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JB 25/8/98

Ministro critica o presidente da Light

BRASÍLIA – O ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, mandou ontem um aviso para o presidente da Light, Michel Gaillhard, sobre a possibilidade de ocorrência de blecautes no verão carioca. Brito afirmou que ficou surpreso com as declarações de Gaillhard, dadas à coluna Informe Econômico, no JORNAL DO BRASIL de domingo, de que haveria problemas no abastecimento de energia elétrica do Rio no próximo verão. "Ele deve continuar trabalhando para que não falte energia", enfatizou o ministro. Na entrevista, o presidente da Light afirmou que a empresa trabalha contra o tempo, mas torce para que o calor este ano seja menor, dando a entender que os apagões serão inevitáveis. "O dever dele é trabalhar mais e não falar bobagem", criticou o ministro.


Segundo o presidente da Light, em janeiro deste ano o consumo de energia, em comparação com o mês anterior, aumentou 22% na área residencial – que corresponde a 34% da demanda total das 30 cidades abastecidas pela empresa. Ainda de acordo com a Light, as áreas mais críticas estão na Zona Sul e Oeste do Rio. Nestas regiões e no Recreio dos Bandeirantes, segundo a Light, a Duração Equivalente de Interrupções por Consumidor (DEC) atingiu 40 horas no ano passado, enquanto a média do sistema foi 10,72 no mesmo período. Para Gaillhard, o fato de nestas áreas residirem pessoas de classes "abastadas" pode ter feito com que os apagões causassem tanta repercussão.


A Light e a Companhia de Energia Elétrica do Rio de Janeiro (Cerj) foram multadas este ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por causa dos blecautes que ocorreram no estado no último verão. A Light pagou uma multa no valor de R$ 2,016 milhões, enquanto a Cerj precisou desembolsar R$ 638 mil.


Na entrevista ao Informe Econômico, o presidente da Light afirma também que a empresa tem enfrentado problemas estruturais na rede elétrica. Segundo Gaillhard, a rede subterrânea de cabos e fios tem 2 mil quilômetros de extensão. Ele reclamou que a maioria das câmaras de luz está debaixo da terra – boa parte em lugares que dificultam o trabalho de inspeção, como calçadas e áreas particulares de edifícios. Segundo Gaillhard, muitas vezes os técnicos também têm dificuldade em podar árvores, porque os moradores e ambientalistas vêm o serviço com maus olhos, apesar de ser necessário. (Já podar empregos na área de manutenção têm sido bem fácil)

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