Cobrança extra afeta indústria, afirma estudo


Comentário: O ILUMINA parabeniza a Firjan pelo estudo, pois toda tentativa de elucidação do nosso complexo sistema já merece aplausos. Entretanto, o estudo não está esclarecendo tudo.

É preciso entender que cerca de metade da indústria está no mercado livre e, nesse nicho, os preços pagos dependem da hidrologia. Quem tiver curiosidade, basta dar uma olhada nos relatórios da CCEE, para ver que, sob hidrologia favorável, cerca de 20% dos contratos são mensais. Basta São Pedro ficar um pouco zangado e os perfis de contrato mensais caem para 1% ou 2%.  Alguém tem duvidas das razões dessa mudança de comportamento?

Portanto, o gráfico acima, oriundo do estudo da Firjan, ao indicar que sob bandeira branca não há acréscimo de preços, conta uma meia verdade. Quem está no mercado livre, correndo algum risco pode adquirir energia perto da curva azul. Em 2009 e 2011, chegou ao valor mínimo. É essa vantagem que o cativo não terá.

Tudo se passa como se, ao entrar num ônibus, o motorista te cobre mais 10% porque o estoque de peças da oficina da empresa está baixo! Só mesmo no Brasil.



 

CLAUDIA ROLLI FOLHA DE SÃO PAULO – 17/09/13

 

O novo sistema de bandeiras tarifárias deve elevar o custo da energia elétrica e comprometer a competitividade da indústria, segundo avalia a Firjan (federação das indústrias do Rio).

 

Por esse sistema, a partir de 2014, o custo adicional do acionamento das usinas termelétricas (mais caras que as hidrelétricas) será repassado mensalmente à conta de luz do consumidor.

 

As bandeiras verde, amarela e vermelha sinalizam se o custo da geração de energia será baixo, médio ou alto. Para a indústria, será verde se o custo for de até R$ 100 por megawatt-hora (MWh). Na amarela, o custo varia de R$ 100 a R$ 200, com taxa adicional de R$ 15 por MWh na tarifa. Na vermelha, é superior a R$ 200, com extra de R$ 30 por MWh.

 

Estudo da Firjan mostra que, se o sistema de bandeiras tivesse em vigor em 2012, o gasto extra com energia chegaria a R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 400 milhões em tributos. O cálculo considerou cinco meses de bandeira amarela, quatro de vermelha e três de verde, pois em 2012 choveu pouco.

 

“Por mês, a tarifa pode variar de 10% a 15%. Isso afetará a estrutura de custo da indústria, que terá de negociar com fornecedores ou repassar o custo”, afirma Cristiano Prado, gerente da Firjan, que defende a isenção de PIS, Cofins e ICMS nas tarifas adicionais.

 

Na indústria paulista, o gasto teria sido de R$ 6,61 bilhões, sendo R$ 350 milhões com adicionais e R$ 110 milhões de tributos.

 

A Fiesp defende o sistema de bandeiras e diz que a empresa pode planejar sua produção, quando avisada que a energia será mais cara no mês seguinte. “O que tem de discutir é por que não são construídas mais hidrelétricas em vez de apostar em outras matrizes de energia”, diz Carlos Cavalcanti, diretor da Fiesp.

 

Corte na conta de luz é menor que prometido

 

Redução média percebida pela indústria na tarifa foi de 14,4% até junho; promessa de Dilma era de recuo de até 32%

 

Para o consumidor, custo caiu 16%, mostra levantamento da Folha com dados da Aneel; governo vê preço menor

 

JÚLIA BORBA DE BRASÍLIA – Folha de São Paulo – 17/09

 

Após uma longa ginástica do governo federal para diminuir as tarifas do setor elétrico, o corte anunciado há pouco mais de um ano pela presidente Dilma Rousseff e em vigor desde 24 de janeiro ficou, na prática, abaixo do prometido à indústria.

 

A redução média percebida pelo setor até junho foi de 14,4%. A meta anunciada pela presidente era de até 32% para este segmento –a média do corte industrial era de 20%, segundo o Ministério de Minas e Energia.

 

Os consumidores residenciais tiveram redução de 16% nas contas de luz. O objetivo do plano era cortar o preço da tarifa residencial em 18%.

 

Os dados foram levantados pela Folha a partir do relatório de acompanhamento de preços praticados no setor feito pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

 

A reportagem considerou a média de preços praticada entre fevereiro –primeiro mês da aplicação integral do novo patamar de preço da energia– e junho, último dado disponível no site da Aneel, e comparou à média de preços praticada no mesmo período do ano passado.

 

O Ministério de Minas e Energia defende que o corte foi maior. Em nota encaminhada para a reportagem, os técnicos explicam que, quando o governo anunciou, em janeiro, a entrada em vigor dos novos preços, a redução prometida foi calculada sobre as tarifas vigentes em dezembro do ano passado.

 

Segundo o ministério, neste intervalo, o desconto teria atingido a meta do governo para consumidores residenciais (18,5%) e ficado em 18,8% para a indústria.

 

O ministério destacou que as diferenças percebidas em relação às metas oficiais “decorrem da realização dos processos de reajustes e revisões tarifárias” a alguns distribuidores após aquela data.

 

Os reajustes e as revisões são mecanismos que alteram as tarifas para repassar custos extraordinários das empresas elétricas, considerar ganhos de eficiência, garantir retorno adequado aos empresários ou compartilhar ganhos de produtividade.

 

Cada distribuidora de energia passa pelo processo periodicamente, podendo ter o preço da tarifa alterado.

 

A MEDIDA

 

Para cortar o preço da conta de luz, o governo optou por antecipar a renovação das concessões de geradoras e transmissoras de energia que venceriam entre 2015 e 2017. Para isso, impôs aos interessados redução de preços.

 

Também foram cortados alguns penduricalhos que pesavam nas contas, como encargos e fundos setoriais. O Tesouro Nacional ficou com a obrigação de fazer aportes anuais de R$ 3,3 bilhões para bancar parte do programa.

 

Como algumas empresas não aceitaram as condições do Planalto para renovar as concessões (Cesp e Cemig, por exemplo), o governo precisou se comprometer a fazer aportes ainda maiores na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que banca programas do setor elétrico.

 

Desde janeiro, foram repassados R$ 4 bilhões à CDE.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *