JB 22.10.97
Privatização arrecada US$ 21,8 bilhões
Valor inclui venda de empresas, transferência
de dívidas e concessões da banda B. BNDES
quer US$ 25 bilhões até o fim do ano
SONIA JOIA
Com o leilão da CEEE ontem, as privatizações já somam US$ 21,831 bilhões este ano. O total inclui a venda de empresas federais e estaduais, a transferência de dívidas ao setor privado e as concessões da Banda B de telefonia celular. A estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no início do ano era chegar no máximo a US$ 12 bilhões. Agora, o vice-presidente do banco, José Pio Borges, já dá como certo superar os US$ 25 bilhões até o final do ano e projeta chegar a US$ 40 bilhões em 1998.
“Dobramos nossa previsão inicial. Nossas estimativas são sempre conservadoras, mas não esperávamos superá-las tanto assim”, afirmou Pio Borges. Não só o conservadorismo, mas também os sucessivos e crescentes ágios nas privatizações (Cemig, Banda B em São Paulo, Coelba, Porto de Santos, Cachoeira Dourada, CEEE) respondem pelas falhas nas previsões. As empresas não estariam sendo subavaliadas?
Pio Borges diz que não. “O que motiva as empresas a pagarem mais é seu interesse estratégico em operar em um país com um mercado do tamanho do brasileiro. Eu e o Luiz Carlos (Mendonça de Barros, presidente do banco) estivemos recentemente no exterior e vimos como é grande o interesse das empresas americanas e também das européias em entrar nos setores elétrico e de telecomunicações”, avaliou.
Depois que ingressaram no Brasil, as ações dessas empresas sofreram forte valorização nas bolsas. É o caso, segundo Pio Borges, da AES, que comprou participações na Light e na Cemig. “A relação preço/lucro da AES, que era de 19, pulou para mais de 40. Isso mostra como os investidores apoiaram a estratégia da empresa”, ressaltou.
No primeiro semestre, antes das eleições portanto, será vendido o crème de la crème das privatizações. Irão a leilão todas as empresas de telecomunicações, duas das quatro geradoras de energia elétrica da Eletrobrás (Furnas e Eletrosul) e as duas maiores empresas distribuidoras de energia do país (as paulistas Eletropaulo e Cesp). Com isso, a participação do capital estrangeiro, que já atingiu 40% das vendas este ano, deve saltar para 50% em 1998.
Para este ano, já estão marcadas as privatizações da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL, no dia 5 de novembro) e das distribuidoras de energia do Mato Grosso do Sul (Enersul – 19 de novembro), do Mato Grosso (Cemat – 27 de novembro), de Sergipe (Energipe – 3 de dezembro) e Rio Grande do Norte (Cosern – 12 de dezembro).
[22 de outubro][