Carta do diretor Fábio resende à Tereza Curvinel respondendo à sua coluna.
Sou leitor da sua coluna e não posso deixar passar em branco o que você falou sobre o "bug", certamente por má assessoria no assunto.
Compará-lo ao fim do mundo foi ruim. Pelo que sei, nos "fins do mundo" que fracassaram, nada foi feito de concreto a não ser as orações dos que acreditaram nas profecias de Nostradamus e similares. Aliás, faltou alguém associando o "bug" ao Nostradamus, não? Assim surgiu o "bug", pois na hora de armazenar datas, os espaço para registrar o ano era só com dois dígitos. Quatro dígitos pediam um espaço 100 vezes maior! E isso foi feito por muitos anos e poucos atentaram para o fato que 2000 iria virar 00, dando um nó na cabeça de muitos programas.
A não ser nos últimos anos, quando sacou-se o que podia acontecer e alertou-se para o então denominado ""bug" do milênio". E ainda houve reação aos gastos para corrigi-lo. Para enfrentá-lo haveria necessidade de um intenso trabalho de programação, pois apenas trocar equipamentos não seria solução. Quem já trabalhou com computadores geralmente prefere fazer um probrama novo do que mexer num antigo e esse foi um dos "bugs" do "bug". Sua não ocorrência foi fruto do trabalho de muita gente, um trabalho preventivo, planejado, sério, e que acabou sendo desvalorizado pelo sensacionalismo feito no fim do ano. Parei de programar no final dos anos 70 e tenho o maior respeito pelo pessoal de informática das empresas que enfrentaram esse problema pois, assim como eu, muita gente que criou "bugs" já não trabalha mais na área, e esse enfrentamento teve que ser feito também por muita gente nova, acostumada com outras linguagens de computador e equipamentos. Para finalizar, quero deplorar o sensacionalismo feito em cima da possibilidade de falta de eletricidade por conta do "bug".
O fornecimento de energia elétrica é uma atividade sempre planejada para não dar "bug" em nenhuma de suas etapas: geração, transmissão e distribuição. Infelizmente, no nosso país, querem transformá-lo num negócio como outro qualquer, onde a prioridade é o lucro rápido. Geração e transmissão requerem longos estudos de planejamento pois são investimentos de longo prazo, em um país cujo potencial de energia gerada hidraulicamente é ainda alto. Querer substituir essa forma de geração por usinas a gás é criar alguns "bug"s, pois o gás importado rapidamente vai "bugar" nossa balança comercial, sem falar na importação de equipamentos, projeto, etc.
O risco do ""bug" elétrico" aumenta a cada dia num país em que o aumento da demanda de eletricidade é necessária para seu crecimento econômico e a política de governo é acabar com as grandes empresas de geração e transmissão, que são as que têm capacidade técnica e recursos para alavancar novos projetos, parcerias com empresas privadas, investimentos, etc – tudo que o país precisa para não cair no racionamento e em novos blecautes. Quem viveu os racionamentos dos anos 60 vai ver que agora a coisa será bem pior pois nossa dependência da eletricidade é total. Sem ela, os computadores param e aí falta gasolina, dinheiro no banco, lojas, comunicações, etc. Será quase o fim do mundo, mas evitável. É só parar para pensar. E agir.
Um abraço,
Fabio Resende