Esta é uma amostra de como funciona um mercado atacadista mal formulado.
Há menos de 2 meses as autoridades alardeavam risco zero para o ano de 2001. Preços do MAE baixíssimos! Agora o preço no MAE dispara anunciando oferta rarefeita. O preço do MAE, que deveria ser um sinal para o investidor, formulado da maneira que está, anuncia : Invista! Não Invista! .etc… Além disso, gera dívidas irreais que serão pagas, como sempre, pelo governo!
Enquanto sso, aumento de tarifa hoje e também no futuro. A segunda notícia é exatamente um prenuncio do inferno tarifário que nos espera. É de fazer inveja à Califórnia.
Aneel vai interferir na briga de Furnas e MAE
São Paulo, 1 – Caso não se resolva até o final dessa semana o conflito envolvendo as empresas que integram o Mercado Atacadista de Energia (MAE) e o sistema Eletrobrás, a primeira tentativa de auto-regulação do setor elétrico sem a imposição de regras pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai fracassar. O prazo para uma solução terminou ontem, mas hoje os integrantes do MAE e a Eletrobrás continuam com reuniões agendadas sobre o tema em Brasília. Por isso, a agência comandada por José Mário Abdo talvez precise entrar hoje nas discussões caso não haja acordo entre as partes. Eduardo Bernini, do MAE, disse ontem que ainda existem pendências de difícil solução como a queda na receita futura com a energia secundária ( que têm de sobra) que os credores terão de arcar. Na fórmula da Eletrobrás, ela será utilizada para a cobertura das falhas da energia nuclear. Apesar do desânimo do mercado, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, considera que 99% das pendências em torno da dívida pelo atraso das usinas nucleares estava resolvida no final da noite de terça-feira. Segundo Sampaio, o mercado (excluídas empresas do sistema Eletrobrás) já aceita receber pagamento à vista com desconto – o que reduz o valor de R$ 585 milhões para cerca de R$ 180 milhões. Entretanto, ele admite que ainda falta resolver pendências relativas ao seguro contra interrupções no fornecimento de energia gerada nas usinas nucleares de Angra no período que vai de 1º de setembro de 2000 até 31 de dezembro de 2002. O maior problema aí diz respeito à adequação desse acordo às falhas de fornecimento ocorridas no ano passado, que geraram o déficit de R$ 585 milhões hoje cobrado pelo mercado. O próprio Firmino Sampaio admite que a questão ainda precisa ser ajustada. "Nos cálculos do seguro a distribuição do ônus pode afetar algumas empresas mais que às outras. Por isso o rateio do custo ainda precisa de um ajuste", explicou ontem o presidente da Eletrobrás. A Eletrobrás quer que o conjunto das geradoras do mercado cubra o déficit das nucleares vendendo energia para o sistema com preço definido com base nos mesmos critérios do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE), que corrige os custos da produção por hidrelétricas. Ocorre que esse preço é mais barato do que o que poderia ser cobrado se essa energia fosse vendida no mercado spot. Hoje Sampaio passa o dia na sede da Eletrobrás, em Brasília, onde espera uma resposta do mercado. Fonte: Valor Online (Cláudia Schüffner e Leila Coimbra)
Tarifa no atacado tem alta de 357%
São Paulo, 2 – O volume de chuvas do mês de janeiro não foi suficiente para manter baixos os preços da energia no mercado atacadista. Em fevereiro, os contratos no curto prazo estão até 357% mais caros do que no mês de janeiro, segundo tabela divulgada ontem no site da administradora do Mercado Atacadista de Energia (MAE), a Asmae. Nas regiões Sudeste e Centro – Oeste foi registrado um aumento de 285% no megawatt/hora. Passou de R$ 56,92 no mês passado para R$ 160, 29 em todas as cargas (leve, média e pesada). Na região Sul, passou de R$ 56,92 para R$ 153,47 nas cargas leve e média. O horário de carga pesada, chamado de ponta ou pico, registrou os mesmos valores que a região Sudeste. Nas regiões Norte e Nordeste os valores tiveram o maior salto: o MWh que custava R$ 33, 87 em janeiro agora vale R$ 121,47 em todas as cargas. Segundo relatório da Asmae, a previsão de chuvas em janeiro, mês mais pluvioso do ano, não se confirmou ao longo do país. Os reservatórios das hidrelétricas, com isso, estão 25% abaixo da média histórica do período, enquanto no mês passado estavam 10% acima. Somente na região Sudeste os reservatórios estão na média prevista. No Sistema Sul, o custo de produção de energia aumentou 99% , e no Norte 23%. A Asmae também considerou as limitações do sistema de transmissão nacional, incapaz de promover intercâmbio de locais com os reservatórios cheios para os sistemas que sofreram maiores secas. Fonte: Valor Online (Leila Coimbra)
Empresas vão a Brasília cobrar dívida da Eletrobrás
RIO, 31 – Os dirigentes do Mercado Atacadista de Energia (MAE) foram hoje à tarde a Brasília para negociar amanhã, no Ministério das Minas e Energia, a dívida da Eletrobrás com 12 empresas que compraram e não receberam energia das usinas de Angra I e II, em períodos diferentes de 1998 e 1999. De acordo com o MAE, a dívida chega a R$ 281 milhões. Hoje terminou o prazo para a Eletrobrás quitar a dívida, conforme acordo assinado com os credores em dezembro do ano passado. Após dois dias de negociação com os representantes do MAE, na segunda e na terça-feira, no Rio, o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, não fechou um acordo. Estão em Brasília o presidente do Comitê Executivo do MAE, Eduardo José Bernini, e o presidente da comissão negociadora que representa as 12 empresas privadas, Fernando Quartin. Eles devem ser recebidos amanhã pelo ministro das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho. Fonte: Globo On Line (Renato Cordeiro)
Tarifa de energia terá reajuste de até 18%
Brasília, 1 – As tarifas de energia elétrica terão um reajuste entre 13,39% e 18,08% em 12 distribuidoras do interior dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo e Paraíba. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foram considerados custos da energia comprada, a conta de consumo de combustível, a reserva global de reversão, a compensação financeira, a taxa de fiscalização, os encargos de conexão e transmissão, além da variação do IGP-M dos últimos 12 a 18 meses, dependendo da distribuidora. O diretor-geral da Aneel, José Mario Abdo, explicou que os índices de reajuste que estão acima dos concedidos anteriormente não representam uma tendência para os demais reajustes deste ano. Ele disse que os reajustes foram mais altos porque foi considerado um período acima de 12 meses para que a data de reajuste das tarifas das distribuidoras coincidisse com a data de reajuste das geradoras de energia. Os reajustes definidos para cada distribuidora são os seguintes: Empresa Luz e Força Santa Maria (ES) 16,74%; Companhia Luz e Força de Mococa (MG e SP) 16,91%; Companhia Sul Paulista de Energia (SP) 16,78%; Companhia Paulista de Energia Elétrica (SP) 14,85%; Companhia Jaguari de Energia (SP) 18,08%; Companhia Luz e Força Santa Cruz (SP e PR) 15,62%; Caiua-Serviços de Eletricidade S/A (SP) 15,60%; Companhia Nacional de Energia Elétrica (SP) 14,62%; Empresa Elétrica Bragantina S/A (MG e SP) 15,34%; Empresa de Eletricidade Vale Paranapanema S/A (SP) 13,39%; Companhia Força e Luz do Oeste (PR) 17,42%; e Companhia Energética da Borborema (PB) 15,93%. Fonte: Agência Estado (Gerusa Marques)
ANEEL: Agência atualiza valor normativo
Brasília, 1 – Foram divulgados há pouco pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) os novos limites máximos de repasse que os distribuidores de energia poderão embutir nas tarifas com relação ao valor da energia que adquirem das geradoras – o chamado valor normativo (VN). Assim, o valor máximo a ser repassado para o setor de energia competitiva (que inclui hidrelétricas, termelétricas e usinas de gás natural) passa dos R$ 57,20/MWh, fixados em julho de 99, para R$ 72,35/MWh, ao passo que o relativo ao segmento de carvão natural subiu de R$ 61,80/MWh para R$ 38,13/MWh. O VN para os demais setores sofreu reajustes menores com relação aos valores de 99 – R$ 79,29/MWh (PCH), R$ 89,86 (biomassa/resíduos), R$ 112,21/MWh (energia eólica) e R$ 264,12/MWh (energia solar). "Aumentando-se o VN, estimula-se a expansão do sistema, com a construção de novas usinas", avaliou o diretor-geral da Aneel, José Mário Miranda Abdo, ressaltando que esses novos VNs aplicam-se apenas a projetos novos de geração de energia, não tendo nenhum impacto sobre os já existentes. A decisão de se reajustar os VNs decorreu da avaliação da agência de que houveram mudanças estruturais no sistema que justificam a medida. "Os preços internacionais das termelétricas aumentaram pelo menos 25% – o que aumenta o nível de investimento necessário para um projeto desse tipo". Fonte: Gazeta Mercantil (Sérgio Siscaro)