Essa notícia revela a má vontade das empresas com o consumidor, o que já é grave. Como se não bastasse, lida atentamente, revela a destruição do caráter solidário das empresas d …


Essa notícia revela a má vontade das empresas com o consumidor, o que já é grave. Como se não bastasse, lida atentamente, revela a destruição do caráter solidário das empresas do setor elétrico. Uma empresa não se responsabiliza pelos problemas ocorridos nas instalações de outra. O problema é que o sistema brasileiro é interligado e diversas capacidades do sistema dependem da solidariedade entre as empresas. Essa quebra do condomínio terá consequencias gravíssimas para a sociedade brasileira.




Globo 06/04/99

Distribuidoras de energia elétrica não querem pagar os prejuízos do blecaute


BRASÍLIA e RIO. Se depender da vontade da Associação Brasileira de

Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) nenhum consumidor que teve

aparelhos danificados durante o blecaute do dia 11 de março será

indenizado. A Associação – que hoje publica um anúncio com um comunicado

oficial sobre o caso – alega que o blecaute foi causado por um raio que atingiu

a subestação de Bauru, que não pertence a qualquer uma das distribuidoras.


O coordenador do Procon do Rio, Átila Nunes Neto, disse que o Código de

Defesa do Consumidor obriga que as distribuidoras se responsabilizem pelos

prejuízos que foram causados durante o blecaute e orienta os consumidores a

continuarem procurando o órgão para registrar suas reclamações contra as

distribuidoras:


– O Código do Consumidor determina que todos os fornecedores da cadeia

produtiva têm responsabilidade solidária pelos prejuízos causados. Essa

decisão é unilateral e não tem qualquer respaldo jurídico, já que não há uma

manifestação da Justiça.


A Abradee está baseando sua decisão no relatório preparado pelo Operador

Nacional do Sistema (ONS), explicando que um raio causou o blecaute.

Segundo a Abradee, as próprias distribuidoras deixaram de receber a

energia em virtude do desligamento havido nas áreas de geração e

transmissão.


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) só vai se manifestar sobre a

decisão da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica

depois de conhecer a íntegra do texto do comunicado que será publicado nos

jornais de hoje.


A Assessoria de Imprensa da agência reguladora, no entanto, lembrou que

todas as distribuidoras dos estados onde ocorreu o blecaute receberam cartas

da Aneel orientando sobre o procedimento de indenização aos consumidores.


O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho; o presidente da

Eletrobrás, Firmino Sampaio; o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo; e o

presidente do ONS, Mário Santos, vão explicar o blecaute e o processo de

privatização das geradoras, hoje, às 18h, no Senado. Em reunião conjunta das

comissões de Infra-estrutura e Fiscalização e Controle, Tourinho e seus

auxiliares tentarão explicar os problemas do blecaute ocorrido no dia 11 de

março e as conseqüências para a venda das empresas federais de energia

elétrica. Na quinta-feira, será a vez de Tourinho comparecer à Câmara dos

Deputados para tratar do mesmo assunto.


Para a Abradee, no entanto, o assunto está bastante claro: a Associação

considera que as distribuidoras também foram vítimas do blecaute, com o

qual tiveram prejuízos, principalmente em suas imagens junto aos

consumidores. – Ceder nessa questão é abrir um perigoso precedente para que as

distribuidoras venham, no futuro, a ser responsabilizadas, sem embasamento

legal, a pagar por todas as falhas do conjunto de empresas que formam o

sistema elétrico brasileiro – disse o secretário-geral da Abradee, Luiz Carlos

Guimarães.

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