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Para especialistas, nível de água dos reservatórios deveria chegar a 60% da capacidade; está em 54,8%
Analistas condenam fim do racionamento (Folha 16/2)FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O fim do racionamento de energia elétrica antes de terminar o período das chuvas, no final de março, é precipitado, na avaliação de especialistas e empresários.
O volume de água nos reservatórios, que na quinta-feira correspondia a 54,8% da capacidade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, é menor do que o registrado em igual período dos anos 90.
Apesar de o volume de água estar neste mês acima do verificado em 2001 (35%) e em 2000 (45%), ele está longe dos percentuais alcançados entre 91 e 99, quando variaram de 62% a 88%.
“O nível de água dos reservatórios continua muito baixo. É suficiente para atravessar este ano, mas não garante 2003”, afirma Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia) da UFRJ.
Para ele, o governo deveria esperar o volume de água dos reservatórios ocupar 60% da capacidade deles, antes de pensar no término do racionamento. “Até agora, as chuvas ajudaram. Mas como será daqui para a frente?”
A decisão da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, segundo Schaeffer, tem a ver com o fato de este ser um ano de eleição. “Esse governo não quer estar associado à crise de energia, prefere passar o problema para o próximo que entrar”, afirma.
Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, diz que o governo está otimista em relação às chuvas e ao comportamento do consumidor, pois acha que a demanda por eletricidade não voltará ao ritmo que estava antes de junho do ano passado, quando entrou em vigor o racionamento de energia.
Roberto Araújo, diretor do Ilumina (Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico) , também acha que o volume de água dos reservatórios não é suficiente para acabar com o racionamento. “Mas o governo preferiu trocar a água por térmicas emergenciais, que operam com um custo alto. Decidiu substituir a água por diesel”, afirma.
Araújo diz que, se o Brasil participar de um seminário internacional para discutir energia e deixar escapar que está contratando térmicas emergenciais, vai deixar a platéia muito espantada.
O custo para o país dessa decisão do governo de alugar equipamentos de emergência pode variar entre R$ 4 bilhões e R$ 16 bilhões em três anos, nos cálculos de Pinguelli. “Os R$ 4 bilhões serão gastos apenas com o aluguel dos equipamentos. Esse número pode chegar a R$ 16 bilhões se for preciso colocar as térmicas de emergência para funcionar.”
Nos cálculos de Schaeffer, o custo para contratar esses equipamentos e também para indenizar as distribuidoras por causa das perdas de receita com o racionamento vai resultar numa elevação extra de 2% a 3% nos preços das tarifas de energia elétrica.
“É injusto esse aumento de preços de tarifas, pois vai abalar o consumo e aumentar os custos das empresas”, afirma Pinguelli. Para a indústria, diz, o aumento de tarifas deve ser da ordem de 7% neste ano.
“As tarifas vão subir, mas não tem outro jeito. É preciso revê-las, pois o consumidor paga mais e a indústria menos pela energia”, afirma José Augusto Marques, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base). “Essa crise é lamentável, mas o governo agora está pelo menos agindo.”
Parente assume responsabilidade pela suspensão do racionamento (Estado 16/2)
Ministro divulgou nota declarando estar fundamentado em indicadores precisos
BRASÍLIA – O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, divulgou nota ontem para afirmar que um eventual anúncio, na próxima terça-feira, da suspensão do racionamento de energia em todo o País, estará tecnicamente fundamentada em indicadores precisos sobre as chuvas, fornecidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e avalizados pelo Núcleo Executivo da GCE.
Parente está na Europa, mas quis rebater afirmações de que a suspensão do racionamento seria precipitada e teria motivações eleitorais. “Estamos absolutamente seguros do que estamos fazendo e eu assumo toda a responsabilidade pelo que for proposto ao presidente da República”, afirmou Parente. “Eu nunca iria propor algo que tivesse risco.” O ministro reafirma “irrestrita confiança nas projeções do ONS”.
Segundo a nota, as curvas-guia, que servem de parâmetro para o racionamento, registram, na Região Sudeste 116% da média histórica (índice que corresponde ao pior ano das vazões). Informa também que os reservatórios do Sudeste estão com 54,8% da capacidade máxima, ou 1,8% acima da curva-guia superior, tendo o nível se elevado em 22,67% desde 31 de dezembro.
No Nordeste, as curvas-guia foram calculadas com base em vazões de 52% da média histórica. As vazões verificadas até ontem foram de 96% da média histórica, e os reservatórios chegaram a 46,16% de sua capacidade, o que representou uma elevação de 32,6% somente neste ano.
Os reservatórios do Nordeste estão apenas 1,84% abaixo da curva-guia superior e 13,16% acima da curva-guia inferior. (Demétrio Weber e Freddy Krause/AE)