http://www.valor.com.br/brasil/4187686/geradoras-mostram-cautela-com-mp-688
Comentário:
Inicialmente é preciso salientar que a notícia é do Valor Econômico, mas, se você não for assinante como o ILUMINA, pode ler a matéria completa no link abaixo, que simplesmente copia o texto sem acrescentar nenhuma informação.
http://www.gestaosindical.com.br/geradoras-mostram-cautela-mp-688.aspx
Ficamos sempre muito curiosos para saber se o jornal Valor irá adotar com a Gestão Sindical o mesmo critério restritivo que adotou com o Ilumina ao decidir não publicar mais análises do instituto por considerar que praticamos clipping de notícias.
Quanto à reportagem, chama atenção a frase: os custos incorridos desde o começo deste ano – o pior da série histórica.
É preciso esclarecer que o GSF não depende exclusivamente de S. Pedro. A gestão dos reservatórios nos períodos passados é fator essencial. Se a declaração vem de algum representante do governo, é evidente que se procura desesperadamente uma justificativa. Mas, se é uma posição da reportagem, está totalmente equivocada.
Já mostramos diversas vezes o gráfico abaixo, mas parece que é preciso repeti-lo.

Os anos mais secos do que 2014 são: 1953, 1934, 1955, 1971, 1944, 1954, 1969, 1933, 1963. Isso quer dizer que, se as afluências que ocorreram nesses anos se repetissem agora, a situação seria bem pior.
Seriam os meses de 2015? Ainda assim a frase não conta a verdade, pois, lá está, em vermelho, o atual ano de Janeiro a Julho comparado com o mesmo período dos outros anos do histórico:

Mais secos do que 2015: 1953, 1971, 1955, 1934, 1969, 1956, 2001,1954 1975, 1944.
Mas tudo isso é bobagem quando se depara com o teor da MP 688. Mais uma jabuticaba.
Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Parece que o governo não entende essa frase. O déficit hídrico é um custo operacional e o que se está propondo é tratar esse custo como se fosse um “ativo” a ser amortizado. Afinal, para o ILUMINA, só um novo investimento justificaria a extensão do período de concessão.
Além disso, mais um número mágico surge na trapalhada elétrica: 12%. De onde veio esse critério? Seria proporcional ao número de meses? Número dos apóstolos? Como as laranjas e bananas vendidas a dúzias?
2 respostas
Roberto,
Pelo que eu entendi da MP, além de tudo que você disse ainda existe um ponto que é uma verdadeira piada de mau gosto, ou seja, a criação de um fundo onde serão depositados os R$ obtidos com a geração nas hidrelétricas, superior a garantia física de cada uma quando possível, para ser usado quando devido a hidrologias menos favoráveis for necessária uma maior geração térmica.
Resumindo, além de oficializar a operação para esvaziar de forma prematura os reservatórios, a MP engana os consumidores ao depositar no fundo o montante em R$ obtido com a geração hidrelétrica acima da garantia física, calculado com uma tarifa bem menor do que aquela decorrente de uma maior utilização de geração térmica futura.
O custo associado a diferença de tarifa considerando o mesmo montante de MWh vai sobrar para o consumidor.
José Carlos:
O texto da MP é tão confuso que não se sabe exatamente de onde vêm esses recursos que você cita. Se os R$ obtidos da geração acima da garantia física viessem dos misteriosos e secretos contratos do mercado livre onde está tudo indexado ao PLD, o ILUMINA seria a favor. O que é preciso ser explicado é por que, na parca transparência da CCEEE, quando o PLD vai abaixo de R$ 50 ou 60, os contratos mensais aumentam uma barbaridade. O Brasil é um país tão estranho que a coisa mais óbvia têm dificuldade de ser entendida. As barragens, as turbinas, os geradores são dos donos das usinas, mas a água que passa por ali não. Se os consumidores têm que pagar mais porque não tem água, têm que pagar menos quando têm muita.
Por esse óbvio motivo o ILUMINA sempre defendeu a contratação por capacidade ou disponibilidade. A receita do investidor é proporcional à sua capacidade de produzir energia mas não à energia produzida, porque a matéria prima, a hidrologia não é dele.