GLOBO 6/9/98 Leilão da Gerasul já tem 17 estrangeiros interessados Ramona Ordoñez Em meio ao furacão nos mercados, o Governo federal teve uma boa notícia: pelo menos 17 empresas estrangeiras de grande …

GLOBO 6/9/98



Leilão da Gerasul já tem 17 estrangeiros interessados

Ramona Ordoñez



Em meio ao furacão nos mercados, o Governo federal teve uma boa notícia: pelo menos 17 empresas estrangeiras de grande porte – muitas das quais nunca investiram no Brasil -, duas companhias brasileiras e um fundo de pensão se inscreveram na sexta-feira na Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa do Rio para participar do leilão da Gerasul, marcado para o próximo dia 15. A companhia será a primeira geradora de energia elétrica a ser privatizada no país. Entre as estrangeiras estão as francesas Eléctricité de France (EDF) e Total; a British Gas; a chilena Endesa, controlada pelos espanhóis; e as americanas AES, Duke, Southern Energy e Amoco. Entre os grupos nacionais estão VBC (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa) e Previ, o maior fundo de pensão do país, dos funcionários do Banco do Brasil.


Os executivos do BNDES comemoraram o sucesso obtido na pré-identificação dos interessados na Gerasul, que será vendida pelo preço mínimo de R$ 945,7 milhões. A Gerasul está atraindo até mesmo empresas cujo principal negócio não é energia elétrica, mas sim petróleo, como são os casos da americana Amoco (através da Panamerican Energy) e da francesa Total.


O presidente do Dresdner Kleinwort Benson, Winston Fritsch, acredita que as negociações que estão sendo travadas entre os potenciais investidores deverão resultar na formação de cinco ou seis grupos. O especialista em energia elétrica do Dresdner Kleinwort Benson, Vitório Pernona, destacou que nas diversas privatizações que acompanhou em outros países da América Latina nunca viu um número tão significativo de empresas de grande porte participarem de uma privatização.


A venda da Gerasul, geradora de energia para o Sistema Sul do país,ainda divide opiniões. Enquanto alguns especialistas do mercado defendem o seu adiamento, outros acreditam que é importante que ela seja realizada na data prevista. O analista do setor elétrico doBanco Bozano,Simonsen, Alexandre Fernandes, é pelo adiamento até o fim do ano, para acabar com todas as dúvidas dos investidores em relação à regulamentação que está sendo feita pelo Governo federal. Fernandes disse que é um grande complicador o fato de a regulamentação estar saindo ao mesmo tempo em que o Governo está vendendo a companhia.


– Isso complica, porque há uma série de resoluções que foram recentemente divulgadas, com regras básicas que precisam ser analisadas e entendidas pelos investidores para realizarem suas propostas – disse.


Para Vitório Perona, a data de venda da Gerasul não deve ser adiada:


– Manter a data do leilão é importante também para o país mostrar que os grandes investidores continuam interessados no Brasil. Servirá para mostrar que o país não é a Rússia, e que não se pode comparar o país com qualquer outro da América Latina – disse Perona.


Segundo Perona, do Dresdner Kleinwort Benson, os grandes grupos internacionais que estão interessados na Gerasul não encontrarão dificuldades para levantar recursos no mercado externo, apesar do agravamento da crise financeira. Isto porque eles utilizarão recursos próprios ou então levantarão dinheiro em bancos nos quais têm facilidade de captação.


– Os grupos de grande porte têm dinheiro em caixa, fazem um cheque de US$ 2 bilhões como uma pessoa faz em sua conta corrente – afirmou Perona.


A Gerasul se originou da cisão da Eletrosul realizada no ano passado para separar a geração da transmissão de energia. A companhia tem uma capacidade instalada de 3.713 megawatts, com três usinas hidrelétricas e três térmicas a carvão.


A Gerasul é a principal geradora de energia para o Sistema Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul),além de fornecer a Furnas parte da energia vendida ao Sistema Sudeste. A Região Sul tem um mercado que está crescendo a taxassuperiores à média do país (7,8% no período 94/97, contra 5,9% para o crescimento do consumo de energia no país).


O mercado da Gerasul terá potencial de crescimento ainda maior graças ao uso do gás natural para geração de energia. E terá também a possibilidade de expansão dentro do Mercosul. – O nível de certeza agora é bem maior para os investidores em relação à regulamentação do setor, com a série de medidas e resoluções que está sendo anunciada pelo Governo. Agora se tem uma idéia mais clara de como vai funcionar o mercado – disse Perona. Segundo ele, o setor elétrico brasileiro precisa de investimentos de US$ 8 bilhões por ano nos próximos dez anos. Com a abertura do mercado, no futuro, as empresas poderão decidir o volume de investimentos que queiram realizar no país e a região onde vão investir.

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