Estadão 3/3/2001 Falta de chuva pode causar escassez de energia No subsistema Centro-Oeste, por exemplo, o nível de água está em 37% RENÉE PEREIRA A falta de chuvas em determinadas áreas das regi&o …

Estadão 3/3/2001

Falta de chuva pode causar escassez de energia

No subsistema Centro-Oeste, por exemplo, o nível de água está em 37%


RENÉE PEREIRA


A falta de chuvas em determinadas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste fez acender o sinal amarelo em relação à possibilidade de escassez de energia nas duas maiores cidades do País, São Paulo e Rio de Janeiro. Os principais reservatórios dessas regiões trabalham com capacidade bem abaixo do normal. No subsistema Sudeste, por exemplo, onde o problema é mais crítico, o nível de água está em 33,4% e no Centro-Oeste, em 37,71%, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No mesmo período do ano passado, a energia armazenada no Sudeste era de 45%, explica o diretor titular de Infra-estrutura da Fiesp, Pio Gavazzi.


Para conseguir sustentar a demanda de energia no período de seca, que começa em maio e vai até outubro, os reservatórios teriam de armazenar até o fim de abril 50% de energia potencial (água). Para isso, é necessário chover, pelo menos, 90% do índice histórico para março e abril – 159,8 milímetros e 75,8 milímetro, respectivamente.


O problema está em Minas Gerais e Goiás, regiões onde estão localizados os maiores reservatórios do País, que abastecem principalmente a região Sudeste e Centro-Oeste. Nessas áreas, o índice de chuva ficou bem abaixo do esperado. A situação só não é pior porque as chuvas de dezembro conseguiram elevar um pouco os níveis dos reservatórios. Mas os meses de janeiro e fevereiro decepcionaram os técnicos, que agora mostram-se preocupados com o risco da falta de energia. "Estamos consumindo toda água que entra", comenta Gavazzi.


Transferência – Enquanto isso, a energia armazenada nos reservatórios da região Sul chega a quase 100%. Atualmente, segundo técnico do ONS, para manter o fornecimento adequado de energia no Sudeste estão sendo transferidos diariamente cerca de 1 mil megawatt (MW) gerados nas regiões Norte e Sul, o que equivale à energia produzida pela usina Angra II.


Esta quantidade de energia poderia ser maior, explica o técnico, com a ativação do terceiro circuito da hidrelétrica de Itaipu e com a construção de mais linhas transmissão. Por enquanto, a capacidade dessas bacias ainda é pequena para solucionar o problema.


Segundo Gavazzi, a situação é crítica, mas é preciso aguardar os próximos dias para ter um diagnóstico preciso sobre os riscos de escassez de energia.


O secretário do Ministério de Minas e Energia, Xisto Vieira Filho, considera prematuro falar em racionamento de energia em função da falta de chuva, uma vez que a estação das chuvas ainda não terminou. "A situação dos reservatórios não é boa, mas ainda é cedo para pensar em racionamento."


Segundo ele, o problema não é a quantidade, mas o local das chuvas.


Na avaliação de Gavazzi, a situação atual é decorrente da falta de investimento no setor nos últimos anos. Há três anos, por exemplo, os reservatórios eram suficientes para mais de um ano de consumo. Para ter idéia, explica, em 1997, os reservatórios terminaram o período de seca com aproximadamente 66% de energia armazenada. No ano passado, esse número ficou em 18%. "Em três anos, conseguimos gastar toda nossa energia potencial."


Segundo ele, com a falta de chuva, o País não vai conseguir elevar os níveis dos reservatórios como em épocas anteriores. A única solução será apressar o projeto das térmicas a gás. O temor é que os problemas políticos dos últimos dias, que derrubou Rodolpho Tourinho do Ministério de Minas e Energia, interrompa os projetos em andamento. Além disso, ainda não foi definido o nome de dois substitutos de diretores da Aneel. (Colaborou Gerusa Marques/AE)

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