O ILUMINA já tinha chamado atenção para os problemas estruturais do plano de racionamento que não reconhece a não linearidade das metas de consumo entre as classes. É incrível como algun …

O ILUMINA já tinha chamado atenção para os problemas estruturais do plano de racionamento que não reconhece a não linearidade das metas de consumo entre as classes.


É incrível como alguns governantes ainda têm a coragem de usar a velha desculpa da venda das estatais para investir em seúde, educação. Que falta de imaginação!
Economia de energia não atinge meta

Nos primeiros 10 dias do racionamento, região Sudeste economiza 16% e Nordeste, 17,4%. Para ONS, número é positivo


GABRIELA LEAL


BRASÍLIA – Nos 10 primeiros dias de junho, a região Nordeste gastou 17,4% menos de energia e a carga média diária foi de 4.679 megawatts (MW), de acordo com os dados divulgados ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). As regiões Sudeste e Centro-Oeste economizaram um pouco menos, 16%, no mesmo período, e a carga média foi de 21.183 MW. Os números são considerados positivos pelo ONS porque registram apenas 10 dias do início do plano de racionamento, mas mostram que as metas, de redução de 20% no consumo global de energia, não foram cumpridas nesse período.


As três regiões terão que reduzir em 20% o consumo de energia em relação à média do consumo registrado nos meses de maio, junho e julho do ano passado. Para o ONS, os dados da primeira semana de junho são consistentes porque, antes do início efetivo do plano de racionamento, a maior parte da redução do consumo veio das residências, do serviço público e do comércio. O impacto da redução de consumo no setor industrial só começará a ser sentido agora, com o início efetivo do racionamento.


Indústria – O setor industrial responde por um terço do consumo de energia do país. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o peso da indústria chega a quase metade do consumo. ”Há um grande esforço, mas o jogo não está ganho. Isso é como uma gincana”, assinala um técnico do ONS. Ele concorda com o secretário de Energia do Rio, Wagner Victer, ao considerar que uma avaliação efetiva só pode ser feita no fim de junho, primeiro mês de racionamento. Um dos motivos é que a indústria tem liberdade de administrar a redução do seu consumo, podendo optar por reduzir a produção em períodos concentrados do mês, desde que se economize de 15% a 25% a cada período de 30 dias.


Cada cinco pontos percentuais de economia de energia, segundo o ONS, equivalem a 1% de água gasta a menos nos reservatórios das usinas hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste. Ontem, o nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste estava em 29,34%, contra 26,5% no Nordeste. Na região Sudeste, os reservatórios de água mantêm-se estáveis, mas no Nordeste, o nível vem caindo.


Os números divulgados ontem pelo ONS consideram que, nesse intervalo, houve dois finais de semana em que o consumo de energia normalmente cai. No caso da Cerj, o consumo de 1,6 milhão de consumidores de 66 municípios do Rio caiu 24,93%, na média diária de 1° a 10 de junho. Na região da Light, que atua em 31 municípios, inclusive na capital do estado, a economia dos 3,4 milhões de consumidores foi de 4,5%, em comparação com a última semana de maio. Mas, nos 10 primeiros dias de junho, o consumo caiu 17,5% em comparação à média dos gastos de energia dos meses de maio, junho e julho do ano passado.


Metodologia – A empresa informou que não é possível comparar os dados da Light e da Cerj porque as duas concessionárias usam metodologias diferentes de cálculo. A Light faz um registro semanal, enquanto a Cerj mede diariamente a redução do consumo. O secretário de Energia do Rio, Wagner Victer, considera que a divulgação parcial da redução do consumo é ”uma irresponsabilidade do governo federal”. Segundo ele, o registro da economia deve ser apurado a cada 30 dias.


Os consumidores das 4,6 milhões de residências que compõem a área de concessão da Eletropaulo estão conseguindo reduzir o consumo de energia elétrica além dos 20%. Ontem, até as 17h a redução atingiu 24,8% em relação ao que foi consumido nos meses de maio, junho e julho. Mas a medição pontual, feita pela Eletropaulo às 17h, mostrou uma redução recorde de 29%. Segundo a empresa, que atua em 23 municípios e na capital paulista, esta foi a maior economia de consumo registrada num dia útil. Em Belo Horizonte, a meta de economia traçada pelo governo federal para a Cemig foi alcançada. Nos 10 primeiros dias do mês, a estatal alcançou a economia de 21,2% no geral.


* Colaboraram Fabiana Marinello, da Agência JB, de São Paulo, e Roselena Nicolau, de Belo Horizonte


Ato público pela Copel reúne 15 mil

ELEDOVINO BASSETTO JR.


Agência JB


CURITIBA – Em tempos de racionamento de energia elétrica, a luta contra a privatização da Copel, a Companhia Paranaense de Energia, uniu a oposição e até alguns aliados do governador Jaime Lerner (PFL) numa manifestação ontem à tarde em Curitiba. O ato, que reuniu cerca de 15 mil pessoas de acordo com os organizadores, serviu para a entrega oficial do projeto popular que propõe a revogação da lei que permite a venda da empresa estatal.


O documento conta com 120.984 assinaturas de eleitores paranaenses, colhidas em 141 municípios, e é o primeiro projeto de iniciativa popular a ser recebido na história da Assembléia Legislativa do Paraná. O protesto reuniu no mesmo palanque adversários históricos, como os senadores e ex-governadores Álvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião, ambos pré-candidatos à sucessão de Jaime Lerner.


Versão oficial – O governo, como era de se esperar, tratou de minimizar a importância do manifestação pública. Na versão oficial, apenas 2,5 mil pessoas protestaram no Centro Cívico. Policiais militares que acompanhavam o protesto, no entanto, avaliaram que entre 15 a 20 mil participaram da manifestação.


O projeto contra a venda da Companhia Paranaense de Energia só será votado depois do recesso parlamentar em julho, e até lá a oposição espera convencer pelo menos mais quatro deputados a recuarem de sua posições. Atualmente, o Fórum Popular Contra a Venda da Copel contabiliza o apoio de 24 dos 54 deputados estaduais. Já o governo garante que tem o controle de 30 deputados e espera manter o processo de privatização da companhia, que gera 6% de toda a energia elétrica produzida no Brasil.


Questão contábil? – A oposição acusa a administração Lerner de querer privatizar a Copel apenas para cobrir as suas atuais dificuldades de caixa, num momento em que até o governo federal recuou de sua pretensão de privatizar suas geradoras. O governo, entretanto, responde alegando que se não for privatizada, a Copel perderá competitividade a partir de 2003, com o fim do monopólio estatal sobre a energia elétrica.


O governador Jaime Lerner passou o dia de ontem reunido com seus assessores e evitou se manifestar publicamente sobre o protesto. Por meio da Secretaria de Comunicação, preferiu distribuir a seguinte declaração: ”Respeito o direito de livre manifestação das pessoas, mas tenho a convicção de que a concentração acontecida no Centro Cívico não representa o pensamento da sociedade paranaense, que deseja que o estado tenha melhores condições de investir em mais saúde, mais educação e mais segurança pública. E isso só será conseguido com a desestatização da Copel.” JB 12/6


O único dado que interessa é o consumo em relação ao queestava previsto no plano de operação. Qualquer outra comparação é inútil.
Com a mesma eficiência com que colocou o país na situação em que se encontra, o Malan profetiza. Acredite quem quizer…
Por que os dados de consumo divergem

Números de economia das distribuidoras têm períodos distintos como base de comparação


CLÁUDIA BREDARIOLI


As diferenças entre os números de economia no gasto de eletricidade divulgados pelo governo e pelas concessionárias de energia devem-se, principalmente, aos variados períodos de comparação e também de medição utilizados por cada uma delas.


Por isso, em São Paulo, o dado da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) é o que mais se aproxima da informação do governo, apresentando uma economia média de 14,9%, enquanto outras distribuidoras, como a Elektro e a Bandeirante, que usam como base o mês de maio, registram queda no consumo de mais de 20%. Segundo a Eletropaulo, que emprega uma metodologia própria de cálculo, nos dez primeiros dias de racionamento houve redução de 21,9% do gasto de energia.


A CPFL, que atua em 234 municípios do interior do Estado e tem 2,7 milhões de consumidores, é a única distribuidora que dispõe de números que contrapõem a média do resultado acumulado nos dez primeiros dias do racionamento com o consumo médio dos meses de maio, junho e julho do ano passado.


Nas demais concessionárias, a comparação é feita em relação a dias iguais da semana ou períodos equivalentes do mês anterior. Nos cálculos da Elektro no período do dia 2 ao dia 8 de junho comparado à mesma semana de maio (de 28/4 a 4/5) foi registrada queda de 23% no gasto de eletricidade. Segundo a Bandeirante, só no dia 10 de junho, ante o resultado do primeiro domingo de maio, a economia foi de 20,54%.


Já os dados divulgados pela Eletropaulo, responsável por 40% da concessão de energia estadual, comparam os resultados de consumo diário com a meta de economia que deve ser atingida por seus 4,6 milhões de clientes na capital paulista e em outros 23 municípios da região metropolitana.


O engenheiro da empresa Carlos Longue explica que a base de cálculo do uso de energia aproxima-se dos 20% estipulados pelo governo. Assim como a média de comparação é praticamente a do consumo dos meses de maio, junho e julho de 2000. "Mas incluímos na curva os casos dos clientes que tiveram sua meta calculada a partir do resultado do gasto em meses diferentes destes", acrescenta. (Estadão 12/6)


Para Malan, situação logo será resolvida

Ministro rebate críticas dizendo que são investidos R$ 3,4 bilhões por ano em energia


IRANY TEREZA


RIO – O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que o racionamento de energia estará resolvido "num prazo relativamente breve".


Mas evitou especificar uma data "para não dar manchetes desnecessárias". Ele rebateu as críticas de que um dos motivos para a atual crise energética seria o fato de o governo não ter investido o necessário no setor elétrico.


Segundo ele, desde os governos militares sabe-se que a situação é crítica e este teria sido o motivo para referendar os projetos das usinas nucleares e também a construção do gasoduto Brasil-Bolívia. "De 1990 a 94 foram investidos no sistema Eletrobrás R$ 2,5 bilhões por ano. De 95 a 2000, a média anual de investimentos foi de R$ 2,7 bilhões e, de 98 até agora, a média foi elevada para R$ 3,4 bilhões."


Segundo o ministro, a resposta da sociedade ao racionamento tem sido muito boa. "Vamos sair melhor dessa crise. Espero não estar equivocado. O tempo dirá." Para ele, ficou claro que há uma margem de gordura no consumo de energia, o que cria uma possibilidade de economia futura.


Segundo Malan, os investimentos estrangeiros no Brasil no primeiro quadrimestre deste ano somaram US$ 6,8 bilhões. No mesmo período do ano passado, o volume foi de US$ 8,3 bilhões. E no primeiro quadrimestre de 99, de US$ 9,9 bilhões. O ministro considerou que, apesar da queda, os números demonstram a confiança do investidor externo.


"A crise de energia está obrigando a uma temporária revisão de médio e longo prazos na economia brasileira. Mas tenho absoluta confiança de que vamos superar essas dificuldades", afirmou. Pelo décimo primeiro trimestre consecutivo o governo conseguiu cumprir os objetivos fiscais, e Malan fez uma referência bem humorada à dependência do Brasil ao Fundo Monetário Internacional. "As três letrinhas relevantes para o País não são mais FMI, mas LRS e LDO", disse, referindo-se à Lei de Responsabilidade Fiscal e à Lei de Diretrizes Orçamentárias.


Segundo o ministro, em 1998 o País resebeu um volume expressivo de recursos do FMI e de mais 20 bancos centrais, de mais de US$ 32 bilhões, já devolvidos aos credores. Hoje, da dívida de US$ 4 bilhões com o Fundo, o Brasil deve apenas US$ 1,8 bilhão. Elo acordo com o FMI termina no dia 1º de dezembro deste ano, frisou. (Estadao 12/6)


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