JAIME LERNER VENDEU TRADENER PARA EMPRESÁRIO FINANCIADOR DE SUAS CAMPANHAS POLÍTICAS.
Agora tá explicado.
Em todo o Brasil e até no exterior as pessoas estavam se perguntam porque diabos o Governador do Paraná , Jaime Lerner quer porque quer vender a COPEL por um sexto do seu valor real , em plena crise de energia, com o real caindo todo dia , contra a opinião de 93 % dos paranaeses .
Agora tá ficando claro : há algo de muito podre no Reino Encantado do Palácio Iguaçu.
Um ano após a COPEL criaruma comercializadora de energia, a primeira do Brasil , Lerner vendeu seu controle acionário para uma empresa criada por seu amigo e financiador Donato Gulin .
Chamado a se explicar pela imprensa porque vender 45 % da Tradener logo para o amigo de seu chefe , Ingo Hubert, Presidente da COPEL explicou dizendo que era uma empresa experiente em negociações …
O problema é que a empresa de Gulin foi criada depois da Tradener…
Mas que essa turma tem experiencianeste "tipo de negociações", disso não tenhamos dúvida.
As ações populares interpostas pelo advogado Carlos Abrão Celli e pelo Forum Popular contra a Venda da COPEL vão dar a Ingo, Lerner e Gulin a oportunidade de explicar melhor mais esse aspecto da suspeitíssima privatização da COPEL e à Procuradora Geral do Estado recém-nomeada (que também é Presidente da Comissão de Privatização da Estatal ) , uma chance de provar se como ela disse, "não há liminar que impeça a privatização" , num flagrante ato de arrogância e menosprezo pela Justiça Estadual , a quem cabe julgar estes casos .
É claro que Jaime precisa vender a COPEL antes de passar o Governo à oposição , senão o proximo Governador vai mandar investigar essa e outras negociatas , anulando essa e outras vendas e compras muito suspeitas.
Como, por exemplo, o caso das ações da SERCONTEL , que a COPEL , por decisão do mesmo Ingo comprou pelo valor unitário de R$13,00 quando na vespera da compra valiam no mercado menos de R$ 4,00. Vale a pena lembrar que foi com esse dinheiro da COPEL que o Prefeito cassado de Londrina , Antonio Belinatti fez aquela farra que lhe custou o mandato e deverá custar , se a Justiça funcionar, vários anos de cadeia.
Escritório da Tradener funciona em um prédio comercial, em Curitiba – Ações questionam parcerias da Copel
Uma delas refere-se à Tradener, empresa formada sem licitação e que traz como sócio um antigo aliado político de Jaime Lerner
Carmem Murara
De Curitiba
A direção da Copel está tendo de explicar na Justiça a formação de uma sociedade com dois grupos privados que dá poderes de comercialização de energia no mercado atacadista, um dos negócios mais rentáveis do novo modelo energético do País. A Tradener, primeira comercializadora formada no País, foi montada pela Copel e pela empresa paulista Logos Engenharia. Um ano depois foi modificado o contrato social para a entrada da D.G.W. Participações, do empresário paranaense e aliado político do governo, Donato Gulin.
A ação popular que questiona a criação da Tradener está desde 15 de agosto na 1ª Vara da Fazenda Pública. Ela foi movida pelo advogado Carlos Abrão Celli, que alega estar agindo por conta própria sem motivação política ou a mando de adversários do governo. Celli deu entrada também em outras três ações que questionam empresas formadas pela Copel em parceria com grupos privados.
A denúncia que pesa contra a Copel é o fato de a mesma ter feito uma sociedade participando como minoritária, o que seria contrário à lei federal e sem respaldo de lei estadual. É questionado também quais foram os critérios para escolha da Logos e da D.G.W. ”Por que a família Gulin foi convidada e não outro grupo?”, questiona o advogado. Ele diz que o correto seria a realização de licitação pública para escolher os parceiros.
”A estatal que detém o monopólio de energia o transferiu por simples alteração de contrato para empresa particular que não é do ramo, o que não é possível”, diz a argumentação do advogado, encaminhada à Justiça. A Logos é uma prestadora de serviço que atua com gerenciamento e planejamento. A D.G.W. tem como atividades econômicas serviços de locação, arrendamento e intermediação de bens imóveis e como holding (controladora de participações societárias), segundo documentação da Junta Comercial do Paraná.
Quando a Tradener foi formada, em 1998, a Copel tinha 45% da sociedade e a Logos Engenharia 55%. Um ano depois, entrou no negócio a D.G.W. ao comprar parte das ações da Logos. O ex-diretor da Copel Walfrido Ávila, que havia sido indicato pela estatal para gerenciar a Tradener, hoje é um dos sócios da D.G.W. e atua como diretor-presidente da Tradener.
O advogado ressalta ainda que é ”curioso” o fato de a D.G.W ter sido constituída meses após a Tradener. Procurado pela Folha , o diretor-presidente da Tradener não quis se pronunciar. ”Só irei me manifestar em juízo. Ainda não fomos citados”, afirmou Walfrido Ávila, pela sua assessoria de imprensa.
O juiz Luiz Osório Moraes Panza já mandou citar os envolvidos na ação. No caso da Tradener, são o presidente da Copel, Ingo Hubert; o diretor financeiro da Copel, Fernando Schauenburg; o diretor-superintendente da Logos, José da Costa Carvalho Neto; o diretor técnico da Logos, Fábio Ramos; e os sócios-gerentes da D.G.W. Participações, Donato Gulin e Walfrido Ávila. Pela Tradener serão citados Jorge Tadeu Caliari e Arlei Bichels, ambos diretores da empresa.
Ingo Hubert afirma que Copel analisou especialidade de empresas
Hubert admite ‘drible’ de licitação
O presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, afirma que a composição societária da Tradener foi feita analisando a especialidade de cada empresa. Por isso foram convidadas a compor a sociedade a Logos Engenharia e a D.G.W. Participações. Ele diz que era necessário fazer uma empresa privada, onde a Copel seria minoritária, para fugir das amarras da Lei de Licitações (8.666). A entrevista de Ingo Hubert foi concedida à Folha, há duas semana, no dia em que o governo divulgou o edital de privatização da Copel.
Folha – Por que a Copel criou a Tradener em parceria com um grupo privado?
Ingo Hubert – Todas as nossas parcerias foram privadas. Não temos interesse em criar empresas estatais, porque aí estaríamos transferindo para a empresa os mesmos problemas que nós já tínhamos. Ou seja, qualquer compra tem que ter a lei 8.666 (Lei de Licitações). As nossas parcerias deram certo, porque todas elas foram por definição privadas.
Folha – Como foi feita a escolha das empresas que seriam sócias da Copel na Tradener?
Hubert – Em todas as nossas parcerias procuramos escolher parceiros que agregassem valor ao empreendimento. Quando fizemos usinas procuramos trazer empresas que sabiam alguma coisa de usina, que são empreiteiros que construíram usinas, empresas administradoras de usinas, operadoras de usinas. Assim fazíamos a composição. No caso da Tradener, nós buscamos dois parceiros. Um deles com conhecimento de modelagem estocástica através de uma série de modelos que já tinham sido desenvolvidos e que nos poupariam tempo. Levaríamos anos para desenvolver aqueles modelos que a Logos já tinha. Foi fator de agilização.
Folha – E a D.G.W.?
Hubert – A D.G.W. é uma empresa que apenas concedeu o ‘recebe’, ou seja, está nos trazendo para a sociedade o modelo elétrico brasileiro, com as resoluções, com o ‘modus operandi’, com o conhecimento de tudo aquilo que condicionava o mercado atacadista brasileiro. Então, a associação com quem tinha o excedente de energia que é a Copel, com quem tinha o modelos matemáticos que é a Logos, com quem conhecia o ‘modus operandi’ e as resoluções que é a D.G.W. deu uma liga perfeita. E note que a Tradener é empresa que lida com novidades. Nada do que ela faz já existia.
19/09/2001
A Tradener é uma empresa especializada na comercialização de energia. Ela foi criada em 1998 para atuar dentro do novo cenário de desregulamentação do setor energético, que permitirá que empresas e usuários domésticos comprem energia de qualquer distribuidora. Com um capital social de R$ 10 mil, a empresa foi formada pela Copel com 45% de participação acionária e pela Logos Engenharia com 55%.
Um ano depois, a Logos vendeu metade de suas ações para a D.G.W. Participações, que passou a deter 27,5% do controle acionário. Nessa época foi alterado o contrato passando o capital social de R$ 10 mil para R$ 751,7 mil.
A função de uma comercializadora de energia é intermediar as negociações de compra e venda de energia entre as empresas que fazem geração energética, as distribuidoras e o consumidor final seja ele uma empresa ou pessoa física. (C.M.)
19/09/2001
Gulin contribui para campanhas eleitorais
O dono da empresa D.G.W. Participações, Donato Gulin, é um antigo aliado político do governador Jaime Lerner (PFL) desde a época em que o governador era prefeito de Curitiba. Gulin sempre manteve uma estreita ligação e é conhecido no meio político com uma das pessoas que contribui para as campanhas eleitorais, conforme disse àFolha um deputado estadual do PTB que pediu para não ser identificado.
Donato Gulin já atuou na linha de frente da política estadual. Ele foi vereador de Curitiba entre 1973 e 1976, entre 1977 e 1980, e por último entre 1981 e 1983. Por três períodos assumiu a presidência da Câmara Municipal. Seu partido era a antiga Aliança Renovadora Nacional (Arena) que mais tarde foi transformada em PDS. ”O Jaime Lerner tem uma dívida antiga com o Donato Gulin. Por isso que ele está nessa Tradener”, comentou o mesmo deputado, sem querer que seu nome fosse divulgado.
O político tinha seus negócios concentrados no transporte coletivo, setor que sempre teve força junto ao poder público municipal. Ele é dono da Viação Cidade Sorriso. Também tem negócios com a área de construção. Na lista de suas empresas está a construtora MCTR Ltda e a Magno.
O endereço da D.G.W. Participações e que consta na Junta Comercial é o mesmo das construtoras. Mas muitos funcionários sequer sabem que ali está instalada a empresa sócia da Tradener, conforme a Folha constatou ao ligar para o local. A sigla D.G.W. é a primeira letra dos nomes de Donato Gulin e Walfrido Ávila, ex-diretor da Copel que foi contrato pela D.G.W. e hoje é presidente da Tradener.
Por dois dias consecutivos, a Folha tentou falar com o empresário Donato Gulin, mas não conseguiu. Na empresa que controla o setor jurídico do grupo Gulin, a funcionária Jaqueline Bompeixe informou que daria os recados ao empresário para que ele retornasse as ligações do jornal, o que não aconteceu até ontem. Ele também não foi localizado na Viação Cidade Sorriso nem nas construtoras. (C.M.)