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A conta é imprecisa mas simples: A capacidade máxima dos reservatórios do Sudeste é de 160 GWmédios. Só temos guardados cerca de 20% disso, algo como 32 GWmédios. Em dezembro, e nos próximos 3 meses de 2001, vamos gastar aproximadamente 25 GWmédios mensais ou seja 100 GWmédios. Nesse período, a chuva precisa fornecer essa energia, mais uma reserva que recomponha os reservatórios até pelo menos uns 70% da capacidade. Como temos 20%, faltam 50%, ou 80 GWmédios. No total, é preciso "chover" 180 GWmédios em 4 meses, 45 GWmédios mensais. A média histórica desse período é 42 GW médios. Se chover acima da média, tudo bem, se chover abaixo da média, preparem-se para outro ano de racionamento.


Meta do Rio será revista

Mirelle de França, Ramona Ordoñez, Valderez Caetano e Cristiana Lobo*


RIO e BRASÍLIA. Os cinco milhões de clientes da Light e da Cerj devem ter cuidado com a nova meta de redução de consumo de 7%, que entrou em vigor este mês. Ela passará a valer somente a partir da leitura do relógio de luz pelas distribuidoras. Com isso, em alguns casos, o esforço de economia de 20% continuará obrigatório, por exemplo, mesmo após o início do verão (em 22 de dezembro) e até do Natal.


A partir de amanhã, cerca de 170 mil clientes da Light serão os primeiros a receber a nova meta de redução de consumo, que será informada na conta de luz. Para essas residências, a nova meta está valendo desde ontem, quando foi feita a leitura dos relógios.


Parente: FH ordenou revisão de meta para o Rio


Tanto na Light quanto na Cerj, os clientes estão divididos em 20 lotes. Assim, a leitura final de dezembro será feita até o dia 31, último dia útil do mês. A data de leitura do consumo é a mesma do mês anterior (ou no primeiro dia útil seguinte) e está impressa na conta de luz.


Mas a Câmara de Gestão da Crise (GCE) se reúne hoje para mudar a meta de racionamento de 7% fixada para algumas cidades durante os meses de verão. O Rio de Janeiro e Vitória, capital do Espírito Santo, entre outros municípios, vão ganhar metas mais flexíveis. Segundo o coordenador da GCE, ministro Pedro Parente, a Câmara vai discutir uma fórmula que leve em conta a variação de temperatura nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro avaliando qual o impacto disso no aumento do consumo dos dois estados.


– A revisão da meta para o Rio de Janeiro é uma ordem do presidente Fernando Henrique Cardoso – disse Pedro Parente.


Apesar da disposição do governo em afrouxar o racionamento, os meses de maio, junho e julho deverão ser mantidos como base de cálculo para as novas metas.


Para fixar a nova meta do Rio de Janeiro, o governo vai comparar a diferença do consumo de energia no inverno e no verão em diversas outras cidades e tentar aproximar ao máximo a nova meta para os cariocas.


– A idéia é tentar corrigir ao máximo a injustiça que foi feita entre os consumidores cariocas e de outras regiões – disse um técnico do governo.


O ideal é usar os meses do verão como base, diz Victer


O secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio, Wagner Victer, disse ontem esperar que a GCE mude as metas de redução de consumo para o Rio. Segundo ele, o ideal é que a GCE decida a nova meta com base no consumo dos meses de verão.


Segundo o professor da UFRJ Adriano Pires Rodrigues, para evitar um novo racionamento na faixa de 20% no próximo ano, será preciso que chova bastante para aumentar o nível dos reservatórios, as temperaturas no verão não podem ser muito elevadas e a economia brasileira não pode ter uma taxa muito elevada de crescimento.

(*) Do GloboNews.com



Após pedido de falência da matriz, empresa analisa venda da distribuidora que atende o litoral e parte do interior de SP

Enron inicia estudos para vender Elektro

LÁSZLÓ VARGA

DA REPORTAGEM LOCAL


A distribuidora de energia elétrica Elektro irá para as mãos Aneel (Agência Nacional de Energia Elétricadiretoria da multinacional norte-americana Enron no Brasil iniciou nos últimos dias estudos para a venda da distribuidora de energia elétrica Elektro, que atende o litoral e parte do interior de São Paulo. Há meses que a Enron vinha sendo sondada por várias empresas do ramo para vender a Elektro, mas as propostas eram sempre recusadas. A situação agora mudou, diante do pedido de falência apresentado pela matriz à Justiça dos Estados Unidos no último fim de semana.


Uma fonte da Enron afirmou ontem à Folha que seus executivos estão agora analisando com seriedade a possibilidade de abrir mão da Elektro. A situação é extremamente delicada, pois, pelo contrato firmado com o governo federal em 1998, após a privatização da Elektro, a Enron possui uma concessão de 35 anos. Caso abrisse falência nesse período, a concessão iria para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), conforme o artigo 5º da Lei das Concessões.


Técnicos da Aneel já estão debruçados sobre a decisão que irão tomar caso a Enron decida efetivamente vender a Elektro. A agência ainda não tomou uma posição oficial sobre assunto. Também não quis se manifestar sobre a possibilidade de permitir que a distribuidora passe para as mãos de outros proprietários, antes do vencimento dos 35 anos de concessão.


Controle


A Enron tem a maioria do controle da Elektro, oitava distribuidora de energia elétrica do Brasil e responsável pelo abastecimento de 228 cidades do Estado de São Paulo. Atende 1,6 milhão de consumidores. A Enron pagou em 1998 cerca de US$ 1,3 bilhão na privatização da Elektro.


O racionamento de energia tem prejudicado muito a Elektro. O faturamento mensal despencou dos R$ 120 milhões em junho para R$ 90 milhões em setembro. Diante dos problemas no exterior -a Enron deve US$ 13 bilhões-, a diretoria no Brasil foi autorizada a acelerar o processo de venda de suas participações acionárias no Brasil.

A venda de suas ações nas distribuidoras de gás fluminenses CEG e CEGRio, onde detém respectivamente 25% e 33% de participação, já vinha sendo negociada antes do pedido de falência.


A companhia possui ainda papéis em duas termelétricas, além de participações em sete distribuidoras de gás no Nordeste. Segundo a assessoria de imprensa da Enron, a venda de empresas é considerada normal no grupo, que costuma adquirir unidades para depois revendê-las. (Folha de São Paulo 4/12)




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