Globo 10/09/98 BNDES financiará quem arrematar a Gerasul RIO e BRASÍLIA. Os vencedores do leilão de privatização da Gerasul, que será realizado dia 15 na Bolsa de Valores do Rio, terão fi …

Globo 10/09/98


BNDES financiará quem arrematar a Gerasul


RIO e BRASÍLIA. Os vencedores do leilão de privatização da Gerasul, que será realizado dia 15 na Bolsa de Valores do Rio, terão financiamento do BNDES – a juros de 10% ao ano mais spread de 5% ao ano – para cobrir 40% do preço mínimo de R$ 945,7 milhões. Se o govêrno empresta a juros de 10% e toma do mercado a 29% , transfere renda para o setor privado! (parece que nem essa taxa convenceu os investidores). Enquanto isso, em outro ministerio, corta-se o orçamento da saúde e educação.


Conforme o que o BNDES decidiu ontem, o prazo para saldar o financiamento é de cinco anos, com um de carência incluído.


O objetivo da decisão de abrir a linha de financiamento, de acordo com o BNDES, é maximizar a receita a ser obtida com a venda da empresa no leilão e, assim, garantir que ela seja arrematada comágio. Então o negócio é garantir ágio? Não seria mais fácil fazer uma avaliação correta da empresa?


O BNDES informa que muitas empresas, nacionais e estrangeiras, estão interessadas na aquisição da Gerasul, mas vêm enfrentando dificuldades de obter financiamento, na presente conjuntura de crise financeira internacional.


No leilão, serão vendidas 228 mil ações ordinárias, correspondentes a 50,01% do capital votante e a 42,13% do capital total da empresa.


Em Brasília, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, previu ontem que dez consórcios vão participar do leilão de privatização da Gerasul, geradora de energia elétrica federal. Ontem, a Aneel aprovou a participação das 32 empresas que formularam a pré-habilitação junto à Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa do Rio.


Uma comissão de técnicos da autarquia analisou os documentos apresentados e deu o aval para que essas companhias possam se preparar para o leilão de venda da Gerasul. O resultado foi encaminhado, ontem à noite, para a CLC. Na relação da Aneel estão empresas nacionais e estrangeiras, além da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.


– A nossa equipe analisou questões como, por exemplo, a participação dessas companhias no setor elétrico nacional, e concluiu pela aprovação de todas as empresas que foram pré-habilitadas na CLC – informou José Mário Abdo.


Foi o Conselho Nacional de Desestatização (CND) que fixou o preço mínimo de 50,1% do capital votante da Gerasul. Segundo Abdo, a crise financeira mundial não vai reduzir o interesse dos investidores nesta privatização seja, no mercado especulativo. Quem entra numa disputa dessas sabe que os ganhos se darão ao longo dos 30 anos do contrato de concessão. Além disso, o setor elétrico brasileiro dá sinais de confiança aos empresários – comentou Abdo.


O diretor-geral da Aneel assinou ontem o contrato de concessão com a empresa Queiroz Galvão para a construção da Usina Hidrelétrica Santa Helena, no município mineiro de Nanuque. O grupo privado vai investir R$ 100 milhões nas obras da hidrelétrica e a previsão é de que o complexo entre em funcionamento em dezembro do ano 2000.


Ricardo Queiroz Galvão, diretor da construtora, disse que a usina terá uma potência instalada de 60 megawatts, o que daria para abastecer uma cidade com 500 mil habitantes. Nessa cidade, cada habitante só consome o equivalente a uma lampada de 40 W acesa por pouco mais de1 h por dia. Façam as contas, e entendam a tendenciosidade da notícia e o que é a expansão privada.


O fornecimento de energia pela hidrelétrica servirá para atender aos municípios do Nordeste de Minas Gerais, do Sul da Bahia e do Norte do Espírito Santo. Durante as obras, está prevista a oferta de 1.300 empregos, entre diretos e indiretos.

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