Falta de chuvas provoca alta nos preços do mercado a vista
Contratos do MAE para abril sobem entre 50% e 60% em todas as Regiões do País
JANDER RAMON
A escassez de chuvas no País fez com que disparassem os preços da energia spot (a vista, para abril) do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE). Os custos do megawatt-hora (MWh) subiram 61,27% na Região Sul, nos níveis de consumo médio e leve, 60,39% no Norte e Nordeste do País, e 51,94% no Sudeste e Centro-Oeste. Os valores são os maiores desde setembro de 2000, quando o MAE entrou em operação.
De acordo com o boletim da Administradora dos Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (Asmae), a alta em abril resulta das condições hidrológicas desfavoráveis. "Para abril, as previsões de energias afluentes (quantidade de água que chega aos reservatórios) continuam indicando um cenário desfavorável para o Sudeste e, principalmente, para a Norte", informa o boletim. No Sudeste e Centro Oeste, o preço do MWh para o mercado spot ficou em R$ 252,18 independente da carga (pesada, média e leve) em abril. Em março, o preço era de R$ 165,97. Esses preços também valem para a carga pesada – de segunda a sábado, das 18h às 21h – na Região Sul.
Nas cargas média (de segunda a sábado, das 7h às 18h e das 21h às 24h, e aos domingos e feriados das 17h às 22h) e leve (de segunda a sábado das 24h às 7h, e aos domingos e feriados das 0h às 17h e das 22h às 24h), os preços do MWh no Sul subiram de R$ 149,84, em maio, para R$ 241,65, em abril. O reajuste no Norte/Nordeste, que têm os mesmos preços para os três níveis, ficou em 60,39%.
Segundo a Asmae, na comparação da média histórica dos últimos 65 anos, as chuvas de março no subsistema Sudeste ficaram 30% abaixo das verificadas em anos anteriores. Em fevereiro, o índice já estava 29% abaixo da média histórica. Para abril, a Asmae prevê uma pequena melhora no índice pluviométrico, mas ainda preocupante. A expectativa é de que as afluências sejam 19% menores do que a média histórica. (AE) Estado de São Paulo 31/3/2001
Uma mixaria! R$ 252,18 por 1 MWh? Baratíssimo! Há um consumidor querendo comprar toda a energia disponível! Sabem o nome desse comnsumidor? Somos nós mesmo, os "consumidores brasileiros" em outubro de 2001!
Pela notícia, a ASMAE parece não estar dando muita bola para a crise. Também, com um "custo de racionamento" de apenas R$ 680….
Indústria de SP desperdiça até 40% de energia
Fiesp firma convênio para divulgar formas de racionalização a empresários do setor
ISABEL DIAS DE AGUIAR
O desperdício de energia elétrica em algumas indústrias de São Paulo chega a 40% do seu consumo. Equipamentos obsoletos, aparelhos de ar-condicionado desregulados, falta de planejamento para iluminação e para os serviços de manutenção e de limpeza são alguns dos principais motivos do desperdício. Na tentativa de levar os empresários a racionalizar o uso de energia, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) firmou ontem convênio com a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). Por meio dessa entidade, pretende desenvolver programas de conscientização do uso de energia.
Seminários, reuniões e constituição de grupos de trabalho com a participação de empresários serão alguns dos instrumentos para divulgar alternativas para o desperdício. A empreitada, se acatada pela classe empresarial poderá resultar em bons resultados financeiros. A Abesco é uma entidade fundada há cinco anos, cujos associadas, a maioria empresas de engenharia, não têm conseguido sucesso em seus negócios. O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, reconhece que os dirigentes de indústrias estão atentos à qualidade de seus produtos, mas nem sempre se preocupam com a racionalização do consumo de insumos essenciais, como a energia elétrica.
O risco de racionamento de energia por causa das chuvas insuficientes durante o último verão despertou o interesse pela racionalização de energia.
Mas isso, segundo o presidente da Abesco, Eduardo Moreno, não resultou ainda em iniciativas concretas para a economia de energia.
"Se os reservatórios das hidrelétricas estivesem cheios, a assinatura desse convênio não teria despertado tanta atenção", afirmou o secretário estadual de Energia, Mauro Arce. Segundo afirmou, a conservação de energia tem o correspondente efeito de preservar a natureza. "Não se consegue gerar energia, sem afetar o meio ambiente."
Arce permanece cético em relação à hipótese de haver racionamento de energia nos próximos meses. O secretário de Estado reagiu quando a Fiesp emitiu comunicado advertindo os associados sobre a possibilidade de racionamento.
Isso ocorreu há três meses, lembra, e desde então a situação se agravou com a insuficiência de chuvas.
Pouco a fazer – O diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Fiesp, Pio Gavazzi, explicou que as empresas têm muito pouco a fazer, a curto prazo, para se precaver do racionamento de energia, caso ele ocorra nos próximos meses. As providências só terão resultado a médio prazo.
Cálculo feito pelo presidente da Abesco indica que a racionalização do consumo poderá levar a uma economia de 10% do consumo industrial, que no Estado de São Paulo é de 6,36 mil MW. Arce acha que o resultado pode ser ainda melhor se cada um dos 40 milhões de consumidores do País apagar uma lâmpada de 100 watts. "Representaria uma economia de 4 mil MW, que viria se acrescer à oferta nacional de energia." Estado de S. Paulo 31/3