O ESTADO DE S.PAULO 12.12.97 Sexta-feira,12 de dezembro de 1997 Azeredo desiste de vender Cemig e ações caem Alegação para manter estatal é “importância social”, mas resultado na Bovespa é …

O ESTADO DE S.PAULO 12.12.97



Sexta-feira,12 de dezembro de 1997

Azeredo desiste de vender Cemig e ações caem

Alegação para manter estatal é “importância social”, mas resultado na Bovespa é queda é de 6,32%

EVALDO MAGALHÃES

BELO HORIZONTE – O governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), jogou um balde de água fria no mercado financeiro ontem, ao anunciar a decisão, em caráter irrevogável, de não vender o controle acionário da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A notícia teve reflexo imediato na Bolsa de Valores de São Paulo, com queda das ações preferenciais nominativas (PN) da empresa, que fecharam o dia com desvalorização de 6,32%, em relação aos preços da véspera.

Azeredo disse preferir arcar com os custos financeiros que a decisão trará para o Estado do que desfazer-se da empresa, considerada uma agência de desenvolvimento de Minas. “Fizemos muitos estudos sobre essa decisão, que tem custos e riscos, mas optamos por não privatizar a empresa e o assunto está encerrado”, afirmou. “Evidentemente, vamos deixar de ter uma receita extra que poderia nos dar mais folga em 1998, mas prefiro continuar com um governo austero, com o cinto apertado, do que vender a Cemig, que tem uma importância social muito grande para o desenvolvimento de Minas.” A expectativa era de que o Estado apurasse entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões com a privatização. Em abril, o grupo norte-americano Southern Electric adquiriu em leilão 32,9% das ações ordinárias (com direito a voto) da estatal, por R$ 1,13 bilhão.


Ajuste – Azeredo informou que o Estado continuará apostando em projetos já em andamento, como um minipacote de ajuste fiscal já enviado à Assembléia, a privatização do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), prevista para abril, a abertura do capital da Companhia de Saneamento (Copasa) e estratégias de aumento de arrecadação para tentar equilibrar suas finanças, no próximo ano.

Nos bastidores da política mineira, a avaliação é de que a decisão de Azeredo teve influência direta do ex-governador Hélio Garcia (PTB), peça fundamental no processo eleitoral de 1998. Garcia, que apoiou Azeredo à própria sucessão, em 1994, sempre foi contra a privatização da Cemig. Em 1996, manifestou-se publicamente, pela primeira vez, contrário a uma determinação de Azeredo: a de vender parte do controle acionário da estatal.

Com a recente aproximação entre o ex-presidente Itamar Franco e Garcia – em que os dois chegaram a discutir uma chapa conjunta em 1998 para o Palácio da Liberdade e o Senado -, o governador teria sido obrigado a agradar ao antigo aliado para poder manter os planos de reeleição. Azeredo, contudo, tem outra explicação. “Estamos mostrando que política muda, que política se faz com atos concretos, comportamentos e atitudes, não com discursos e apenas com obras”, argumentou Azeredo. “Portanto, Minas Gerais terá em 1998 um ano austero, sim, e, se eu vier a me candidatar, estarei fazendo isso com o mesmo perfil que me valeu os votos de 1994.”







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