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O que o presidente do BNDES precisa explicar é: Que mecanismos foram utilizados por uma instituição pública para obter informações que resultem na certeza de que sem o financiamento não haveria leilão. A nosso ver só a promiscuidade entre compradores (privados) e vendedores (públicos) explicam essa "esperteza". As forças de esquerda, que ainda tentam preservar o que resta de tranparência nos negócios públicos, precisam questionar judicialmente essa declaração.
Calabi: BNDES financiou estrangeiros para garantir a venda da Cesp Tietê

Cássia Maria Rodrigues Correspondente


LONDRES. O presidente do BNDES, Andrea Calabi, minimizou ontem as críticas do empresário Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, sobre o processo de privatização da Cesp Tietê. Na semana passada, a geradora paulista foi arrematada pela empresa americana AES, que teve financiamento do BNDES. O consórcio VBC, que contava com a participação da Votorantim e era o único representante nacional na disputa, desistiu do leilão alegando ter sido prejudicado pelo BNDES.


Calabi sublinhou que a decisão do BNDES, de estender o financiamento de até 50% do preço mínimo aos investidores estrangeiros, foi determinada pela percepção de que a falta de competição no processo poderia levar o Governo de São Paulo a desistir de privatizar a empresa. Calabi reiterou que ele, pessoalmente, acreditava que seria importante para a VBC ter concorrentes estrangeiros.


– A própria empresa tinha interesse em que houvesse financiamentos mais estendidos. No fundo, eles reclamam da frustração de não ter participado. Eu também reclamo junto com eles – disse.


Calabi aproveitou para criticar os empresários brasileiros que censuraram a atuação do BNDES no processo:


– O BNDES sempre se posicionou publicamente, financiando empresas nacionais e estrangeiras nos processos de privatização, mas tem uma definida e clara preferência por empresas nacionais. Lamentavelmente, nesse caso não deu para participar. A questão nacional deve ser o desenvolvimento, e não apenas o dono da empresa. Estamos voltados para interesses nacionais, interesses do Estado de São Paulo, interesses do Tesouro e interesses de investimentos no setor, no sentido mais amplo do desenvolvimento nacional.


Ontem, Calabi e o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, almoçaram com empresários e investidores na Câmara de Comércio e Confederação das Indústrias Britânicas. Parente confirmou que o Governo brasileiro vai rever o modelo de privatização.


– Depois de dez anos, está na hora de fazer uma intensa revisão – afirmou o ministro-chefe da Casa Civil.


Uma das propostas que estão sendo estudadas é a pulverização das vendas de ações, para fortalecer o mercado de capitais no Brasil. Fonte O GLOBO


Veja as acusações originais

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