Explicações
Será que não há uma autoridade do governo anterior que venha explicar a troco de que se construiu um modelo que descumpre o princípio da modicidade tarifária, constante da lei de concessões 8987, em claro desrespeito ao interesse do consumidor? Como se contratou energia tão cara quando havia opções muito mais baratas? Não há um contrato implícito entre a sociedade e as autoridades públicas que reza que essas devem preservar o interesse da sociedade e não o de grupos econômicos? A suspensão do pagamento da COPEL é uma quebra de contrato? Evidentemente que é! Mas, será que a manutenção da sangria em US$ da melhor empresa distribuidora do Brasil, indiscutível malefício para a sociedade paranaense, tambem não é?
Valor 18/02
El Paso espera que Copel cumpra acordo
Cláudia Schüffner e Rodrigo Carro , Do Rio
Principal acionista da térmica de Araucária, da qual tem 60%, a El Paso prefere não se pronunciar sobre a ameaça do governador do Paraná, Roberto Requião, de cancelar o contrato da Copel com a usina. Os outros sócios são a Petrobras e própria Copel, cada uma com 20%. Ontem, o presidente mundial da El Paso Energy, William Wise, esteve no Palácio Guanabara onde se encontrou com a governadora do Rio, Rosinha Matheus, mas evitou contato com a imprensa.
Em nota conjunta, El Paso e Petrobras informam que "até o momento não receberam nenhum comunicado oficial a este respeito (cancelamento do contrato)" e que esperam que a Copel "cumpra com suas obrigações contratuais". O diretor de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, foi procurado, mas a informação é de que ele passou o dia na reunião da diretoria executiva.
A usina de Araucária custou US$ 368 milhões e ficou pronta no final do ano passado. O projeto, que data de 2000, só deslanchou depois de a Copel ter assinado um PPA (Power Purchase Agreement), garantindo a compra da energia gerada pela usina. Agora, a El Paso está negociando no mercado externo um financiamento de 75% do total. Quando anunciou a negociação, a empresa americana disse que as condições do futuro financiamento comprovam a viabilidade do projeto.
Durante a crise de energia, foi a assinatura de PPAs pelas distribuidoras de energia, Petrobras e Eletrobrás que viabilizou os financiamentos para construção das usinas. Apesar de estarem previstos no Programa Prioritário de Termeletricidade, os projetos não saiam do papel devido a problemas como a não possibilidade de repasse da variação cambial do gás importado da Bolívia.
Folha 18/02
Para Requião, contrato com térmicas quebraria a Copel
SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador do Paraná, Roberto Requião, justificou ontem a suspensão dos pagamentos da compra de energia de origem térmica pela Copel, no valor de R$ 1,3 bilhão por ano, pois, caso contrário, "a quebra da empresa seria inevitável". A explicação foi dada durante a reabertura dos trabalhos na Assembléia Legislativa do Estado.
Requião reafirmou sua disposição de romper os contratos assinados no governo anterior entre a estatal de energia e a Cien, empresa argentina subsidiária do grupo espanhol Endesa, e a termelétrica de Araucária, controlada pela americana El Paso.
A Copel paga o equivalente a US$ 28 por megawat/hora (MWh) da energia importada da Argentina pela Cien e US$ 42 o MWh da Araucária. Mas, com a queda do consumo após o racionamento, não tem a quem repassá-la. A empresa acaba tendo de revendê-la, com prejuízo, no MAE (Mercado Atacadista de Energia). "Se for negociar essa energia no mercado, ela não vai conseguir mais do que R$ 4 por megawat/hora", diz Requião.
O governador classificou os contratos assinados de acordo com o sistema "take or paiy" (pegue ou pague) como fruto de uma "matemática da estupidez ou da prevaricação". Esse tipo de contrato determina que os pagamentos devem ser feitos mesmo que a energia não seja usada pelo comprador.
Quando foram firmados, em 1998, antes do racionamento, as projeções no setor elétrico eram de aumento da demanda em todo o país nos anos seguintes. Segundo informa a direção da Cien, em comunicado oficial, "os contratos foram negociados ao longo de dois anos para aliviar o déficit energético do Brasil e foram cumpridos até dezembro do ano passado".
Para viabilizar o fornecimento, a Cien investiu, na época, US$ 700 milhões na chamada "Interconexão Brasil-Argentina, a construção de linhas de transmissão para fazer chegar ao Sul e Sudeste, a energia gerada no país vizinho.
"Os investimentos foram financiados pelo BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento" e pelo KfW, um banco de fomento, que já estão cientes da situação", diz o comunicado da Cien.
O projeto foi aprovado, na época, pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Segundo informação da Cien, incluía além dos 800 MW contratados pela Copel, 700 MW para Furnas, 300 para a Tractebel e para a 200 Cerj. Essas três empresas estão com os pagamentos em dia.
O analista do setor elétrico do Unibanco, Sérgio Tamashiro, lembra, porém, que os contratos com as três distribuidoras não é pelo sistema "take or pay". "Elas pagam um custo fixo mensal equivalente a um terço do desembolso da Copel".