O GLOBO 6.09.97 Defensores da venda integral de Furnas alegam que divisão enfraqueceria empresa No Governo federal, existem duas correntes: uma que defende a venda de Furnas dividida, idéia apoiada pelo secretário …

O GLOBO 6.09.97




Defensores da venda integral de Furnas alegam que divisão enfraqueceria empresa



No Governo federal, existem duas correntes: uma que defende a venda de Furnas

dividida, idéia apoiada pelo secretário de Energia do Ministério das Minas e

Energia, Peter Greiner; e outra que defende a venda da empresa inteira. Essa

última afirma que, além das questões políticas que a discussão envolve, a venda

da empresa inteira seria mais lucrativa para a União. Eles estimam que se

poderia obter com a privatização da empresa toda de R$ 8 bilhões a R$ 11

bilhões. Esses valores equivalem à venda de quase quatro empresas do porte da

Vale do Rio Doce.

A venda do controle da companhia (50% mais uma ação) renderia ao Governo

cerca de US$ 6 bilhões. Numa segunda etapa, com a alienação do restante da

participação da União, poderia se arrecadar um valor semelhante, com a

valorização prevista da empresa após a sua privatização.

Segundo essa corrente, o volume de recursos que obtidos com a venda de

Furnas sem divisão de suas atividades será fundamentais para a Eletrobrás,

holding do setor. Com o dinheiro, ela poderia investir na expansão do sistema

para atender ao crescimento do consumo, que está obrigando o setor a operar

em sua capacidade máxima. Apesar de oficialmente o Governo federal afastar os

riscos de déficit de energia, técnicos do setor afirmaram que existe a

possibilidade de agravamento da situação, com previsões de novos blecautes

ainda este ano e o aumento dos riscos de déficit energético em 1998 e 1999.

O professor do Programa de Planejamento Energético da Coordenação dos

Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ Adriano Pires

Rodrigues disse que, se a empresa for dividida para a venda, as duas novas

empresas que surgiriam da divisão teriam menos forças para alavancar novos

investimentos.

– As duas novas empresas ficariam sem poder alavancar investimentos para

geração. Existem outras grandes empresas como a Cemig e a Cesp que não vão

ser divididas – disse Rodrigues.

O secretário de Ciência e Tecnologia do estado do Rio, Elóy Fernandez, disse

que se Furnas for dividida, isso será prejudicial não apenas para o estado, mas

também para o Governo federal.

– A cisão prejudica o conceito geral da privatização, que é o ganho da União. Ela

vai arrecadar menos porque a tendência será a desvalorização das ações

unitárias com a diminuição dos seus ativos – ressaltou o secretário.

A corrente contra a divisão apresentará questões operacionais e jurídicas muito

complexas que devem atrasar a privatização prevista para março do próximo ano.

A competição será garantida porque a empresa vai concorrer com cerca de sete

outras grandes do setor, como a Cesp e a Cemig, entre outras.

A cisão de Furnas significaria, para os técnicos, seguir o caminho inverso da

tendência mundial, que é a existência de grandes corporações e de grandes

empresas de energia.

O secretário de Energia, Peter Greiner, discorda dessa visão. Segundo ele, a

remodelagem do setor elétrico quer introduzir, principalmente, a competição na

área de transmissão e geração, e isso não acontecerá se a empresa não for

dividida.

– Com uma grande geração na mão de uma só empresa é difícil introduzir a

competição. A empresa poderia dificultar a entrada de novos competidores. Sei

das preocupações do Rio, mas antecipar os problemas em vez de trabalhar em

conjunto não resolve nada – reclamou Greiner.

O secretário disse que a divisão de Furnas não significa a saída dos escritórios

do Rio, porque eles não precisam ficar juntos das usinas. Os compradores

podem, segundo ele, considerar mais vantajoso permanecer no Rio. O Governo

do estado, segundo Greiner, deveria negociar com o Governo federal a inclusão

no edital a obrigatoriedade de se manter os escritórios no Rio por um período.

– Esse é um argumento frágil. A perda de empregos e impostos não é um fato

consumado.






Rio está ameaçado de perder os lucros gerados por Furnas



Ramona Ordoñez

Neste momento em que comemora a retomada de investimentos com a vinda

de empresas como a Volkswagen e a Peugeot e luta para atrair outras, o

Estado do Rio corre o risco de perder uma importante empresa, segundo alerta

do Governador Marcello Alencar. Trata-se da Furnas Centrais Elétricas,

responsável pelo fornecimento de energia das regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Essa ameaça pode se concretizar, segundo previsões do estado, caso o

Governo federal adote a sugestão da Coopers & Lybrand de privatizar Furnas,

separando a transmissão e dividindo em dois sistemas a sua geração,

resultando na sua transferência para outros estados.

Conforme dados da empresa sobre sua influência na economia fluminense, o

Estado do Rio teria uma redução em seu Produto Interno Bruto (PIB) de cerca

de R$ 6 bilhões por ano. Perderá a arrecadação de impostos estaduais e

municipais de R$ 130 milhões por ano, três mil empregos diretos e R$ 270

milhões/ano em salários e benefícios sociais.

Com usinas hidrelétricas nos estados de Goiás e Minas, Furnas tem sua

administração sediada no Rio desde a sua criação, há 40 anos, além de

laboratórios de pesquisas e o centro de operações. A divisão da geração em

dois sistemas, um com as usinas do Rio Grande e as usinas térmicas

convencionais e outro com as do Rio Parnaíba, permitiria que toda a

administração desaparecesse do Rio. Só no bairro de Botafogo sobraria um

elefante branco formado por um complexo de quatro prédios – onde se localiza a

central de operações de todo sistema – e onde trabalham, entre empregados e

contratados, cerca de quatro mil pessoas.



O peso da empresa na economia do Rio



IMPOSTOS: Atualmente, a empresa paga R$ 130

milhões por ano de impostos estaduais e municipais.

PIB: A participação da empresa no Produto Interno

Bruto (PIB) do estado é de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões

por ano.

EMPREGOS : Garante três mil empregos diretos e

cinco mil indiretos.

SALÁRIOS: Paga R$ 270 milhões por ano em salários

e benefícios sociais.

INSTALAÇÕES : Centro de Operação do Sistema de

Furnas, Laboratório de Estudos Hidráulicos.

TAMANHO : É a segunda maior empresa do estado,

depois da Petrobras.

PATRIMÔNIO: É dona de um patrimônio líquido de R$

9,8 bilhões.

VENDAS: É a sexta maior companhia do estado em

vendas, com um faturamento total de R$ 3,3 bilhões por

ano.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *