Os incrédulos
O mais engraçado das notícias abaixo é a evidência de que a promessa de melhoria de qualidade prometida não aconteceu. Mostra também que as empresas distribuidoras não acreditaram e até desprezaram a mudança institucionais no setor elétrico. Nesse malfadado modelo, são elas o "motor" da expansão, seja por contratar geração seja por construir, elas mesmo, as usinas. Julgam-se inocentes na produção do racionamento. Achamos que nem leram seu contrato de concessão que reza que é delas a responsabilidade legal de atendimento da demanda atual e futura!
Eletropaulo tem a pior avaliação entre clientes (Estado 21/3)
Na pesquisa da Aneel com consumidores, índice da empresa caiu de 63,35 para 54,44
GERUSA MARQUES
BRASÍLIA – A Eletropaulo, distribuidora que atende 24 municípios do Estado de São Paulo, entre eles a capital paulista, obteve de seus clientes a pior avaliação entre o grupo de 14 empresas de grande porte de fornecimento de energia de todo o País. A Bandeirante, outra distribuidora paulista, também teve uma avaliação pior do que em 2000.
A avaliação faz parte de uma pesquisa de satisfação do consumidor, realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e divulgada ontem pelo diretor-geral da agência, José Mário Abdo.
No Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC) – que utiliza uma escala de zero a 100 -, a Eletropaulo caiu de 63,35, em 2000, para 54,44 em 2001 e a Bandeirante, de 67,16 para 63,55. Já a Elektro e a CPFL tiveram melhor avaliação, ficando em quarto e quinto lugares, respectivamente.
Os 300 consumidores da Eletropaulo ouvidos na pesquisa, no período de 15 de novembro a 30 de dezembro do ano passado, não avaliaram bem a empresa nos seguintes itens: atendimento igualitário a todos os consumidores, detalhamento das contas de luz, facilidade de acesso aos postos de pagamento de contas, respostas rápidas às solicitações, fornecimento de energia sem interrupção, fornecimento de energia sem variação de voltagem e avisos antecipados sobre cortes de energia.
Abdo anunciou que antecipará para o primeiro semestre deste ano a fiscalização nas empresas mal avaliadas. Ela estava prevista para o segundo semestre. No caso da Eletropaulo, a fiscalização será feita até junho.
O grau de satisfação dos consumidores residenciais com o serviço das 64 distribuidoras de energia elétrica que atuam no País, no ano passado, atingiu índice médio de 63,22, de acordo com a pesquisa. A avaliação da qualidade dos serviços foi praticamente a mesma registrada no ano anterior.
Segundo Abdo, o resultado mostra que as empresas precisam melhorar o serviço prestado. A Aneel ouviu 19.200 consumidores residenciais em todo o País, numa média de 300 entrevistados por cada distribuidora. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Voz Populi.. Na avaliação da agência, se comparados os índices nacionais com as referências internacionais, a satisfação em relação aos serviços prestados pelas distribuidoras está abaixo do que pode ser considerado um bom desempenho.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice de satisfação médio é de 69 e, na Europa, de 70, também numa escala de zero a 100. Entre as 14 empresas de grande porte que atendem a mais de um milhão de consumidores, a que obteve a melhor avaliação foi a Companhia Paranaense de Energia (Copel), com 70,95, seguida da Selesc, de Santa Catarina, com 70,3, e da Cemig, de Minas Gerais, com 69,74.
Do grupo que inclui todas as 64 empresas do País, a que obteve a melhor avaliação, com índice de 77,45, foi a Força e Luz Coronel Vivida, que atende 5.200 consumidores no município de Coronel Vivida (PR). Do total, 42 ficaram com índice acima da média nacional e 22 abaixo dele.
Na Região Sudeste, as empresas acompanharam a média nacional, apresentando índice médio de 63,65. Das 22 empresas da região, 17 ficaram com índice acima da média nacional.
Racionamento – Para a Aneel, o racionamento de energia não influenciou a avaliação dos consumidores residenciais sobre os serviços prestados pelas distribuidoras de energia elétrica. O diretor-geral da agência disse ontem que a avaliação dos serviços feita no ano passado foi semelhante a um ano sem racionamento.
"Os consumidores estão analisando outros itens da cadeia de relação com as distribuidoras", afirmou. Os 17 indicadores de qualidade da pesquisa estão agrupados nos temas: acesso à empresa, confiabilidade dos serviços e atendimento ao público. (AE)
Para empresas, racionamento foi o culpado (Estado 21/3)RENÉE PEREIRA
A queda no grau de satisfação dos consumidores com algumas concessionárias de energia elétrica foi atribuída ao crítico momento enfrentado pelo setor no ano passado. Segundo Cyro Boccuzzi, diretor-presidente da Eletropaulo, que obteve a pior avaliação de seus clientes, o racionamento foi mais um problema na estressante vida do paulistano. Além disso, explica, os clientes da distribuidora são mais exigentes por dependerem tanto da energia no seu dia-a-dia.
Mesmo assim, a empresa afirmou que vai avaliar todos os pontos criticados pelos consumidores na pesquisa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e melhorar tudo que foi apontado como ineficiente. Entre as mudanças pode estar a alteração na conta de luz, que segundo Boccuzzi, está ultrapassada.
O assistente da presidência da Bandeirante Energia, Roberto Mario Di Nardo, o resultado da pesquisa traduz os inconvenientes proporcionados pelo racionamento. "Nessa história, quem saiu como vilão foram as distribuidoras", admite.
Além disso, explicam as empresas, a pesquisa foi realizada no período em que as distribuidoras estavam alterando as metas por causa do verão, o que provocou transtorno para os consumidores. A Light preferiu não se pronunciar enquanto não avaliar os pontos da pesquisa.
Consumidores reprovam a Eletropaulo (Folha 21/3)
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Eletropaulo é a sexta pior empresa de energia do país. É o que aponta pesquisa divulgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre satisfação do consumidor.
Os serviços da Eletropaulo, que atende 4,7 milhões de clientes na região metropolitana de São Paulo, foram considerados os piores entre as 22 distribuidoras de energia do Sudeste.
Entre as empresas de grande porte, o desempenho da Eletropaulo foi o pior. A empresa caiu da 33ª posição no ranking de 2000 para a 59ª posição. No ano passado, a nota da empresa foi 54,4.
Com base na pesquisa, feita em 2001, a Aneel avalia que a distribuição de energia no Brasil está com padrões de qualidade mais baixos do que os internacionais. A pesquisa levou a agência a antecipar a fiscalização nas 21 distribuidoras que tiveram desempenho abaixo da média.
Em uma escala que vai de zero a 100, as distribuidoras de energia no país tiveram nota média de 63,2 -praticamente igual à de 2000, de 62,8. Nos EUA e na Europa, esse índice chega a 70.
No caso da Eletropaulo, os consumidores qualificaram como ruins os seguintes serviços: atendimento igualitário aos consumidores, detalhamento nas contas, facilidade para entrar em contato com a empresa, facilidade de acesso aos postos de recebimento de conta, resposta rápida às solicitações dos clientes, interrupção no fornecimento de energia, variação de voltagem no fornecimento de energia e avisos antecipados de corte.
A assessoria de imprensa da Eletropaulo informou que a empresa ainda não teve conhecimento do resultado da pesquisa e irá analisá-la antes de se pronunciar.
A Aneel informou que o instituto Vox Populi, responsável pela pesquisa, fez 300 entrevistas com consumidores de cada uma das 64 distribuidoras do país. Foram pesquisadas cerca de 20 mil pessoas entre 15 de novembro e 30 de dezembro de 2001. A margem de erro é de 0,7 ponto percentual.
Segundo a pesquisa, as empresas com pior avaliação estão no Norte. O melhor desempenho foi o das empresas do Sul. A pior distribuidora de energia, na avaliação dos consumidores, é a CER (Companhia Energética de Roraima) e a melhor é a Forcel (PR), que só atende um município.
As quatro primeiras posições do ranking ficaram com empresas de pequeno porte.
Entre as grandes empresas, os melhores desempenhos foram das estatais Copel (PR), Celesc (SC) e Cemig (MG) e das privadas Elektro (SP) e CPFL (SP).
Procuradores questionam seguro-apagão (Folha 21/3)FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O Ministério Público Federal vai investigar a ação do governo de cobrar uma taxa -o seguro-apagão- na conta dos consumidores a partir deste mês. Três inquéritos foram instaurados nesta semana -em Florianópolis (SC), em Bauru (SP) e em Fortaleza (CE)- para verificar a legalidade da cobrança dessa tarifa.
Com o seguro-apagão, o governo quer cobrir encargos com a aquisição de energia elétrica emergencial por meio da locação de 58 usinas móveis e a compra de eletricidade no mercado atacadista no período do racionamento, quando o preço do megawatt chegou perto de R$ 700.
"Encaminhei ofício à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e à Celesc (a companhia de energia de Santa Catarina) para pedir informações sobre a cobrança do seguro-apagão", afirma Carlos Augusto de Amorim Dutra, procurador da República em Santa Catarina.
Cabe ao Ministério Público, diz ele, verificar as razões que levam as empresas estatais ou privadas a cobrar novas tarifas dos consumidores. "É preciso verificar se o seguro contraria o direito do consumidor."
Cópia
Rodrigo Valdez de Oliveira, procurador da República em Bauru, solicitou cópias dos contratos de aluguel firmados entre a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE) e as empresas que passarão a fornecer energia de emergência.
"Percebi que os preços pagos por essa energia são bem altos. Quero saber detalhes dos contratos para verificar se o consumidor será ou não prejudicado", afirma Oliveira.
A CBEE informa, por meio de nota, que o aluguel de energia emergencial foi avaliado como oportuno, já que o risco de operação das usinas seria dos produtores independentes durante e depois de encerrados os contratos.