Com o volume d’água abaixo do limite de armazenamento, o sistema brasileiro é altamente sensível à estratégia de operação interligada. Qualquer decisão errada ou perda de coordena&cced …


Com o volume d’água abaixo do limite de armazenamento, o sistema brasileiro é altamente sensível à estratégia de operação interligada. Qualquer decisão errada ou perda de coordenação da operação tem implicações energéticas irreversíveis. Com o ONS e GCOI pela metade o problema é ainda pior. Como alertamos, o quadro é extremamente grave!


Globo 4/6/99

Cresce risco de racionamento de energia

Ramona Ordoñez

As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste – onde se concentram 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do país – correm risco de enfrentar déficit de energia no ano que vem. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – órgão responsável pela operação do sistema elétrico do país – no próximo ano a demanda de empresas e residências por energia nessas regiões será superior em 12,6% à oferta, o maior nível de déficit já enfrentado pelo setor, bem superior aos 5% com que sempre operou. Nas regiões Norte e Nordeste, o risco é de um déficit de 7,6%.


Os técnicos do setor explicam que déficit, neste caso, significa a possibilidade de em alguma região o consumo ser superior à oferta de energia. Sem ter alternativas de geração, o problema só se resolve de duas maneiras: com conservação de energia ou com racionamento. A situação é diferente quando ocorre um blecaute porque após algum tempo o sistema consegue restabelecer o fornecimento de energia.


O presidente do ONS, Mário Santos, explicou que diante da situação, o Ministério das Minas e Energia formulou um programa de obras emergenciais. Esse programa inclui a construção de linhas de transmissão, instalação de equipamentos em subestações, além de obras de geração, principalmente de usinas térmicas. O programa emergencial foi elaborado considerando estudos feitos pelo próprio ONS, pela Eletrobrás e pelo Grupo Coordenador de Operações Interligadas (GCOI) -que até março último era o responsável pela operação do sistema elétrico do país.


– O programa inclui a construção de usinas térmicas a gás e reduz as perspectivas de blecautes por eventuais falhas no sistema ou por sobrecarga – diz Santos.


Segundo explicou um técnico do ONS, o sistema de distribuição de energia está operando sem folgas. Os cálculos de risco já consideram a entrada em operação de diversas obras prioritárias (3.800 megawatts de acréscimo de energia nas regiões Sul e Sudeste este ano e cerca de 3.100 megawatts no próximo ano, dos quais mil megawatts importados da Argentina).


O presidente do ONS explicou que o conjunto de obras emergenciais elaborado pelo ministério das Minas e Energia equivale à instalação de mais cerca de 600 megawatts na região Nordeste e de mais 3.200 megawatts no sistema Sul/Sudeste/Centro Oeste.


Mas enquanto essas obras não se concretizam, como o sistema está operando no limite, os riscos de ocorrerem blecautes aumentam muito caso aconteça algum problema nos equipamentos provocado por defeitos ou fenômenos da natureza.


Contudo, o que mais preocupa o Governo federal e técnicos do setor – mais do que os riscos de blecautes, que são interrupções momentâneas de energia – são os riscos de déficit de energia, porque eles significam que em alguma região pode existir uma demanda sem o sistema ter condições de atender. A oferta menor do que o consumo é uma realidade cada vez mais próxima, dizem os técnicos. Eles explicam que essa situação só pode ser resolvida de duas formas, caso as obras emergenciais não ajudem a aumentar a oferta de energia: a adoção de programas de racionamento de energia em algumas partes do país ou a de programas de conservação de energia.


O quadro negro com que os técnicos do ONS trabalham já considera a retração da economia. A estimativa é de que o consumo de energia cresça 4,5% este ano. Se a economia crescer além do previsto, a situação pode ficar ainda pior. Outro complicador enfrentado pelo setor é a natureza: o nível dos reservatórios das usinas está relativamente baixo.


Segundo dados do ONS, os reservatórios das principais usinas não encheram nos patamares ideais durante o período das chuvas, que terminou em abril. O nível atual do armazenamento na Região Sudeste é de 71%, contra 84% no mesmo período do ano passado. Já na Região Nordeste o nível atual dos reservatórios é da ordem de 60%, contra 92% no mesmo período do ano passado. Segundo o ONS, nos últimos dois anos houve uma redução das reservas energéticas por vários motivos: baixo volume de água nos rios (causado pelo fenômeno meteorológico La Niña), aumento do mercado de consumo acima das previsões e atrasos nos cronogramas de obras importantes no sistema elétrico.


Conforme dados do ONS, o sistema não tem condições de aumentar a oferta de energia nos estados de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Pará.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *