Mais R$ 9,3 milhões em caixa (JB 1/12/2000)
Total será arrecadado pelo governo com a concessão de 9 usinas que foram leiloadas ontem. Maior ágio foi de 772,48%
GISELLE SAPORITO E MARCIA ARBACHE
Com o leilão de nove usinas hidrelétricas, realizado ontem na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, o governo estima arrecadar R$ 9,334 milhões por ano, com um total de R$ 280 milhões durante os 30 anos de concessão das outorgas. Três licenças foram arrematadas pelo preço mínimo e uma não teve interessado – o complexo Bocaina. O ágio mais alto foi de 772,48% e o maior valor pago por uma licença é de R$ 3,2 milhões por ano. As nove usinas produzirão 1.246 megawatts.
O diretor da Aneel, José Mário Abdo, considerou o leilão um sucesso. ”Para se ter uma idéia, a Bolívia inteira produz 1.000 megawatts”, lembrou. Para o estado do Rio, o Consórcio Light Sinergias arrematou a Usina Itaocara, a única localizada no Rio, por R$ 2,017 milhões, com ágio de 232,29%. A usina terá potência de 195 megawatts, entre Itaocara e Aperibé (MG), e terá um investimento de R$ 288,3 milhões, com início da operação estimado para 2009. Cerca de 2,1 milhões de pessoas serão beneficiadas.
Prioridade – ”Vamos pedir à empresa vencedora do leilão que dê preferência à contratação de mão-de-obra local, para criar empregos na região”, comentou o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer. Ele informou que o governo do estado vai procurar agilizar a liberação da licença ambiental do empreendimento.
O Complexo Energético Rio das Antas (RS), com investimento estimado de R$ 493,4 milhões, foi o primeiro a ser vendido, por R$ 3,2 milhões, com ágio de 235,05% – o lance mínimo era de R$ 995 mil. O consórcio vencedor foi o Ceran, formado pela Companhia Paulista de Força e Luz, Companhia Estadual de Energia Elétrica (RS) e Desenvix (SC). O início da operação comercial é estimado para 2008.
O Consórcio Paraibuna, formado pela Paraibuna de Energia e Companhia Paraibuna de Metais, de Minas Gerais, arrematou por R$ 1,3 milhão, com ágio de 772,48%, a Usina Picada, em Juiz de Fora. O investimento estimado é de R$ 73,3 milhões e o início da operação comercial está previsto para 2007.
Já o Complexo Energético Capim Branco (MG), com investimento estimado em R$ 577,9 milhões e cuja operação comercial terá início em 2008, foi adquirido pelo Consórcio Capim Branco Energia, pelo preço mínimo de R$ 1,615 milhão.
O Consórcio CMPB Energética venceu o leilão do grupo D correspondente à Usina Murta, de Minas Gerais, com o lance mínimo de R$ 320 mil. O investimento estimado na construção é de R$ 161,8 milhões. Com potência de 39 megawatts, a Usina Barra do Braúna (MG) foi adquirida por R$ 770 mil, com ágio de 531,15%. A vencedora do leilão foi a Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina (MG).
O Consórcio Fuad Rassi Engenharia, Indústria e Comércio, de Goiás, comprou pelo preço mínimo de R$ 122 mil a Usina de Espora. Localizada no rio Corrente, em Goiás, a usina tem investimento estimado de R$ 82,2 milhões. A Aneel prevê lançar 17 licitações ao longo de 2001 para gerar 7.254 megawatts a mais.
Grande consumidor de energia investe na auto-suficiência
De São Paulo e do Rio
O leilão de dez das onze concessões que o governo pôs em licitação para construção de hidrelétricas foi considerado um sucesso. Com 100% de participação do capital privado, a venda é a primeira do setor realizada em bloco e permitirá aumentar em 1.246 megawatts (MW) a capacidade de geração instalada no país, hoje de quase 70 mil MW. Entre os compradores destacam- se grandes consumidores, como a Companhia Vale do Rio Doce e o grupo Paranapanema, além das distribuidoras de energia Light, Cataguazes-Leopoldina, CPFL e Cemig e de empreiteiras. Garantir suprimento, para evitar possíveis riscos de escassez, e contar com tarifas a custos inferiores é, atualmente, o que mais preocupa os consumidores eletrointensivos, liderados pelos fabricantes de alumínio e outros metais não-ferrosos. Alcan, Alcoa, Billiton, CBA (grupo Votorantim) e Vale do Rio Doce estão dispostas a investir vários bilhões de dólares em geração própria. "Em nosso negócio não podemos correr nenhum risco", afirma João Beltran Martins, presidente da divisão de alumínio primário da Alcan Brasil. A multinacional canadense tem quatro projetos em análise, que estão orçados em torno de US$ 160 milhões. Deverão ficar prontos a partir de 2003. "Vai nos dar a auto-suficiência e até gerar alguma sobra". O executivo diz que o aumento da geração térmica no país, de 9% atuais para 25% em 2009, vai encarecer a tarifa. A energia obtida em termelétricas, argumenta, é bem mais cara que a de usinas hidrelétricas. Alcoa, Billiton e Vale estudam três projetos no norte do País, de 3,6 mil MW, para suas usinas Alumar e Albrás. As duas fundições terão seus contratos a preços subsidiados com a Eletronorte encerrados em 2004. A CBA, de Antônio Ermírio de Moraes, só faz expansões com a garantia de 50% a 55% de geração própria. "Corremos o risco de escassez", diz o empresário.
A Opinião do ILUMINA:
Vejam se não é propaganda enganosa:
Os "fantásticos" 1000MW que serão produzidos e que suplantam a capacidade de geração da Bolívia, no dizer do diretor da ANEEL, não dão para 4 meses de crescimento do mercado brasileiro.
A "fantástica" arrecadação de R$ 9,3 mi, é bom que seja dito, só chegará aos cofres do governo a partir de 2007. Só depois que a usina estiver funcionando é que os empresários terão que pagar a concessão. Nesse momento, já estará vendendo energia e, portanto, quem vai pagar é você, consumidor de eletricidade.
Entretanto, um detalhe pode passar desapercebido. Já repararam a empolgação do diretor da ANEEL com os resultados da privatização? Mas o que tem a ANEEL a ver com esse modelo? Por acaso ela está torcendo para que as privatizações continuem?
A nosso ver a ANEEL deveria ser neutra em relação a essas questões. Seu papel é regular e fiscalizar o setor elétrico independente da origem do controle acionário. As manifestações públicas do Sr. Abdo revelam uma preferência pelo modelo incompatível com a função que exerce.
Aliás essa postura tem sido adotada também pelos diretores do ONS, outra entidade que não tem nada a ver com a defesa deste ou daquele modelo.
Esse é mais um exemplo da leitura distorcida do liberalismo no Brasil.
A outra notícia dá mostra que essa energia já tem dono. Os grandes consumidores estão preocupados e estão aproveitando as benesses do governo para garantir o seu quinhão de um produto que já é caro e será mais ainda no futuro.
Leiam bem o final. Não é só o ILUMINA que fala em escassez!