Como o ILUMINA já vem antecipando, o funcionamento dos geradores em outubro, quando o nível dos reservatórios estará no mais baixo nível registrado, não é assim tão garantido. Uma …

Como o ILUMINA já vem antecipando, o funcionamento dos geradores em outubro, quando o nível dos reservatórios estará no mais baixo nível registrado, não é assim tão garantido. Uma série de problemas poderá ocorrer, e não são apenas as máquinas que preocupam, mas também o sistema de transmissão que poderá sofrer instabilidade, fruto da perda de potência dos geradores.


Sobre o critério de redução parece havar um grande engano. Se os 20% se referem ao consumo de 2000, menor que o previsto para o ano de 2001, evidentemente essa economia é menor que 20%. Ou a notícia está errada ou o governo. Não seria a primeira vez.


Critério de redução será mudado

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


O "ministério do apagão" vai mudar os critérios que utiliza para calcular a redução de consumo de energia. Com a mudança, ficará mais fácil "atingir" a meta de redução de 20% estipulada pelo plano de racionamento.


A meta atual foi calculada com base no consumo de 2000, menor do que o de hoje. Como a redução foi calculada em cima de um consumo menor, os 20% de economia hoje correspondem, na verdade, a cerca de 25%.


O novo critério determinará que, para calcular a economia, os técnicos do ONS considerem o crescimento do consumo ocorrido entre aqueles meses e este ano.


A meta estabelecida para os consumidores não vai mudar. O governo só mudará a base que usa para calcular a redução. Se o critério já estivesse em vigor, a economia de junho já seria de 20%.

Usinas podem ter ajuste contra pane

HUMBERTO MEDINA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


O governo estuda formas de evitar que as usinas hidrelétricas brasileiras entrem em pane no final do ano, quando os reservatórios estarão em níveis muito baixos.


O nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste previsto pelo governo para novembro apresenta risco para o funcionamento dessas usinas. As máquinas que geram energia podem parar ou ficar danificadas, comprometendo a geração.


O governo planejava chegar a novembro com 10% de nível de armazenamento no Sudeste e no Centro-Oeste e 5% no Nordeste (nível de segurança mínimo para operação do sistema). Esses números já foram revistos para 12% e 4,3%, respectivamente. Em ambos os casos, seria a primeira vez em que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) opera todo o sistema em nível tão baixo.


O ONS já operou algumas usinas com níveis abaixo de 10% em 1999, mas os problemas que poderiam ocorrer não aconteceram. Em novembro, no entanto, todo o sistema estará em níveis baixos, o que aumenta o risco.


O baixo nível dos reservatórios causa dois problemas técnicos: reduz a frequência (velocidade de giro) das turbinas e permite a entrada de ar nas máquinas. No primeiro caso, há um mecanismo de segurança nas turbinas que as desliga quando a frequência diminui muito. No segundo, as moléculas de hidrogênio explodem dentro da turbina, o que aumenta a vibração e pode danificar o equipamento.


Ambos os problemas estão relacionados com a falta de água. Com menos água nos reservatórios, a pressão com que ela chega às turbinas diminui, alterando a frequência com que giram as pás das hélices. O nível baixo dos reservatórios também permite a formação de vórtices (redemoinhos) próximos às turbinas, possibilitando a entrada de ar nas máquinas.


Para evitar o desligamento automático existem duas soluções: fechar algumas turbinas para aumentar a pressão da água nas restantes ou regular as turbinas inibindo o mecanismo que as desliga automaticamente. Para evitar a entrada de ar que acontece com a formação de vórtices, podem ser colocadas placas de concreto próximas às turbinas. (FSP 2/7)


Meta de economia de luz não é atingida

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


O país não atingiu a meta de redução de consumo de energia prevista no primeiro mês do racionamento. Embora o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) não tenha divulgado o número oficial, a Folha apurou que em nenhuma das regiões onde há racionamento (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste) a meta foi atingida.


O percentual de redução de consumo estabelecido no racionamento é de 20% em relação à média de consumo dos meses de maio, junho e julho de 2000. O percentual em junho deverá ficar entre 19,5% e 19,7% para a região Nordeste e próximo a 18,9% para o Sudeste/Centro-Oeste. Apesar de não ter atingido a meta em junho, o país está atingindo o objetivo principal: manter o nível de água dos reservatórios das hidrelétricas dentro do esperado.


O governo anuncia nesta semana pacote para aumento de geração de energia: 26 termelétricas do programa emergencial e 21 hidrelétricas que ficarão prontas até 2003. O pacote prevê um aumento da capacidade de geração de cerca de 16 mil megawatts. São todos projetos já anunciados, cujo prazo de conclusão os técnicos do governo confirmaram nas últimas semanas num levantamento com as empresas que construirão as usinas.


O "ministério do apagão" poderá também concluir o plano B (de apagão), que será adotado caso o racionamento fracasse. Esse plano estabelece critérios para o corte de energia. Segundo a Folha apurou, o plano prevê que delegacias e presídios não podem ser cortados à noite e não pode haver interrupção no fornecimento de energia para controle de tráfego nas grandes cidades na hora de maior movimento. Ontem começou o racionamento no Norte (leste do Pará, parte do Maranhão e do Tocantins, segundo critérios do ONS). A meta é de 15% de redução em relação ao consumo médio de maio, junho e julho de 2000.


O racionamento será administrado pelos governos estaduais e não segue as mesmas regras (cortes e sobretaxa) do plano das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O objetivo do racionamento no Norte é que permitir que a usina de Tucuruí continue a mandar aproximadamente 1.000 MW médios para o Nordeste, que enfrenta a situação mais crítica.


O Sudeste também poderá aumentar a quantidade de energia enviada para o Sudeste. Atualmente, são 300 MW. Esse número pode subir para até 600 MW médios por dia. (HM) (FSP 2/7)


Segundo a ONS, consumo caiu 15% em todo o País em junho

Pesquisa mostra que ao longo do mês houve queda no uso de energia elétrica


SÉRGIO GOBETTI


PORTO ALEGRE – O consumo de energia elétrica no País, incluindo os Estados fora do racionamento, caiu 15% em junho em relação à média do período de maio e julho do ano passado. De acordo com os boletins do Operador Nacional do Sistema (ONS), que contabilizam o resultado acumulado até sexta-feira, a maior economia ocorreu no Nordeste (19,5%), seguido pelo Sudeste/Centro-Oeste (18,8%) e pelo Sul/Mato Grosso do Sul (2,4%). A região Norte apresentou um aumento de consumo de 3,4% em relação a 2000.


A comparação da carga média de energia despendida por semana mostra que o esforço de racionamento da população cresceu ao longo do mês de junho. O consumo nacional entre os dias 23 e 29, por exemplo, foi de 33.366 megawatts (MW) médios, enquanto na primeira semana do mês foi de 35.404 MW.


Nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, a carga média de energia baixou pela primeira vez da casa dos 20 mil MW na última semana de junho – um nível de consumo 26% inferior ao do início de maio.


A Região Sul tinha estabelecido uma meta voluntária de racionalização do uso de energia de 7% em relação aos valores projetados para o período. Em comparação a esse parâmetro, diferente das demais regiões, a economia de energia chegava a 5,2% até sexta-feira. Isso porque as projeções que serviram de base para o cálculo são superiores à média de 2000. (ESP 2/7)


Metas de residências terão cálculo proporcional aos dias de consumo

PEDRO SOARES DA SUCURSAL DO RIO


A partir do dia 5 deste mês, os consumidores da Light -distribuidora do Rio de Janeiro que atende 3,4 milhões de clientes- vão receber suas contas com duas metas de consumo: a chamada de básica, que já havia sido informada, e uma meta proporcional, referente ao período efetivo de medição da conta.


A novidade foi instituída para evitar uma distorção que ocorreria em alguns casos. O cliente poderia ter sua conta "lida" em 33 dias e sua meta calculada para o período de 30 dias, por exemplo. Com a nova meta, um consumidor cuja conta mostra 33 dias de consumo, por exemplo, poderá gastar mais energia do que antes havia sido informado. Já em uma leitura de 29 dias, o consumo terá de ser menor. Com a medida proporcional, uma meta básica de 300 kWh/mês passa para 330 kWh/mês, no primeiro exemplo. E para 290 kWh/ mês, no segundo.


A meta proporcional é calculada da seguinte maneira: divide-se o limite de gasto já informado por 30, multiplicando o resultado pelo número de dias da leitura da conta (as datas das duas últimas leituras feitas pela concessionária estão expressas na conta). Segundo Ernesto Haikewitsch, superintendente de qualidade e sistemas da Light, o número de dias de consumo de energia pode variar de 27 a 33. Esse intervalo, de acordo com ele, foi determinado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para todas as distribuidoras.


Haikewitsch informou que a GCE (Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica) adotou esse cálculo proporcional, originariamente uma sugestão da Light, para todas as concessionárias. "A meta de consumo diária não vai ser alterada. A regra permanece. O novo critério já era adotado para os clientes da alta tensão." Para ele, a meta proporcional foi adotada por ser mais coerente. Ela já é adotada, por exemplo, para o cálculo do consumidor industrial. Em julho, segundo ele, o intervalo de leitura varia de 29 a 32 dias e a meta proporcional virá expressa na própria conta. (FSP 2/7)


Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *