Leilão de energia deve aliviar custo das empresas, mas pressionará tarifas aos clientes até 2019. O GLOBO

 

Comentário: A notícia é de 2014, mas perante tantas péssimas notícias, o ILUMINA precisa mostrar os absurdos que acabam sendo esquecidos tal a enxurrada de novas desgraças. O descrito abaixo é uma coisas mais vergonhosas que o Brasil pode mostrar ao mundo.

Que a luz vai ficar mais cara todos nós já sabemos. Portanto, nessa notícia, o ILUMINA prefere mostrar exemplos do festival de absurdos que se está implantando no setor. Para tornar evidente a desordem conceitual, vamos examinar um curioso exemplo. Pedimos desculpas pela irreverência, mas uma situação que beira ao ridículo, só pode ser tratada dessa maneira.

O sistema implantado pela autoritária MP 579 (governo Dilma) acabou por transformar o Rio Grande num rio de águas “mágicas”. A usina de Furnas, com aproximadamente 48 anos de idade, atingida pela MP 579, foi obrigada a vender seu MWh a R$ 9. Vamos repetir: R$ 9 por 1000 kWh. (sugerimos comparar com a sua conta de luz). Recorde mundial de energia quase gratúita.

Pois basta percorrer cerca de 15 km rio abaixo, para que essa mesma água que rendeu essa mixaria por 1000 kWh, render 30 vezes mais, R$ 270/MWh? Onde? Na usina Mascarenhas de Moraes, da mesma empresa!

Ao meter os pés pelas mãos nessa barbeiragem de confundir prazo de concessão com amortização, geraram o bizarro evento de uma usina de 1947, portanto, mais velha do que a usina de Furnas, não ser “abalroada” pela MP 579, que fez a intervenção inútil nas tarifas. Isso se deu pela reforma feita por Furnas na década de 50, mas nada que justifique uma usina hidrelétrica de quase 70 anos vender energia a preço de térmica.

Como o governo “esqueceu” de fazer um leilão em 2012 quando terminou o seu contrato, teve que fazer um às pressas em 2014. Resultado: R$ 270/MWh até 2019 no seu bolso! Não vamos esquecer.

A pergunta que fazemos a todos os que leem essa notícia: Alguém conhece outro exemplo no mundo???


Ramona Ordoñez, Henrique Gomes Batista , Roberta Scrivano e Danilo Fariello

RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA – A solução encontrada pelo governo para aliviar o custo da energia a curto prazo — pressionado pelo aumento do consumo e pela seca, que fez o país ampliar o uso da energia cara das termelétricas — vai punir ainda mais os consumidores nos próximos cinco anos. O leilão de energia previsto para o dia 30 pode trazer um alívio para as empresas agora, mas vai significar preços mais altos até 2019, alertam especialistas.

Para piorar, parte desta energia mais cara será cobrada ao mesmo tempo em que o consumidor estará pagando na conta de luz o empréstimo de R$ 11,2 bilhões, contratado para sanar o atual rombo do setor. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou ontem o contrato de financiamento junto a dez bancos — dois públicos e oito privados — para socorrer as distribuidoras.

O pagamento do empréstimo estará vinculado ao aumento na conta de luz (dos consumidores, residências e indústrias) por meio da elevação do CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), uma taxa embutida nas faturas da conta dos brasileiros. Apesar de o empréstimo ter sido estruturado nos últimos 30 dias e já estar com os custos definidos, nem a CCEE, nem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia souberam informar qual impacto terá na conta de luz.

O prazo para quitação dos financiamentos pelas distribuidoras, com intermediação da CCEE, será de dois anos. Os bancos que entraram no negócio são: Banco do Brasil e Caixa, com R$ 2,45 bilhões cada; Bradesco (R$ 2 bilhões); Itaú (R$ 2 bilhões); Santander (R$ 1 bilhão). CitiBank, BTG, Bank of America Merril Lynch, JP Morgan e Credit Suisse aparecem com cifras que variam de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões.

Petrobras, Furnas e Eletronorte

De acordo com especialistas, as distribuidoras hoje precisam comprar no mercado livre, que negocia vendas à vista, cerca de 3.500 megawatts (MW/médios) para entregar ao consumidor. Neste segmento, o preço do MW já chegou ao teto de R$ 822. Mas no leilão que será feito no dia 30, e que será para contratos de mais longo prazo, até 2019, o preço deverá sair a R$ 270, preveem especialistas. Os analistas explicam que trata-se de uma solução apenas provisória. Se a energia fica mais barata agora, subirá depois.

Em dois anos, afirmam, o preço da energia no mercado livre deve voltar ao patamar normal, ou seja, algo em torno de R$ 130 a R$ 140 o MW. Assim, a energia vendida no leilão por um preço em torno de R$ 270 será bem mais cara do que o usual.

O leilão extra do dia 30 foi estabelecido pelo governo para atrair as empresas geradoras a ofertarem energia no mercado. Sem a rentabilidade garantida por cinco anos, provavelmente essas empresas não abririam mão de vender energia a curto prazo, no mercado livre, a R$ 822. Mas a solução é a pior possível para o consumidor, dizem especialistas. Um empresário do setor que preferiu não se identificar diz que seria mais racional o governo pagar caro pela energia de curto prazo e garantir de três a quatro anos energia barata.

O professor Erik Eduardo Rego, da Fundação Vanzolini e e da Escola Politécnica da USP, destacou que a Petrobras deverá ser a empresa a oferecer maior volume de energia nesse leilão, com até 2 mil MW médios no leilão. Poucas empresas se enquadram nas condições do leilão, que é ter energia descontratada a partir de maio próximo até dezembro de 2019.

Segundo o presidente da consultoria Tyimos Energia, João Carlos Mello, além da Petrobras, só Furnas e Eletronorte deverão participar.

— Não é a melhor solução para o consumidor, que pagará mais caro pela energia por um longo período, mas o negócio é interessante para as geradoras — diz Raimundo de Paula Batista Neto, sócio-diretor da Enercel Energia.

O governo publicou ontem medida provisória que permite a ampliação do mandato atual de Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS), por dois anos. Chipp, homem de confiança da presidente Dilma Rousseff, já havia sido reconduzido ao cargo, o que era permitido pela lei em vigor, mas deveria deixá-lo em maio.

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