Rio Doce, ele disse ter sido ”totalmente” contrário durante o período em que ocupou a Presidência da República. ”Vocês podem perguntar como nós vamos fazer isso, mas eu não sei. Como diz o meu Gabinete Militar, estratégias a gente não diz, faz”, afirmou. Em 1999, o governador mineiro determinou a realização de manobras da PM na região de Furnas e chegou a cogitar a modificação dos cursos d’água no local, como forma de atrapalhar qualquer projeto de venda da empresa. Itamar defendeu ainda a realização no País de um referendo popular para saber se as pessoas querem ou não que se venda Furnas. Segundo governador, ele está tentando fazer isso em Minas, em relação à Companhia Energética do Estado (Cemig), por meio de um projeto enviado à Assembléia Legislativa que também divide a empresa em distribuição, geração e transmissão. ”Eu acho que a Cemig não deve ser privatizada, mas pode ser que a população entenda diferente, e por isso o referendo”, afirmou. Fonte: Valor Online

MAE: Dívida de Furnas pode afetar privatização

Brasília, 8 – A dívida de Furnas Centrais Elétricas (Furnas) com empresas do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) poderá dificultar o processo privatização da estatal, previsto para ser concluído até o primeiro trimestre de 2002. A opinião é do conselheiro do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) Fernando Quartin, que acredita que, dentro da própria estatal há pressões do corpo técnico para que o pagamento da dívida não seja efetuado e, assim, dificulte a venda. "Há um sentimento no mercado de que pessoas de Furnas dificultam um acordo de pagamento da dívida porque a maioria é contra a venda", afirmou. Segundo ele, o imbróglio envolvendo a dívida poderá trazer repercussões negativas ao processo, como a diminuição do valor da empresa, ou criar um conflito jurídico, pois Furnas ainda não assume o débito de R$ 579 milhões. "Privatizar Furnas com uma dívida em aberto?", questiona. Apesar disso, Quartin acredita que o governo tem todas as condições técnicas para vender a estatal. Além disso, a volta da gestão do processo de privatização do setor elétrico para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é visto com bons olhos pelo mercado. "O BNDES tem mais habilidade técnica para tocar o processo", afirmou. Fonte: Gazeta Mercantil (Camila Matias)



Comentário do ILUMINA


Ora, o governo FHC comanda um país rico! Para que serviria uma empresa que vale US$ 8 bilhões, dá lucro de quase US$ 350 milhões e ainda paga US$ 300 milhões de impostos?


Olha que o governo fez tudo para atrapalhar FURNAS. Inventou um maluco Mercado Atacadista de Energia onde FURNAS se vê obrigada a pagar uma dívida causada pela empresa Eletronuclear.


Tudo isso em um cenário onde as tarifas das distribuidoras só fazem subir com margens recordes no mundo.


A ameaça de racionamento deixou de ser um pessimismo das forças contrárias ao processo de privatização.


Adeclaração do Príncipe é um primor de truculência e falta de vergonha!


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