EMPRESA LARANJA? |
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A CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) foi privatizada no dia 28 de junho. Tida como um bom negócio pelo governo paulista, numa negociação iniciada no governo Geraldo Alckmin, o pagamento do valor total – R$ 1,19 bilhão – estava previsto para ser realizado no dia 19 de julho, após anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre a venda. A reunião da agência atrasou por uma semana e a compradora, a empresa de transmissão estatal colombiana Interconexión Eléctrica (ISA), não cumpriu o prazo de pagamento, enquanto buscava ou um sócio ou um empréstimo bancário. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) não esclareceu o ocorrido e a transferência do controle foi realizada dia 25 de julho. O adiamento é o menor dos pontos obscuros existentes na venda da empresa. A estatal colombiana é menor que a CTEEP. O faturamento da ISA, em 2005, foi de US$ 305 milhões e o lucro alcançou US$ 80 milhões. O faturamento da CTEEP no mesmo período foi de US$ 514 milhões e o lucro chegou a US$ 200 milhões (referentes à parte do governo do Estado; o lucro total foi de R$ 468 milhões). Depois de consumado o negócio, o Governo do Estado de São Paulo revelou que a compradora da ex-estatal não foi a vencedora do leilão. O novo controlador é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) chamada ISA Capital do Brasil, que levantou financiamento para a aquisição da CTEEP. O presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo, Murilo Celso de Campos Pinheiro, suspeita que estaria em curso uma jogada financeira semelhante à realizada com a distribuidora Elektro Eletricidade e Serviços. Criada a partir do fatiamento da Cesp, a empresa foi privatizada em 16 de julho de 1998. A vencedora foi a Terraço Participações S.A. Constituída 48 dias antes do leilão, em 28 de maio do mesmo ano, a nova figura jurídica era formada por duas subsidiárias do grupo Enron, a Enron Brazil Power Holdings e Enron Brazil Power Investments. Ambas tinham sede nas Ilhas Cayman. Em 18 de janeiro de 1999, a Terraço, que se endividou no mercado para comprar a Elektro, foi incorporada pela empresa. A credora era a própria Enron. A Elektro passou então a remeter à Enron, no exterior, elevadas somas para quitar o débito, além de assumir a amortização de outro empréstimo junto ao BNDES, que financiou parte da privatização. (Agência Carta Maior) |