Projeto Swera, patrocinado pela ONU, investiu cerca de US$ 700 mil no país nos últimos quatro anos
Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, PeD
6/5/2005
Após quatro anos de estudos, está chegando ao fim um dos mais ambiciosos projetos na área de exploração de fontes alternativas de energia do Brasil. O mapeamento do potencial eólico e solar do território brasileiro será concluído no fim do ano. O projeto Swera (Avaliação das Fontes de Energia Solar e Eólica, na sigla em inglês) recebeu cerca de US$ 700 mil em investimentos da Organização das Nações Unidas e de contrapartidas locais para a produção da pesquisa.
Os primeiros resultados demonstram que o Nordeste, interior de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, interior de São Paulo e Paraná são propícios à exploração da radiação solar para a geração de energia elétrica. O coordenador do projeto no Brasil, Enio Bueno Pereira, conta que as áreas de Minas, Bahia e Pernambuco têm um nível muito maiorde irradiação, por causa da pouca variabilidade do clima. “Há uma constância no tempo e poucas nuvens, o que permitiu a exploração durante todo o ano”, argumenta.
O mapeamento descobriu que a região Sul tem níveis de radiação maiores do que a Amazônica, isto porque, explica Pereira, a floresta – apesar de estar próxima da linha do Equador – sofre com fortes chuvas e nebulosidade intensa. Já o Sul tem a potencialidade de uso da energia solar para o aquecimento, mesmo no inverno. “A energia solar pode ser usada para aquecer a àgua durante os dias mais frios”, exemplifica o professor.
Pereira constatou em uma experiência feita em São Paulo que o custo do equipamento de captação da radiação solar é pago em no máximo dois anos de uso, por meio da redução da conta de luz. “O chuveiro elétrico seria mantido para os dias mais nublados e para o uso à noite”, explica.
O uso da fonte solar para geração de energia ainda tem um custo muito alto, segundo o professor, devido ao preço do módulo de conversão para energia elétrica, além da dificuldade de armazenamento. “O Brasil só tem uma empresa que produz o sistema fotoelétrico”, observa.
Eólica – O coordenador do Swera acredita que a energia solar poderá se tornar viável como a energia eólica, que ganhou incentivos do governo através do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. “As duas enfrentam barreiras como a tecnológica, afalta de informação e o custo alto”, enumera Pereira, ponderando que a eólica está mais avançada que a solar por causa da melhor inserção na rede de distribuição e uma boa produção nacional dos equipamentos necessários para a instalação dos aerogeradores.
“Com o mapeamento esperamos que o governo e os investidores tenham mais interesse por essa energia. O governo poderá dar mais incentivos e os investidores terão mais condições para implementar os empreendimentos”, comenta.
A barreira da informação está sendo vencida pelo Swera, que produz um banco de dados com o potencial de produção, distribuição da rede elétrica, condições sócio-econômicas da região, topografia. “O software da ferramenta de informações geográficas e a base de dados estão disponíveis em uma versão ‘beta’, que ainda será incrementada”, explica o coordenador. O projeto confirmou que a região Nordeste tem um grande potencial de exploração dos ventos para a produção de energia.
“A região é privilegiada pelos ventos alísios constantes em direção e sentido, condições necessárias para uma produção comercial de energia”, explica. O Sul do Brasil, interior do Paraná e de São Paulo e a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro,são outras áreas propícias para a exploração da energia eólica.
O Swera é um projeto global da ONU realizado em 13 países em desenvolvimento. O projeto tem um custo global de US$ 6,7 milhões. Segundo o coordenador brasileiro, a intenção é estimular o uso de energia alternativa nesses países que demandarão mais energia para crescer.
No Brasil, o projeto é coordenado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e conta com a colaboração do Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina.