O GLOBO 06.02.98 Rio receberá mais energia elétrica Edgar Arruda e Eliane OliveiraRIO e BRASÍLIAPara tentar evitar as constantes quedas de energia no Rio, a Eletrobrás, depois de uma reunião de emerg …




O GLOBO 06.02.98



Rio receberá mais energia elétrica

Edgar Arruda e Eliane Oliveira

RIO e BRASÍLIA

Para tentar evitar as constantes quedas de energia no Rio, a Eletrobrás, depois de uma reunião de emergência ontem com representantes de Furnas, da Light e da Cerj, anunciou um aumento no fornecimento de energia para o Rio. Para garantir o reforço, a usina nuclear Angra I, que estava operando com 50% da capacidade, voltou a funcionar com 100% de sua potência. Além disso, a direção da Eletrobrás negociou com a Itaipu binacional que uma turbina da hidrelétrica não entre em manutenção. O reforço de 500 megawatts – cerca de 12% do total do consumo no horário de pico no Rio – não é, de acordo com o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, a garantia absoluta de que não faltará luz na casa dos consumidores:

– Funcionamos como um condomínio. Trabalhamos como o síndico, sabemos o que acontece na casa de cada um – disse, se referindo a possíveis problemas nas redes da Light e da Cerj.

As distribuidoras Light e Cerj comemoraram a notícia de que poderão contar com mais 500 megawatts de energia por dia. O assessor de imprensa da Light, Alexandre Coimbra, disse que é confortável saber que a companhia contará com esse reforço.

– Embora a quantidade de energia distribuída pela Light esteja dentro do previsto, eventualmente poderemos lançar mão desses 500 megawatts a mais – disse o assessor de imprensa.

O vice-presidente de relações corporativas da Cerj, José Luiz Echenique, faz coro ao representante da Light:

– O reforço no abastecimento só nos traz benefícios. Quanto mais energia, melhor para o setor elétrico, até porque o consumo tem sido muito alto.

O diretor do Grupo Coordenador para Operações Interligadas, que administra a distribuição da energia produzida no país, Mário Santos, também é o diretor de Operações da Eletrobrás. Ele explicou que o consumo de energia no Rio desde o início do verão ficou muito acima de todas as previsões.

Segundo ele, Furnas – que é a empresa do sistema Eletrobrás responsável pelo fornecimento de energia elétrica para a região Sudeste – foi obrigada a realizar dez cortes parciais na carga de eletricidade que estava sendo destinada ao Estado do Rio. Isso porque o sistema estava operando quase no pico, o que poderia acabar derrubando todo o sistema de Furnas, provocando um blecaute que poderia se estender do Sul até o Sudeste.

– Tivemos dez reduções de carga desde o início do ano – disse Mário Santos.

O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, informou que as direções da Light e a da Cerj se comprometeram a negociar a redução de consumo junto aos consumidores industriais. O Governo do Estado do Rio solicitou ao Governo federal assumir a fiscalização das empresas concessionárias de energia elétrica, que hoje são de competência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A informação foi dada ontem pelo secretário estadual de Fazenda, Marco Aurélio Alencar. Segundo ele, a fiscalização dessas empresas deverá ser feita pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos (ARSPC), órgão criado pelo Governo do estado para regular e fiscalizar as empresas estaduais de serviços públicos que estão sendo privatizadas.

– Estamos solicitando que algumas atribuições da Aneel sejam transferidas para a nossa agência. Defendo a linha de que algumas dessas funções, em relação à Light e a Cerj, terão que ser obrigatoriamente feitas pela nossa agência, que tem um contato mais direto com a nossa realidade – disse.

Segundo o secretário, os problemas que esto acontecendo com a Light e a Cerj obrigam o estado a aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização e regulação, todos criados recentemente pelos governos federal e estadual.

– É o momento de o poder público provar ao usuário, a partir de agora, que o controle desses serviços públicos passa a ser rigoroso – disse.

O secretário de Fazenda disse que, como os serviços estão sendo prestados pelo setor privado, o usuário passa a ser mais rigoroso em relação à qualidade. Em Brasília, o secretário de Direito Econômico, Ruy Coutinho do Nascimento, disse que o Código de Defesa do Consumidor garante que o descumprimento total ou parcial do fornecimento do serviço deve ser reparado ou compensado, até financeiramente. Segundo ele, o código prevê desde a aplicação de multa de até R$ 3 milhões à intervenção administrativa na empresa e a perda da concessão. Mas Ruy Coutinho do Nascimento esclareceu ontem que a SDE não tomará nenhuma medida sem antes ouvir a empresa e, principalmente, os consumidores.

O prefeito Luiz Paulo Conde telefonou ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ministro das Minas e Energia, Raimundo de Brito, e pediu que o horário de verão, previsto para terminar no dia 15, seja prorrogado.

– Se já está complicado com o horário de verão, imagine quando o horário voltar ao normal – argumentou o prefeito.

COLABORARAM: Berenice Seara e Ramona Ordoñez


Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *