Distribuidoras da CEEE vendidas por R$ 3,14 bilhões O governo do Estado arrecadou R$ 3,14 bilhões com a venda de duas distribuidoras de energia da CEEE. O leilão, realizado na Fiergs pela Bolsa de Valores do Extrem …



Distribuidoras da CEEE vendidas por R$ 3,14 bilhões



O governo do Estado arrecadou R$ 3,14 bilhões com a venda de duas distribuidoras de energia da CEEE. O leilão, realizado na Fiergs pela Bolsa de Valores do Extremo Sul (BVES), registrou o maior ágio da história do setor elétrico no país: 82,62% sobre o preço mínimo de venda da companhia Norte-Nordeste e de 93,55% na Centro-Oeste, com ágio médio de 88,1%. As duas companhias, que representam 40% do patrimônio da CEEE, serão operadas por empresas norte-americanas.

A distribuidora Norte-Nordeste, cujo resultado da venda será aplicado no Fundo de Reforma do Estado, foi comprada por R$ 1,635 bilhão, pelo consórcio VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa)/Community Energy Alternatives. A Centro-Oeste, com recursos destinados ao saneamento financeiro da CEEE, foi adquirida pela AES do Brasil, por R$ 1,51 bilhão.

As distribuidoras foram arrematadas em pouco mais de 35 minutos. Das sete corretoras credenciadas pela Câmara de Liquidação e Custódia, seis apresentaram propostas para a Norte-Nordeste e cinco para a Centro-Oeste, já que as regras da licitação impediam que a vencedora da primeira participasse da outra disputa. A Itaú, que representava a operadora argentina Perez Companc, foi avisada da desistência do investidor 20 minutos antes do início do pregão. O motivo foi a opção da Espírito Santo Centrais Elétricas (Escelsa, já privatizada) por disputar sozinha.

Os novos controladores das empresas já atuam no Estado. A AES é responsável pela construção da Usina Térmica a Gás de Uruguaiana, região atendida pela distribuidora Centro-Oeste. A VBC, através das empresas que a compõem, participa dos consórcios dos projetos hidrelétricos de Machadinho – entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina – e Dona Francisca.

O ágio registrado surpreendeu o secretário de Energia, Minas e Comunicações, Assis Roberto de Souza, que comparou o valor à venda da Vale do Rio Doce, privatizada por R$ 3,3 bilhões. No caso da Centro-Oeste, o valor é superior à dívida global da CEEE (R$ 1,26 bilhão após a divisão), da qual abaterá 80%. O restante, segundo o presidente da CEEE, Pedro Bisch, será aplicado em investimentos.

Quanto aos recursos obtidos com a Norte-Nordeste, o governador Antônio Britto disse que serão aplicados em infra-estrutura, educação e saúde, conforme a Lei de Reforma do Estado. Uma primeira destinação foi anunciada ontem com o envio de alimentos e remédios para os flagelados da Fronteira-Oeste. Porém, o governador descartou a utilização de recursos no pagamento do funcionalismo. Britto afastou também a possibilidade de privatizar a distribuidora Sul-Sudeste. ‘Não haverá nenhuma iniciativa de privatização da terceira distribuidora no governo que presido.’

A liquidação financeira da operação será feita na próxima segunda-feira, quando os vencedores terão que depositar o valor de venda na CLC. Na mesma data, serão assinados os contratos e, no dia seguinte, realizadas as assembléias gerais extraordinárias para a eleição das novas administrações e conselhos das companhias.





CORREIO DO POVO



PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 1997


CORREIO DO POVO

PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 1997

Vencedores já anunciam planos

CEA pretende contar com empresas gaúchas no consórcio. AES quer investir US$ 150 milhões em cinco anos




As duas operadoras norte-americanas que assumem na próxima terça-feira dois terços da distribuição de energia no Estado atuam juntas na Argentina, onde geram e distribuem energia a partir da usina de San Nicolás. Para entrarem no mercado gaúcho, elas pagaram os maiores ágios do setor, num investimento cujo retorno está previsto para 12 anos.

A Community Energy Alternatives (CEA) compõe o consórcio formado pela VBC e fundos de pensões (liderados pela Previ), cada grupo com participação de 30%. O consórcio pode vir a contar com a participação de 5% no capital das oito empresas gaúchas que formam a Companhia Riograndense de Participações (CRP). As negociações já foram iniciadas. ‘As empresas são bem-vindas, gostaríamos de ter gaúchos participando do consórcio’, afirmou o diretor da VBC, José Said de Brito.

Ele explicou que ainda não há um plano de investimentos na distribuidora Norte-Nordeste, adquirida por um valor 82,62% superior aos R$ 895,29 milhões estipulados como preço mínimo. ‘Sabemos que serão necessários R$ 40 milhões anuais para a manutenção do sistema’, antecipa o diretor. Constituída formalmente no início do ano, a VBC se dedica exclusivamente ao setor de energia. ‘Olhamos com carinho todas as privatizações das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste’, diz Brito. Ao contrário dos novos controladores da Norte-Nordeste, a AES do Brasil, controlada pela AES norte-americana, já tem planos de investimentos para a distribuidora Centro-Oeste nos próximos cinco anos. Serão aplicados 150 milhões de dólares anuais na melhoria da rede, qualidade dos serviços e atendimento à demanda reprimida.

Conforme o presidente da empresa, Luiz David Travesso, o objetivo da AES era vencer a Centro-Oeste – ela apresentou a mesma proposta financeira para as duas – em função da área de abrangência incluir Uruguaiana, onde ela investe 350 milhões de dólares na construção de uma usina a gás. Travesso revela que a empresa já estuda a implantação de uma nova linha a gás no Estado. A decisão sairá em breve e a definição do local está ligada ao aumento do fornecimento de gás argentino e à interligação com o gasoduto da Bolívia.

Já o diretor executivo do Banco Bozano, Simonsen, José Luiz Alqueres, disse que os enormes ágios alcançados nos dois leilões são um recado muito claro a respeito da atratividade do setor elétrico e da própria economia brasileira. ‘Quem paga ágios como os que aconteceram no RS está apostando no mercado e no potencial do setor elétrico. Os investidores jogaram alto porque avaliam o risco como muito baixo. Tenho certeza que apostaram certo’, disse.






QUEM SÃO AS OPERADORAS

-CEA(Norte-Nordeste )

Sede:EUA

Subsidiária da PSEG

Ativos de 17 bilhões de dólares

Atua nos 5 continentes

AES ( Centro-Oeste )

Sede:EUA

Ativos 5 bilhões de dólares

Faturamento 1 bilhão de dólares

Atua em 35 países

Detém 13,75% do capital da Light (RJ) e14,42 da Cemig (MG )





CORREIO DO POVO

PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 1997

Diretor da CEEE faz denúncias



O surpreendente ágio (88% na média) obtido com venda das duas distribuidoras de energia da CEEE pode ter sido alcançado a partir da ‘maquiagem’ de alguns balanços da estatal. A denúncia foi feita pelo diretor de Pessoal da empresa e vice-presidente do Senergisul, Manoel Valente. Ele usou a análise financeira da companhia como base de uma ação popular impetrada na 1ª Vara da Fazenda Pública.

A intenção da ação era impedir o leilão ou sustar seus efeitos, mostrando que os demonstrativos foram alterados para reduzir o patrimônio da empresa. A titular da 1ª Vara, juíza Lúcia de Castro Boller, não deferiu o pedido, solicitando informações complementares.

Depois de passar cinco meses estudando as contas da CEEE com uma equipe de peritos, na semana passada ele concluiu que os balanços foram alterados propositalmente nos últimos anos para depreciar o patrimônio da companhia, baixando o valor mínimo de cada distribuidora na hora da venda. Segundo ele, de 95 para 96 a empresa teve o patrimônio reduzido em pelo menos R$ 500 milhões. ‘A empresa foi doada depois de ter seu patrimônio agredido’, afirmou Valente.

A desconfiança do diretor surgiu no início deste ano, quando ele se recusou a assinar o demonstrativo referente ao exercício de 96. Segundo Valente, a companhia acabou apresentando um prejuízo de R$ 529 milhões porque uma provisão de R$ 350 milhões referente a aposentados estatutários, que deveria ser paga ao longo de 15 anos, foi descontada de uma vez.

O presidente da CEEE, Pedro Bisch Neto, garantiu que não houve manipulação de balanço. ‘Isso é bobagem’, disse. ‘Valente não assinou o balanço de 96 porque queria fazer negociações específicas e não porque viu irregularidade’, afirmou.






Correio do Povo

Porto Alegre – RS – Brasil

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *