Desvios A energia de Itaipu não passa de 20% da total consumida nas regiões afetadas por ela. Esse seria o motivo válido para pedir reajuste de tarifas As dívidas em US $ são estratégias empre …

Desvios


A energia de Itaipu não passa de 20% da total consumida nas regiões afetadas por ela. Esse seria o motivo válido para pedir reajuste de tarifas As dívidas em US $ são estratégias empresariais e portanto fazem parte do risco. Entretanto, já começa a pressão para mistiurar as duas questões. Pelo menos na mídia. Quanto aos desvios contábeis… Bem, lá na matriz o jogo foi pesado…



Dólar pode causar aumento de tarifas elétricas (Estadão 31/07)


Empresas podem alegar ‘queda de margem expressiva’ para pedir o reajuste, diz analista

JACQUELINE FARID




RIO – As empresas do setor elétrico poderão solicitar reajuste extraordinário de tarifas, caso o dólar permaneça em patamares elevados nos próximos dois meses. A avaliação é do analista da corretora BBA, Marcos Severine, para quem, se o câmbio permanecer em R$ 3 nos próximos 60 dias, as empresas vão apresentar uma "queda de margem expressiva" e poderão alegar desequilíbrio econômico e financeiro para solicitar o reajuste à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como prevê o contrato de concessão estabelecido entre o governo e as empresas.


De acordo com o procedimento requerido pelo contrato, as empresas do setor elétrico enviam a solicitação à Aneel, que fornece a resposta em torno de 15 dias. Severine, porém, lembra que esse reajuste, se concedido extraordinariamente, será considerado antecipação a ser descontada na próxima data-base de aumento de tarifas das empresas.


Impactos – O analista da corretora salientou também que a perda de caixa das empresas elétricas por causa do aumento dos custos com a energia que compram da usina hidrelétrica de Itaipu (cotada em dólar) não será refletida contabilmente (nos balanços), já que há diferimento em conseqüência da garantia do reajuste tarifário.


Segundo Severine, as empresas do setor de energia vão sofrer também os impactos sobre o endividamento em dólar, já que a maior parte não tem hedge (proteção) integral dos débitos. Ele admitiu que estes efeitos serão mais brandos agora do que na desvalorização do fim do ano passado, já que as empresas aumentaram a proteção contra oscilações súbitas do câmbio. Mas, ainda assim, a engenharia financeira não foi suficiente para uma blindagem integral. O analista lembrou ainda que os negócios do setor sofrem os reflexos da redução do consumo, que não voltou aos patamares normais após o racionamento.


Lucro – Por outro lado, a Eletrobrás será beneficiada pela alta do dólar e deverá registrar um lucro recorde de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, segundo a estimativa da BBA.


A empresa é credora em dólar, já que vende a energia de Itaipu. Para o analista, caso o dólar permaneça nos patamares atuais, um novo lucro recorde será registrado pela empresa no terceiro trimestre. (AE)






Desvios contábeis em balanços (Jornal do Commercio 31/07)

CVM detecta 14 empresas do setor com problemas


A expectativa indevida de lucro de algumas empresas do setor elétrico, baseada no provisionamento das transações no Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) em 2001, foi um dos desvios contábeis apontados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nos balanços das companhias brasileiras. O órgão apontou um total de 14 irregularidades, identificadas desde o exercício de 1999.


Em abril deste ano, a CVM obrigou que cinco geradoras de energia republicassem seus balanços do ano passado, por não terem incluído os dados provisionados pelo MAE no dia 13 de março, para o fechamento dos documentos.


Os números contabilizados foram alvo de muita discussão no mercado – as geradoras alegavam perdas de até R$ 920 milhões – e acabaram sendo objeto de análise da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


Dos cinco balanços detectados, apenas o da gaúcha Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) foi republicado. A empresa, aliás, também contestou as determinações do despacho, e não integrou o acordo geral do setor elétrico.


As concessionárias AES Tietê, Energia Paulista Participações, Duke Energy Paranapanema e Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) entraram com recursos administrativos na CVM. A previsão é que a diretoria colegiada do órgão emita a decisão sobre a questão em agosto.


– Se os recursos forem acatados, as empresas não precisarão republicar como determinado, podendo estornar os valores nos balanços do ano passado. Em princípio, a CVM deve manter o princípio do conservadorismo, sem reconhecer de imediato possíveis ganhos além da posição extraoficial apresentada – diz o superintendente de Normas Contábeis da CVM, Antônio Carlos Santana.


NOTA DA ELEKTRO NEGA IRREGULARIDADES. A Elektro Eletricidade e Serviços S/A divulgou ontem nota oficial negando que haja necessidade de republicação do balanço da empresa.


Segundo a Elektro, a empresa recebeu, em 9 de novembro de 2001, ofício da CVM determinando alterações nas práticas contábeis utilizadas pela sociedade nas demonstrações financeiras de 2000 e nas informações trimestrais de março a junho do ano passado.


"A CVM havia determinado a reversão integral dos créditos fiscais diferidos e do ágio da aquisição da Elektro face aos resultados históricos da empresa", esclarece a nota da companhia.


"Em 12 de abril de 2002, a CVM julgou favoravelmente à Elektro em recurso apresentado pela sociedade em 23 de novembro de 2001. Com base na decisão da CVM, a empresa manteve inalteradas as práticas contábeis utilizadas nas demonstrações financeiras de 2000 e nas informações trimestrais de março e junho de 2001, bem como foi desobrigada de republicar as demonstrações financeiras em questão."


"A CVM determinou a divulgação de informações adicionais sobre o ágio da aquisição da Elektro e dos créditos fiscais diferidos, demonstrados nas notas explicativas 12.2 e 30.2", finaliza a nota.



Consumo baixo compensa pouca chuva


Segundo o Operador Nacional de Sistema Elétrico, gastos estão 14% menores do que o esperado

GERUSA MARQUES




BRASÍLIA – O baixo consumo de energia elétrica tem compensado o volume inferior de chuvas neste inverno ante o inverno do ano passado. A avaliação foi feita ontem pelo presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, na chegada ao Ministério de Minas e Energia, onde ele participou de reunião da Câmara de Gestão do Setor Elétrico. "Do ponto de vista de segurança operacional, é positivo porque compensa a redução da hidrologia", disse Santos.


Segundo ele, o consumo de energia permanece cerca de 14% abaixo da expectativa. A maior economia continua sendo feita pelos consumidores residenciais. A estimativa é de que esse nível de consumo permaneça até setembro porque, em outubro, tradicionalmente há a retomada da produção industrial e a elevação na temperatura, com a chegada do calor.


Segundo Santos, nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas estão 20% abaixo da média, enquanto no ano passado, na mesma época, foram registrados de 18% a 19% de redução. No Nordeste, o volume de chuvas está 39% abaixo da média e, em julho do ano passado, o índice era de 35%. De acordo com Santos, também está chovendo menos neste inverno na Região Sul do País. O volume de chuvas está 48% abaixo da média, e as águas não estão chegando aos Rios Iguaçu e Uruguai, onde se encontra a maioria das usinas hidrelétricas.


Santos garantiu que o racionamento de energia está descartado para 2004, desde que sejam realizadas as obras previstas no cronograma do governo que não fazem parte do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT). "Vamos solicitar esta semana novos cronogramas de obras", disse Santos. Segundo ele, a garantia de abastecimento pode ser mantida, mesmo com a diminuição da expectativa de produção de energia pelas usinas do Programa Prioritário de Termeletricidade (PPT) de 13.637 megawatts (MW) para 8 mil MW a 9 mil MW. A redução foi anunciada na semana passada pelo ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide.



Dívida de elétrica é mais delicada


DA REPORTAGEM LOCAL

Na lista de grandes empresas brasileiras com dívidas em dólares, as de situação mais delicada são as do setor elétrico.


O principal motivo é que parte delas assumiu dívidas em dólares, mas suas tarifas (principal fonte de receitas) são em reais.


Entre as distribuidoras, a que enfrenta maiores dificuldades é a Eletropaulo. Dos US$ 700 milhões que vencem até dezembro, US$ 400 milhões estão concentrados em agosto. Como não conseguiu fazer captações de recursos no primeiro semestre, a empresa negocia com credores o adiamento ou reestruturação das dívidas.


Entre as siderúrgicas, a que se encontra sujeita a maiores riscos é a Cosipa. Segundo analistas, a companhia tem exposição de US$ 1 bilhão para os próximos meses, mas apenas 13% das receitas estão atreladas à moeda americana.


A estatal Petrobras não terá problemas para honrar compromissos (como a compra da argentina Perez Companc). Pelo último balanço, de março, a Petrobras tinha em caixa R$ 15 bilhões. Sua dívida financeira é de R$ 18,7 bilhões -dos quais não mais que R$ 4 bilhões são de curto prazo.


No setor de telecomunicações, a preocupação maior é da Embratel. Apesar de não precisar de refinanciamentos neste ano, a empresa tem US$ 777 milhões em dívidas que vencem em 2003 e apenas 67% desse total está protegido da variação cambial. No primeiro semestre deste ano, a empresa teve prejuízo de R$ 189 milhões.




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