Como o Ilumina vem avisando, lá vem mais tarifa…

A notícia é do dia 08/12 na Folha de São Paulo.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/12/1716188-reducao-na-capacidade-das-usinas-deve-deixar-luz-mais-cara-em-2016.shtml

O assunto tem mais de 10 anos e todos os técnicos sabem que a tal “garantia física” é um número subjetivo e, consequentemente, arriscado. Esses “certificados” estão superestimados, mas, … o governo não ouve ou gosta de arriscar.

Enquanto muitos sinais já mostravam que seria necessário rever os critérios de garantia, o “mercado” continuava a funcionar com os mesmos valores ariscados. Apesar de não ser a única causa, isso esvazia reservatório!

Como sempre, no Brasil, as autoridades esperam situações limites para tomar providências ou para reconhecer que deveriam ter atuado antes (vide barragens da Samarco).

Mas, não pense que esse é o único peso que o consumidor terá que carregar em 2016. Na realidade, sutilmente e sem dó, nós já estamos pagando a “energia de reserva”, que até pelo nome, desmoraliza a tal da garantia física.

E não pense que é pouco. Hoje já pagamos cerca de 2.600 MWmédios, quase 5% do nosso consumo, “por fora”, justamente por conta da garantia física que não é física e nem garantida.

Custo médio: Mais de R$ 220/MWh. Estimamos em mais de R$ 2 bilhões o que os consumidores já pagam sem saber.

Esse é apenas um dos esqueletos que começam a sair do armário. Há outros.

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4 respostas

  1. Uma curiosidade de estudante: quais seriam as alternativas de precificação para o mercado de curto prazo além do pld? Seria usar o custo marginal como é calculado pelos modelos?
    E o que poderia substituir o lastro por garantia física ?
    Como não tenho contato diário com essas questões, pergunto pelo que tenho lido e visto em alguns debates – muitas críticas ao teto do pld e à garantia física -.
    Obrigado! parabéns pelo trabalho do ilumina!!

    1. Rodrigo;

      Um sistema como o brasileiro, de hidrologia tropical de grande variância, com diversidade hidrológica e onde usinas hidroelétricas representam 70% da capacidade, o modelo mais inteligente e menos arriscado seria ter contratos de capacidade (MW) ao invés de estimar uma “média” por usina, como está funcionando (mal) no Brasil. Em 2003, logo após o racionamento de 2001, o Ilumina sugeriu em conjunto com outros técnicos que esse sistema fosse paulatinamente implantado. Entretanto, apesar da inédita experiência de um racionamento de 20% da carga que só ocorre com tragédias naturais e guerras, o governo não quis ouvir. O número real por usina no Brasil é o MW. Um valor de MWh fixo por usina é evidentemente um “chute” arriscado. O grande problema é que esse sistema exige algum órgão que se responsabilize por contratar os MW suficientes para gerar os MWh da carga. Seria um ONS financeiro. Poderia ser exercido pela CCEE. Mas, infelizmente, no Brasil, isso foi interpretado como “estatização”, um caminho que, por conta das atitudes políticas dos governos, passou a ser um palavrão. Grato pela pergunta!

  2. Reduzidas as garantias físicas, a contratação de energia de reserva prevista na NT 238 da Aneel perde seu sentido.

    Os “ativos” (sic) da concessionárias negociados com base na MP 688 teriam que ser revistos.

    Mais uma batalha judicial anunciada.

    E la nave va…

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