Na audiência do senado, apesar de não ser o objeto do impeachment, o assunto crise energética foi trazido pela própria “presidenta”!
Infelizmente, a “oposição”, como muitos, não compreende a confusão do atual modelo do setor elétrico. Se entende, se omite, até porque algumas figuras dessa “oposição” ajudaram a montá-la.
Ao contrário do que a população pensa, PSDB e PT não são inimigos quando se trata do setor elétrico. Na realidade, são sócios.
Talvez por isso, não se contestem as afirmações da presidente nessa área.
Eis alguns números que a desmentem completamente (todos dados oficiais do ONS e da ANEEL):
- A terrível crise hídrica denunciada. Reparem que no histórico de afluências (transformadas em energia) existem 9 anos piores que 2014. Nos registros, 10% dos anos tiveram hidrologias piores! Portanto, surpresa não foi. Reparem nos anos úmidos de 2009, 2011 e 2010. Corretamente gerido, nosso sistema de reservatórios não teria se esgotado.

- Ainda a surpresa. Evolução da reserva de água nos reservatórios do sistema em termos de equivalência ao consumo mensal, onde se percebe a tendência decrescente desde 2009. Portanto, não é verdade que a tendência de esvaziamento seria algo repentino e imprevisível. Na realidade, foram 5 anos consecutivos de declínio. Atualmente, com uma queda da carga de 7%, temos guardado apenas 2,3 meses de carga.

- O uso das térmicas foi citado pela presidente como uma salvação do racionamento. O gráfico seguinte mostra que, apesar do esvaziamento mostrado acima, é evidente que houve um adiamento do uso das térmicas até setembro de 2012, coincidentemente a data do anúncio da redução tarifária às custas da Eletrobras. Essa decisão esvaziou os reservatórios. Uma provável desculpa para não usá-las é a de que as térmicas disponíveis eram de alto custo. Como já mostramos, essa foi a decisão de expansão do próprio governo que avaliou erradamente o uso dessas térmicas, achando que as hidráulicas poderiam substituir essa capacidade. Não há nenhuma justificativa técnica para que, de repente, a geração térmica passe de 9% da carga para 21%.

- A situação atual. A carga despenca a partir de 2014. Não foi apenas a recessão que trouxe essa mudança. Na realidade, com as bandeiras tarifárias, o governo resolveu fazer um racionamento via preço. Ou seja, quem é rico paga e não reduz o consumo. Quem é pobre que se vire para pagar a conta. Politicamente, esse fato dá uma boa ideia de como é equivocado classificar um governo como de esquerda ou direita no Brasil.

- Mas a tarifa só aumenta. Abaixo, apenas a parcela da energia. (fora transmissão, distribuição, encargos e impostos). A curva vermelha é a tarifa de 1995 se fosse corrigida pela inflação.

- A destruição de valor. A Eletrobras, usada para reduzir a alta tarifa, sofre um baque de 70% do seu valor de mercado.

Um país que dispõe de todos os recursos naturais não tem o direito de ter um setor elétrico com regras instáveis, modelo excêntrico, destruidor de valor e preços absurdos.
E todo esse caro processo de impeachment só tratou das pedaladas.
2 respostas
Vivo falando isso. Parece que sou louco, pois ninguém se importa.
Roberto,
O Brasil é tão criativo que além de instituir a economia criativa, instituiu também o modelo criativo do setor elétrico.