
O NORDESTE PRECISA DA CHESF
Nos últimos anos do século XX e nos dois primeiros anos do século XXI a Chesf viveu sob ameaça dos Arautos da Privatização que, na ânsia de acabar com ela, chegaram a fazer colocações chulas e ofensivas do tipo “o problema é que, em Pernambuco, alguns políticos e técnicos da Chesf se juntaram para jantar capim” (sic) – Jornal do Commercio, edição de 8 de março de 2002.
O Governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, na época senador, dialogava com o presidente da república e deu o testemunho de que para FHC o perigo de passar para a história com o estigma de ser o Presidente que vendeu o rio São Francisco foi um argumento importante na derrota dos Arautos da Privatização.
Em passado recente, o Presidente Lula expressou, corretamente, o desejo de transformar a Eletrobrás, na Petrobras do Setor Elétrico.
Infelizmente, a proposição foi adulterada por pessoas que buscam apenas o Poder e o controle político partidário de empresas que deveriam ter preservado o objetivo maior – serem republicanas.
Numa estranha e perigosa manobra, as grandes estatais regionais, Eletronorte, Chesf, Furnas e Eletrosul estão ameaçadas de serem esvaziadas e transformadas em empresas de operação e manutenção da holding Eletrobrás. Ou seja, tornar-se-ão empresas vegetativas sem perspectiva de crescimento, estagnadas, esperando o fim por inanição.
No Nordeste, a Chesf muito mais competente que a holding e com um corpo técnico de excelência (que continua comendo capim!!) desperta para a ameaça de ser destroçada pela ânsia de poder da holding Eletrobrás.
Avaliações do GESEL – Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro substituem hoje os vazios, mas arrogantes, relatórios da Coopers & Lybrand dirigidos para apoiar à Privatização.
Resoluções da Eletrobrás e Deliberações do seu Conselho de Administração preparam o cenário para transformar a Chesf e as grandes geradoras regionais quase que em escritórios da Eletrobrás. Aliás, no modelo “rolo compressor” atual os Estatutos das controladas foram alterados de forma que uma matéria para ser aprovada no Conselho de Administração de uma controlada, tem que antes ser aprovada pelo Conselho de Administração da holding, descredenciando ou esvaziando os seus poderes de decisão.
Petrobrás e Odebrecht, uma estatal e outra privada, são exemplos de holdings que crescem suportadas na força e na competência gerencial de suas subsidiárias.
Miguel Arraes, Roberto Magalhães, Teotônio Vilela, Marco Maciel, Fernando Ferro, Clementino Coelho, José Carlos Aleluia, Paulo Rangel e muitos outros, mesmo representando visões políticas distintas, as vezes até opostas, se uniram para defender a Chesf e o rio São Francisco.
O Ilumina – NE durante seis anos lutou contra a Privatização da Chesf e do Velho Chico.
Chegou a hora de convocar os políticos de todas as bandeiras e a sociedade civil organizada para o debate que mostrará que O NORDESTE PRECISA DA CHESF.
Alertado, FHC não aceitou privatizar o rio São Francisco.
Será cruel, aproximando-se as eleições de 2010, ver o Presidente Lula aprovar a destruição da Chesf.
João Paulo Maranhão de Aguiar
Engenheiro e Diretor do Ilumina – NE