Coisas do Brasil Pelo fato da curva do custo marginal de expansão do sistema brasileiro ser estritamente convexa (curva vermelha), é mais barato sobre-ofertar do que sub-ofertar. É só reparar no gr&aac …




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Pelo fato da curva do custo marginal de expansão do sistema brasileiro ser estritamente convexa (curva vermelha), é mais barato sobre-ofertar do que sub-ofertar.


É só reparar no gráfico acima: A curva azul é o custo marginal de expansão, ou seja, quanto mais cresce a demanda (eixo horizontal), fica cada vez mais caro atender essa carga com usinas novas. Mas o sistema pode atender o aumento de demanda utilizando-se mais das térmicas e/ou arriscando mais déficits futuros. Essa é a curva vermelha. O ideal é que a carga se iguale a energia assegurada do sistema que é a quantidade que iguala os dois custos. Nesse ponto, em termos marginais, tanto faz acrescentar 1 MWh de uma usina nova ou operar mais 1 MWh das térmicas.


Como o sistema brasileiro é predominantemente hidráulico, a curva vermelha sobe rapidamente quando se aumenta a carga sem novas usinas. Isso faz com que ela seja convexa. Agora é só olhar os tamanhos das setas verde e vermelha. Sempre será mais barato para o consumidor, para a sociedade e para os agentes, uma sobre-oferta do que uma sub-oferta. Não estamos nos referindo ao não suprimento real, mas apenas à ultrapassagem da carga em relação à energia assegurada.


Também não estamos advogando que se busque sistemáticamente essa sobre-oferta mas sim chamando atenção para mais essa característica do sistema brasileiro. É sempre mais barato "folgar" do que "apertar" . Parece óbvio e teórico mas não é. Basta olhar os relatórios da operação nos últimos anos, onde, exatamente, houve uma sub- oferta prolongada e anotar a elevação brutal do custo de operação do sistema (basicamente custo de combustível para as térmicas).


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