ONS sugere revisão de plano de energia para evitar riscos


Comentário: A notícia deixa claro o que nós temos, insistentemente, chamado atenção. A obsessão por reduzir tarifas, além de produzir “nano receitas” de O&M para as usinas e linhas antigas, avança sobre a operação do sistema. Diz a reportagem que “No modelo atual, o ONS é obrigado a retardar o acionamento das térmicas, o que leva ao consumo máximo dos reservatórios hidrelétricos.” A pergunta óbvia é: Obrigado a retardar por quem? Domínio Invisível Limita Melhor Análise?

Um indicador de que estamos abusando das nossas reservas é o total de energia natural vertida que, apenas em 2011, ano hidrológico que superou a média em 30%, atingiu 4%, muito baixo para quem opera antecipando o indesejável “fundo do poço”.

Como sempre, qualquer notícia que reconheça o óbvio e provoque um sentimento de alívio pela possibilidade de reconhecimento de falhas, vem sempre acompanhada de uma omissão misteriosa. Se haverá o “progressivo aumento da participação da geração térmica na oferta” é preciso urgentemente rever as garantias físicas do sistema. Porque isso não é explicitamente reconhecido? Porque, na realidade, ele expõe a falha do modelo de certificados no sistema brasileiro?

É preciso lembrar que, por trás do custo marginal de operação, há o subjetivo, mítico e quase religioso “custo do déficit”. De qualquer modo, o Ilumina parabeniza o ONS pela coragem em admitir que nem tudo está tão bem quanto alardeado.



O Operador Nacional do Sistema Elétrico recomenda que o governo altere o modelo dos leilões de energia e que seja exigida dos investidores a utilização de tecnologia mais avançada nas hidrelétricas e transmissão. Com isso será possível evitar problemas de abastecimento, principalmente na região Sul do país, nos próximos quatro anos. A proposta é que as licitações foquem mais em eficiência do que em tarifas.

ONS pede novo modelo de leilão

No plano para o período de 2013 a 2017, o operador do sistema elétrico sugere licitações regionais e mais térmicas

Fernanda Nunes – Brasil Econômico – 26/09

O Operador Nacional do Sistema (ONS) sugeriu ao governo mudanças no planejamento energético para conferir mais segurança no abastecimento de eletricidade, sobretudo no Sul do país. A principal recomendação — incluída no Plano da Operação Energética para o período de 2013 a 2017 — é a revisão do modelo dos leilões para a contratação de energia, planejado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e adotado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em vez da contratação de volumes de energia física pelo critério de menor tarifa, o que atende à expectativa do governo de reduzir o custo da eletricidade para o consumidor, o ONS propõe que sejam considerados também os fatores localização e fonte de geração na decisão pela instalação de usinas.

Na prática, o que o Operador pede é a realização de leilões localizados, focados nas necessidades regionais, e a inclusão no planejamento de um número maior de térmicas. Além disso, recomenda que o governo estimule os investidores a utilizarem tecnologias mais avançadas que ampliem a eficiência das usinas.

“O ONS está preocupado com a segurança do sistema, o que pode significar aumento de custo para o consumidor. Cabe à outra instância estabelecer os riscos aceitáveis”, saliente o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales. Ele acrescenta que, ao focar na tarifa e desconsiderar outras características do sistema elétrico, o governo gera instabilidade no abastecimento.

Entretanto, para contornar o problema, diz Sales, o ONS acaba recorrendo a soluções onerosas para o consumidor. É o caso da operação de usinas térmicas mais caras, em períodos em que as hidrelétricas estão com os reservatórios baixos, como neste ano. Por isso, a indicação do Operador para que o planejamento energético seja alterado, avalia Sales.

Em seu Plano de Operação, o ONS destaca que um planejamento calcado na geração hidrelétrica com reservatórios reduzidos e usinas térmicas de custos elevados, somado à prioridade dada ao fator custo na eleição da usina a ser despachada, como ocorre atualmente, a eficiência do sistema fica comprometida. No modelo atual, o ONS é obrigado a retardar o acionamento das térmicas, o que leva ao consumo máximo dos reservatórios hidrelétricos.

Sobre a região Sul, o ONS ressalta que “as avaliações para situações operativas em secas severas nesse subsistema, concomitantes com eventuais indisponibilidades prolongadas no sistema elétrico de importação, poderão resultar em insuficiência de oferta local para o pleno atendimento da carga”, embora, ao mesmo tempo, ressalte que o risco ainda está no patamar de normalidade.

Como solução, faz três recomendações ao governo. A primeira é de expansão da capacidade de transferência de energia para o Sul, sobretudo com origem no subsistema Nordeste, onde a perspectiva é de sobra de eletricidade. A segunda, para que, na realização de leilões de energia nova e de energia de reserva, a prioridade seja a instalação de usinas na região Sul. Por fim, sugere que o governo passe a adotar leilões especiais por região.

O Operador ainda recomenda ao Ministério de Minas e Energia e à Aneel que “avaliem, junto a fabricantes de usinas térmicas, novas tecnologias de projetos que possam ter maior flexibilidade na variação de tomada e retomada de carga”. A previsão para os próximos quatros anos é de “progressivo aumento da participação da geração térmica na oferta”.

 

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