FOLHA DE S.PAULO 25.11.97 São Paulo, terça, 25 de novembro de 1997. PRIVATIZAÇÃOPapéis serão emitidos pela Companhia Paulista de Ativos, que consolidou parcela das dívidas de S. Paulo U …

FOLHA DE S.PAULO 25.11.97



São Paulo, terça, 25 de novembro de 1997.




PRIVATIZAÇÃO

Papéis serão emitidos pela Companhia Paulista de Ativos, que consolidou parcela das dívidas de S. Paulo

Usinas poderão ser compradas com títulos

CLÁUDIA TREVISAN

da Reportagem Local

Credores do Estado de São Paulo poderão usar títulos da CPA (Companhia Paulista de Ativos) na privatização das três usinas do Rio Pardo pertencentes à Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

O secretário da Energia de São Paulo, David Zylbersztajn, acredita que o primeiro leilão de títulos da CPA será realizado em dezembro. A privatização das três usinas será no dia 14 de janeiro.

A CPA consolidou alguns débitos do Estado. Os detentores dos créditos respectivos poderão adquirir títulos da CPA e utilizá-los como moeda em privatizações.

No caso das usinas do Pardo, a primeira privatização em que o sistema será adotado, os títulos poderão ser usados para pagar 30% das ações pertencentes ao Tesouro do Estado e à CPA (que detêm 31,4% do capital das usinas).

Ontem foi realizada na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) audiência pública para discussão de dúvidas sobre o processo de privatização das três usinas, que foram reunidas na Companhia de Geração de Energia Elétrica do Pardo, uma subsidiária da Cesp.

As três usinas produzem 2,2% de toda a energia gerada pela Cesp. O preço mínimo ainda não está definido. Contabilmente, os ativos da empresa são avaliado em R$ 124 milhões. Zylbersztajn acredita que o preço mínimo ficará próximo de R$ 200 milhões.

Segundo o secretário, dez grupos já haviam se inscrito até ontem para visitar as usinas e receber informações técnicas sobre elas.

Entre os interessados, estão a Alcoa e a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que foi privatizada no dia 5. A CPFL é controlada pela VBC Energia (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e Bonaire Participações (que reúne sete fundos de pensão).








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São Paulo, terça, 25 de novembro de 1997.






Sindicato faz proposta à Cesp

da Reportagem Local

O presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Enir Severino da Silva, propôs ontem que a Fundação Cesp assuma as três usinas do rio Pardo como forma de pagamento de parte da dívida que a Cesp tem com a entidade.

A Fundação Cesp é o fundo de pensão dos funcionários das três empresas de energia elétrica do Estado: Cesp, Eletropaulo e CPFL.

Segundo o presidente do sindicato, a Cesp deve R$ 500 milhões à entidade. O presidente da Cesp, Andrea Matarazzo, diz que o valor é de R$ 480 milhões e que a dívida foi negociada. A reivindicação do sindicato será analisada pelo Programa Estadual de Desestatização.

Todos os recursos obtidos com a privatização das usinas serão usados para abater a dívida da Cesp, próxima de R$ 9,7 bilhões. O débito era de R$ 12,5 bilhões, mas foi reduzido com a privatização da CPFL, empresa da qual a Cesp era acionista majoritária.

A venda das usinas do rio Pardo é a primeira etapa de privatização da Cesp. No dia 18 de março, será vendida a parte de distribuição de energia da empresa, avaliada entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

Em maio será privatizada a área de geração. O governo ainda não decidiu se essa área será vendida em bloco ou dividida em duas. David Zylbersztajn diz que a tendência é vender a empresa em bloco.

A área de transmissão ficará com o Estado. A Eletrobrás poderá assumir parte das ações como pagamento do crédito de R$ 2,3 bilhões que tem junto à Cesp. (CT)





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30% dos empregados da CPFL levam ações

da Reportagem Local

Levantamento feito pelo Clube de Investimentos dos Empregados da CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), recém-privatizada pelo governo do Estado de São Paulo, indica que cerca de 30% dos trabalhadores da empresa participaram do processo de oferta de ações aos funcionários.

Ao todo foram negociados 83.714 lotes de mil ações -incluindo ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto)-, o que dá aos empregados o controle de 0,6% do capital social da energética.

Segundo Vicente Andreu, presidente do clube de investimentos, o custo geral da operação foi de R$ 11.233.210,30.

A maior parte das ações compradas -83.702 lotes- corresponde às ordinárias e tiveram o maior deságio entre as oferecidas aos empregados: 40%.

Ainda foram negociados dois lotes de mil de ações ordinárias com deságio de 20% (ao custo de R$ 357,80) e dez lotes de mil ações preferenciais (por R$ 1.719,20).

As regras estabelecidas para a privatização determinam que os novos controladores da energética terão de comprar as ações não adquiridas pelos funcionários pelo preço do leilão -R$ 380 o lote de mil- e ainda cobrir o valor do desconto a que o clube teve direito.

Isso significa que a VBC Energia, nova proprietária da CPFL, poderá desembolsar, além dos R$ 3,015 bilhões comprometidos no leilão, mais R$ 510.766.789,70.

O governo estadual adiou por 30 dias a compra das ações preferenciais, o que pode ampliar a presença dos empregados na negociação e, consequentemente, diminuir os gastos da VBC Energia com a compra da CPFL.

As ações preferenciais oferecidas equivalem a 2,87% do capital social da energética e, segundo Andreu, serão vendidas aos empregados com um deságio de cerca de 15%, o que fixa o valor de R$ 171,90 pelo lote de mil.

A participação dos trabalhadores foi financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que concedeu uma linha de crédito de R$ 50 milhões aos funcionários.

(PATRICIA ZORZAN)


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