Indústria solar critica pressão de distribuidoras para taxar geração ‘caseira’ – Maria Cristina Frias – Folha de SP.

Análise do ILUMINA: A coluna da jornalista traz um assunto que parece passar desapercebido, mas é uma das vergonhas brasileiras. Como o ILUMINA já demonstrou através de experiência própria, as distribuidoras fazem tudo para que um óbvio benefício público seja dificultado. Para ler nosso artigo sobre o assunto:

http://ilumina.org.br/a-sensacao-dos-7×1-continua-forte-artigo/

Os benefícios sistêmicos da energia solar distribuída vão muito além dos citados na coluna. Vejam, por exemplo, a curva abaixo (custo marginal de operação).

Reparem nos altos valores atingidos a partir de 2013. Esse indicador é que justifica que usinas térmicas caríssimas passem a operar. Ora, o que aconteceria se tivéssemos adotado uma regulação incentivadora da geração solar? Mesmo não sendo grande quantidade, ela estaria substituindo geração térmica de preço acima de R$ 400/MWh. Como é um custo assumido pela carga, só haveria benefícios. Nos casos onde o consumidor exportasse para a rede, ele estaria possibilitando que outros consumidores (sem energia solar) tivessem alguma redução de preço.

Para colocar a bizarrice e, por que não dizer, a burrice, no ápice, as usinas térmicas quando são justificadas, o são justamente por gerar nos períodos onde o custo marginal atinge valores altos.

As pressões a favor de interesses setoriais no Brasil estão sendo feitas sem vergonha! Sob a luz do Sol!


 

Diante da pressão das distribuidoras de energia para taxar a geração distribuída (realizada por consumidores independentes), a indústria solar tem pedido à Aneel, que regula o setor, um parecer neutro sobre o assunto.

Estudos financiados por distribuidoras –que defendem uma tarifa pelo uso da rede– desconsideram os benefícios líquidos da geração distribuída, segundo o presidente da Absolar (associação do setor), Rodrigo Sauaia.

“A modalidade reduz a necessidade de investimentos na rede, alivia a estrutura de transformadores, diminui perdas elétricas, entre outros fatores que geram ganhos.”

A entidade ainda avalia se irá encomendar pesquisas que demonstrariam os benefícios financeiros para a rede. “Vamos ter que nos preparar.”

A Aneel diz que há previsão de rever as normas atuais para geração distribuída, em vigor até o fim de 2019, e que “os agentes interessados serão instados a se manifestar”.

A área técnica da agência, porém, ainda não iniciou sua análise, afirma, em nota.

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2 respostas

  1. Pois é Roberto, é só ver onde está o problema, ou melhor, a contradição.
    A questão é que a geração distribuída reduz o mercado das concessionarias, diminui as suas vendas, as suas receitas. E nenhuma empresa vai ficar satisfeita com isto.
    Então, uma coisa que é melhor para o País como um todo, não é do interesse particular de cada distribuidora.
    Aí está a contradição do Modelo de Mercado, de que tanto temos falado. Se a energia fosse considerada um serviço público essencial, como de fato o é, e não uma simples mercadoria, como é hoje no Brasil, este problema não existiria.

    1. Feijó;

      Como já relembrei várias vezes, a nossa sugestão em 2003 (e também em 2002) foi a de se implantar paulatinamente um sistema de comprador majoritário de capacidade sob o regime de custo do serviço. Mas, de qualquer maneira, o inevitável crescimento da geração distribuida vai criar um problema para as distribuidoras. Nesse cenário, seria melhor que elas se transformassem em empresas “fio”, deixando de ser as responsáveis pela contratação de longo prazo. Esse papel seria exercido pelo comprador majoritário que poderia ser uma instituição do tipo do ONS. Só que, aqui, isso é encarado com estatização e, com a vergonha da política brasileira, nem que tecnicamente seja melhor, vamos adotar. Está cada vez mais enrolado!

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