Contando ninguem acredita!
Contando ninguem acredita! Agora não basta vender as empresas. É preciso "pré-vendê-las" para tapar o caixa da balança externa. Imagina-se com que deságio! Depois, o próprio BNDES empresta esse mesmo dinheiro para que a venda seja completada aqui, sabe-se lá com que taxa de juros! Certamente não é 49% ao ano. Enquanto o setor privado comemora um festival de fusões, nós promovemos a cisão de empresas que levaram anos para serem constituidas. Nunca fomos tão parecidos com os índios que trocavam ouros por espelhos. Só que estamos trocando empresas por batatas fritas…..
GLOBO 10/10/98
Governo fará cisão de geradora de energia este ano
Roberto Cordeiro
Enviado especial
Gurupi (TO). O ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito, informou ontem que até o fim do ano será concluído o processo de cisão das três estatais do setor elétrico – Furnas, Chesf e Eletronorte – que integram o Sistema Eletrobrás. O modelo consiste na criação de três geradoras de energia, cujo ativos serão transferidos para o Tesouro Nacional, o que permitirá à União antecipar receitas da privatização com a colocação de papéis no mercado externo garantidos pelas ações destas estatais. A expectativa do BNDES é de conseguir US$ 10 bilhões com este processo para reforçar as reservas internacionais do país. No entanto, o ministro evitou fazer previsões sobre o montante que o Governo federal poderia conseguir no exterior. Brito confirmou também que já está concluída a modelagem de lançamento, no exterior, dos recebíveis da Usina Hidrelétrica de Itaipu e que caberá ao BNDES decidir o melhor momento para fazer a colocação de US$ 6 bilhões em papéis. O objetivo é tentar conseguir trazer para o caixa do Tesouro parte da dívida que Itaipu tem com a Eletrobrás. A estatal brasileira tem US$ 16,5 bilhões para receber da hidrelétrica, referentes à construção da usina.
-A partir do momento em que grupos financeiros adquirem os papéis das geradoras, isso dará mais credibilidade ao programa de privatização brasileiro – disse Brito.
De acordo com o ministro, este modelo de cisão das companhias federais permitirá a imediata transferência do controle acionário das geradoras para a União, o que abriria caminho para o processo de antecipação de entrada de dólares. O mecanismo será idêntico ao usado pelo Governo federal durante a negociação de dívidas dos governos estaduais. Em troca da rolagem das dívidas, a União recebeu ações das distribuidoras de energia elétrica dos estados.
Raimundo Brito confirmou que a privatização da Companhia Energética de Alagoas vai encerrar o programa de venda de estatais este ano no âmbito do Conselho Nacional de Desestatização.
ROBERTO CORDEIRO viajou a convite do Ministério de Minas e Energia
JB 10/10/98
Governo lançará papéis de elétricas
CRISTIANA NEPOMUCENO
Agência JB
BRASÍLIA – Numa nova tentativa de elevar o nível das reservas internacionais, o governo vai lançar títulos lastreados nas ações das três empresas do setor elétrico que serão privatizadas no ano que vem. O primeiro passo para essa operação deve ser dado até o fim do ano com a cisão de Furnas, Eletronorte e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). As empresas terão seus ativos divididos e vão se transformar em seis empresas: três geradoras de energia elétrica, que serão privatizadas, e três distribuidoras, que vão permanecer sob controle do governo, informou ontem o ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito.
As ações das novas empresas geradoras sairiam do controle da Eletrobrás e passariam para o controle da União.Desta forma, na avaliação de Brito, seriam mais fáceis o lançamento e a venda de papéis dessas empresas no exterior e a antecipação dos recursos provenientes da privatização das estatais. A venda dos papéis já vem sendo estudada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) há algumas semanas. Na avaliação do banco, seria possível antecipar cerca de US$ 10 bilhões.
Para o ministro, a antecipação de receita vai estimular a competição no processo de venda. "Se um grande grupo financeiro internacional, por exemplo, compra esses papéis, é sinal de que aposta no país. Ele entra e dácredibilidade a operações desse tipo", disse. Segundo o ministro, a primeira empresa a ser vendida será Furnas.
Enquanto a operação não é fechada, o governo se prepara para tentar vender, no dia 3 de dezembro, a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), distribuidora de energia federalizada. Será a última privatização do setor elétrico este ano. O preço mínimo estabelecido para a venda do capital total da empresa é de R$ 318,7 milhões.
Quem vencer o leilão pagará 40% do preço à vista e o restante em duas parcelas anuais iguais. Esse parcelamento foi adotado pelo governo para facilitar a venda da Ceal. "O importante é retomar o processo de venda das distribuidoras de energia federalizadas", afirmou o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. Na compra da Gerasul, o grupo belga Tractebel pagou 50% do valor estabelecido para a empresa (R$ 945 milhões) em setembro e o restante no início deste mês. As privatizações da Companhia Energética de Rondônia (Ceron) e da Manaus Energia ficarão para o ano que vem.