O ILUMINA já apontou diversos aspectos que implicarão em aumentos de tarifa. Alguns são típicos do aumento da ineficiência do sistema como um todo que passa a ter diversos "penduricalhos" de cu …

O ILUMINA já apontou diversos aspectos que implicarão em aumentos de tarifa. Alguns são típicos do aumento da ineficiência do sistema como um todo que passa a ter diversos "penduricalhos" de custo. O governo está devendo um esclarecimento sobre toda essa evolução explosiva de preços. Isso, se fosse sério…


Resolução de pendências do setor está atrelada a aumento de tarifa

Apenas Anexo 5 e custos não-gerenciáveis somam mais de R$ 10 bilhões

RENÉE PEREIRA




A resolução de algumas das principais pendências do setor elétrico a cada dia fica mais atrelada à elevação das tarifas, avaliam especialistas. Além dos custos não-gerenciáveis (ler acima), o governo já sinalizou para a possibilidade de repassar o prejuízo causado pelo Anexo 5 dos contratos iniciais, que assegura às distribuidoras uma compensação pela receita perdida por causa do racionamento. Apenas os dois problemas totalizam um rombo de mais de R$ 10 bilhões no setor.




A princípio, o consumidor residencial seria poupado dos reajustes referentes a esses dois problemas, que atingiriam apenas a indústria e o comércio. Algo que, na opinião do diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), Roberto Pereira D’Araujo, não alivia muito. Ele ressalta que as empresas não vão arcar com o aumento da energia sem repassar o custo para o produto final. "O consumidor residencial será prejudicado."




D’Araujo acrescenta ainda que os motivos para a elevação das tarifas não se limitam a esses dois entraves. Na sua opinião, a nova energia gerada pelas térmicas será pelo menos duas vezes mais cara que a atual. Para o professor da USP Ildo Sauer, o aumento seria menor se o governo tivesse optado por outras fontes de energia, como co-geração e biomassa.




Além das térmicas, a partir de 2002, o sistema passará a incorporar a energia emergencial gerada por usinas móveis, como barcaças e contêineres. O diretor do Ilumina avalia que deverá custar em torno de R$ 300 o megawatt/hora (MWh), pois as unidades são movidas a óleo diesel ou combustível.

O ex-secretário do Ministério de Minas e Energia, Peter Greiner, argumenta que o País vive uma fase em que é impossível não elevar as tarifas. Com o racionamento e a reforma do setor no meio do caminho, as empresas passaram a contabilizar prejuízos, diz.




Mas Greiner afirma que se o governo trabalhar bem, atrair investimentos, em alguns anos o País poderá ter uma tendência de queda de preços da energia.

Isso, porém, só ocorreria se houvesse uma superoferta de eletricidade no mercado. Mas ele teme que as eleições do próximo ano interrompam o processo de reforma do setor.


Governo vai comprar energia das térmicas

Ainda indefinida, regulação do Mercado Atacadista atrasa a operação das usinas

PAULO CABRAL




RIO – O ministro de Minas e Energia, José Jorge, reconheceu que a indefinição na regulamentação está atrasando a entrada em operação de usinas térmicas do programa emergencial. Para solucionar, ao menos temporariamente, o problema, o governo vai comprar a eletricidade das usinas térmicas merchant (que vendem no mercado à vista) até que o Mercado Atacadista de Energia (MAE) volte a funcionar. "Há questões de regulação complicadas que estão impedindo o funcionamento do MAE. Enquanto isso, deveremos comprar energia através da Companhia Brasileira de Energia Emergencial (CBEE) para revendê-la ao mercado", afirmou. A CBEE foi criada pelo governo para contratar energia emergencial, principalmente de usinas montadas em barcaças alugadas pelo Brasil.




Segundo José Jorge, há uma comissão na Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), coordenada pelo presidente do BNDES, Francisco Gros, tentando desenhar a regulamentação do setor elétrico brasileiro o mais rápido possível. "São questões difíceis porque não conseguimos um consenso", declarou. O ministro preferiu não dar, no entanto, nenhum prazo. "Vamos tentar resolver o mais rápido possível. Trabalhamos com o objetivo de terminar ontem."

A economia de energia em setembro vai ficar abaixo da meta de 20% estipulada pela GCE, acredita José Jorge. Mas como as chuvas ajudaram a recompor parte dos reservatórios, ele disse que o governo não pensa em novas medidas de racionamento.




Se as condições atuais dos reservatórios do Sudeste e do Centro Oeste – em torno de 4 pontos porcentuais acima da curva-guia – se mantiverem até 15 de outubro não haverá necessidade de apagão nestas regiões, que têm a situação assegurada pelas próximas 6 semanas.




A situação do Nordeste, disse, é mais delicada porque o Rio São Francisco enfrenta a pior seca dos últimos 60 anos. "Só é possível se falar em uma folga de quatro semanas", afirmou. No Nordeste, o nível dos reservatórios está 1,4 ponto porcentual acima do projetado.



Para ministério, programa está adiantado

Mas fontes oficiais admitem que investidores ainda têm incertezas




GERUSA MARQUES e ARIOSTO TEIXEIRA




BRASÍLIA – O governo acredita que há 90% de chance de ser cumprido o cronograma de implantação das 32 usinas térmicas do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT), mas reconhece que ainda existem dúvidas entre os investidores. Muitas delas serão respondidas no documento que está sendo elaborado pelo grupo de revitalização do modelo do setor elétrico, no âmbito da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE).




"Não haverá sobressaltos, o governo está buscando equacionar todas as incertezas", assegurou o assessor técnico do Ministério de Minas e Energia Rui da Justa Feijão. Segundo ele, a maioria das 32 termoelétricas tem a garantia de venda da energia.




Algumas optaram por vender no mercado à vista (mercado spot), como as usinas merchant. Outras têm contratos com empresas do grupo dos investidores, como a Termopernambuco com a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), ambas da Iberdrola.




Feijão afirmou que outros investidores gostariam de construir térmicas, mas não há disponibilidade do gás natural. "Estamos no limite do 40 milhões de metros cúbicos de gás, o que não significa que as portas estão fechadas",disse. Conforme ele, 44 projetos novos projetos aguardam inclusão no PPT.

O técnico admite que o problema mais sério na execução das usinas é o licenciamento ambiental, pois o processo é demorado. Segundo ele, 75% das 32 usinas do PPT já têm licenciamento e as demais estão na fase final de sua obtenção.




O problema de risco cambial do gás, cotado em dólar, foi solucionado. Ele será absorvido pela Petrobrás no período inferior ao dos reajustes anuais de tarifa. (AE)



REFRESCO

Medo de apagão faz Tailândia abolir o terno

O governo da Tailândia fez ontem um apelo para que os trabalhadores do país deixem de usar ternos no emprego para economizar energia.




De acordo com o governo, sendo a Tailândia um país tropical, o uso de ternos eleva o nível de utilização de aparelhos de ar-condicionado.




Usando apenas camisa no trabalho é possível, de acordo com o primeiro-ministro do país, Thaksin Shinawatra, limitar o uso desses aparelhos e economizar energia elétrica.




O gabinete de Shinawatra decidiu em sua reunião dessa semana determinar que os funcionários públicos tailandeses usem apenas camisa no trabalho e apelar que os empregados de companhias privadas façam o mesmo.

Durante a reunião, quatro dos seis aparelhos da sala estavam ligados.

(DA REDAÇÃO)


Atenção: Reparem o que diz o Departamento de Energia Americano sobre a desregulamentação do setor elétrico. Tailandia, benvindo ao clube!


Thailand’s energy sector is undergoing a period of restructuring and privatization. The Thai electric utility and petroleum industries, which have historically been state-controlled monopolies, are currently being restructured.


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