Análise do ILUMINA: O festival de palermices continua.
- Como já denunciamos aqui, mesmo sabendo que o nosso sistema conta com caixas d’água que funcionam como reservatórios de energia, o país assiste impassível o estrangulamento do sistema de transmissão.
- Até a ex-presidenta sabia que “vento poderia ser estocado”! Mas para isso é necessário que esse vento seja transformado em energia elétrica e transmitido para aliviar os reservatórios. Sem linha não há solução.
- O Brasil nem merecia receber a dádiva do gráfico abaixo e que é simples de interpretar, mas, até agora o governo não entendeu: Quando as afluências estão baixas venta mais!!!!

- O que a presidenta esqueceu é que com o pacote desmonte (MP 579) que ela aplicou na Eletrobras, não há recursos para que a empresa entre nos leilões. Afinal, para não incomodar interesses privados, a filosofia adotada foi de que nem linha e nem usina antiga geram sequer 1 Real para construir linhas ou usinas novas. Por isso a conta de energia ficou tão baratinha!
- E a energia de reserva? Um pomposo nome que não teme incoerências. De um lado, contratos feitos sob a alcunha de “garantia física”. Do outro, por baixo do pano, a energia de reserva, porque todos sabem que a garantia não é garantida e sequer física é. E la nave va!
- Se um sistema precisa de energia de reserva é porque há algum temor de que o suprimento está ameaçado. Ora, se a carga não cresce e ainda há esse “sofrimento”, que tal se a carga se reduzisse? Sabem o que pode fazer esse milagre? O sol! Geração distribuída! Telhados! Casas mais frescas! Só que, tapando o astro nesse país tropical, a exigência de produção nacional das fotovoltaicas. Certamente, nada mudou!
http://ilumina.org.br/a-sensacao-dos-7×1-continua-forte-artigo/
- Mas, apesar dessa outra obviedade, só se pode mesmo apreciar mais do mesmo. O “pujante” setor privado precisa de BNDES. Nada mudou.
Camila Maia
As empresas de energia renovável enfrentarão um obstáculo significativo ao desenvolvimento de seus projetos nos próximos anos: a dificuldade de financiamento. Esse será um dos maiores desafios ao setor de renováveis, que já vem sendo pressionado pela falta de linhas de transmissão para escoamento da energia gerada. Para o leilão de energia de reserva (LER) de dezembro, por exemplo, ficaram de fora projetos localizados no Rio Grande do Norte (RN), Bahia (BA) e Rio Grande do Sul (RS), uma vez que a capacidade instalada atual já atingiu os limites de escoamento dos Estados. A mudança do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve ser combinada a um cenário de crédito restrito, colocando ainda mais obstáculos a serem superados no segmento. De acordo com a CELA Clean Energy Latin America, que presta assessoria financeira e estratégica a empresas e investidores do segmento na América Latina, os investimentos totais em geração de energia renovável devem somar cerca de R$ 200 bilhões até 2025.
A projeção leva em conta estimativas preliminares do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de 2025, que estimam a necessidade de entrada de 38,1 gigawatts (GW) de potência de fontes eólica, solar e biomassa até 2025. Supondo a taxa média de 60% de alavancagem, eles precisariam de R$ 120 bilhões em financiamento. Isso representa cerca de R$ 22,2 bilhões em investimentos por ano até 2025, sendo que R$ 13,3 bilhões serão financiados. Levando em conta a diretriz do governo de reduzir o papel do BNDES nesses investimentos, o desafio dos empreendedores é enorme. Para Eduardo Tobias, diretor da CELA, a visão apresentada no PCE preliminar da EPE era muito otimista e refletia números que ainda não incorporavam a queda na demanda por energia no país e nem que alguns projetos vencedores de energias renováveis poderão não ser construídos. “Este revés, tanto na demanda quanto na oferta, devese principalmente à recessão da economia brasileira, ao reajuste das tarifas elétricas a partir de 2015 e à volatilidade cambial”, disse Tobias. Mesmo considerando que a expansão da matriz de energia renovável seja de 75% da potência projetada pela EPE, os investimentos ainda seriam muito elevados, da ordem de R$ 150 bilhões. Supondo alavancagem de 60%, seriam R$ 90 bilhões em 9 anos, ainda um desafio muito grande. O problema fica maior quando se consideram as mudanças nos financiamentos “tradicionais” para o setor. Recentemente, o BNDES aumentou o limite de alavancagem da fonte solar de 70% para 80% dos itens financiáveis, mas manteve em 70% para outras fontes renováveis, como as eólicas. Segundo cálculos da Cela, porém, o limite real de alavancagem em solar é muito menor, devido a realidade do ritmo de desenvolvimento da cadeia de produção do setor. Como há a exigência de fabricação local de células, o limite chega a 57% no leilão de energia de reserva (LER) do início de dezembro. Se a regra vigente for mantida, pode chegar a 0% para os vencedores dos leilões de 2017, em função da exigência de fabricação local das células.
No caso das eólicas, os limites do BNDES foram mantidos em 70% dos itens financiáveis, mas o banco começou a sinalizar recentemente para o setor sua preferência por operações indiretas ou mistas, com a presença de agentes repassadores, segundo a Cela. Essa prática não altera diretamente o volume de capital alocado ao setor pelo BNDES, mas traz um aumento significativo no custo de financiamento para os empreendedores, diz a consultoria. As debêntures de infraestrutura poderiam ser uma alternativa para ajudar na expansão do setor, mas ainda estão muito longe disso. Conforme a Anbima, desde a criação do instrumento, em 2011, até o início deste mês, tinham sido emitidos R$ 16,7 bilhões em debêntures de infraestrutura. Desse montante, no entanto, apenas R$ 3,9 bilhões tiveram como destino o setor de energia, incluindo geração e transmissão. O montante alocado em geração de energia renovável, excluindo grandes hidrelétricas, é ainda menor. Foram dez emissões de complexos eólicos, somando R$ 636,8 milhões, nenhuma de bioenergia ou solar e algumas poucas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O próximo leilão de energia exclusivo para fontes renováveis está marcado para 16 de dezembro, com a negociação de projetos das fontes solar e eólica.
2 respostas
Roberto e a transmissão? Esse segmento traz uma estratégia para o País pois é o vaso comunicantes do setor elétrico. Parece-me que o foco é somente a Geração. E há interesses de países que tratam a energia como um bem estratégico .Vejam a quantidade de km de LT s com empresas chinesas. O MME e o CADE poderiam fazer um levantamento se há uma empresa dominante atrás do sistema de transmissão e o governo , MME por exemplo ,poderia levantar as compras e vendas de concessões após Leilões. Compram e revendem.Business somente e o brasileiro bem o brasileiro. . …… E como a tônica da estrategia brasileira é arrecadar dinheiro, vender empresas Estatais pois o Estado tem q arrecadar os experientes estrangeiros- que tem uma eternidade de conhecimento estratégico- vao nos mostrar como se atua em um setor estratégico. Para não me alongar nem toco na destruição da Eletrobrás onde qq País trataria como uma arma para ações estratégicas. Nesse ponto os militares tinham uma visao estrategica.Tudo como dantes na casa dos Abrantes.
É sempre bom lembrar que existe essa coisa estranha chamada transmissão. Sem ela a energia não sai da geradora, não chega ao consumidor. Sem financiamentos, quem se aventura nesse negócio?